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| As meninas da equipe de pólo Terra Vermelha, de Brasília, participaram da competição; Foto: Marcos Serra/D.A. Pressa |
O esporte não é simples e tampouco barato. Na maioria das vezes, é praticado por homens. Mas, a cada dia, as mulheres começam a mostrar que têm aptidão com a mistura tacos e cavalos. Nos dias 1 e 2 de outubro, elas foram a campo no 1º Torneio de Polo Equestre feminino de Brasília (DF), no 1º Regimento de Cavalaria e Guarda (RCG). A competição teve como vencedora a equipe batizada de República Democrática do Congo.
Como a modalidade ainda está no início na cidade, apenas três times disputaram o torneio. Todos jogaram contra todos em seis tempos, dois em cada dia de competição. Cada equipe tinha quatro integrantes - o mínimo necessário para a prática do jogo. Nas cabeças dos grupos estavam Lúcia Junqueira, Marion Klintworth e Ingrid Nogueira, jogadoras de outros estados que foram convidadas para o evento. Cada uma foi cabeça-de-chave de uma equipe e as outras competidoras de cada time foram definidas por sorteio.
Entre as demais competidoras, brasilienses ainda iniciantes. Juliana de Castro, 30 anos, começou a jogar polo há apenas três semanas e já subiu ao pódio com a equipe do Congo. "É muito bom começar ganhando, mas reconheço que fiz pouco. O meu time que era ótimo, as meninas acabaram fazendo tudo", admitiu a analista de sistemas.
"As meninas" são Camila Bello, 27 anos, Érica Ferreira, 31, e Lúcia Junqueira, 25. Lúcia veio de Orlândia, interior de São Paulo, só para participar do evento. "Fiquei muito feliz de ter vindo, chegar aqui e encontrar essa organização toda. Na maioria das vezes nós jogamos com homens porque não há mulheres em número suficiente para fechar um time. Ver as meninas jogando é muito bom. Deu para ver que Brasília é uma das cidades que mais está investindo em polo feminino", comentou. Além do troféu, Lúcia levou o título de artilheira da competição, com 13 gols.
As donas da casa gostaram da participação das convidadas. "Foi ótimo. Como são mais experientes, elas dão ritmo ao jogo, puxam a gente. Sem contar que é uma ótima oportunidade de nos conhecermos e abrirmos um espaço para a troca de informações", ressaltou Érica.
As visitantes também se divertiram. Foi a primeira vez que Ingrid viajou para competir. "Já estamos combinando de fazer torneios como esses em outros estados, assim não fica sendo um evento isolado. Onde eu jogo não há mulheres no esporte, para mim é diferente ter uma competição exclusivamente feminina, mas é muito bom porque temos o mesmo nível", observou.
Pelo equilíbrio
Estima-se que 36 mulheres pratiquem o polo equestre no Brasil. No entanto, o esporte ainda precisa se organizar. Ainda não há o handicap, espécie de nota que é dada para separar as jogadoras em categorias. Atualmente, elas utilizam as regras do handicap masculino, mas é preciso regulamentar um feminino para se adequar às peculiaridades do jogo das mulheres. A estipulação dessas notas é necessária para que as competições possam ser organizadas. Nos torneios de polo, a soma do handicap das jogadoras do time precisa ter um valor determinado pela organização. Sem isso, os times acabam muito desequilibrados tecnicamente.
Homenagem
República Democrática do Congo, Dragões e Estado do Catar foram os times montados especialmente para o campeonato. Os nomes das equipes representam os patrocinadores do evento e nada têm a ver com os referentes países.