O mormo, doença que atinge equídeos (cavalos, éguas e mulas) é contagiosa e pode ser transmitida para o ser humano, volta a preocupar o meio equestre brasileiro. A doença que teve caso em 2010 e prejudicou algumas competições nacionais e internacionais, devido o fechamento das barreiras sanitárias, teve seu primeiro caso confirmado na cidade de Varzelândia, região norte de Minas Gerais.
A égua contaminada tinha 12 anos e foi sacrificada. Além dessa propriedade, mais três fazendas foram interditadas, que juntas somam 400 animais e estão sendo monitorados pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).
O IMA informou que vai reforçar a fiscalização para evitar novos focos da doença e listou os 105 municípios que terão restrições para o trânsito para qualquer finalidade e destino, ou seja, participação em eventos pecuários (exposições, feiras, leilões e esportes – cavalgadas, enduro, vaquejadas, rodeios, provas de laço, provas de tambor, hipismo, turfe) – e demais aglomerações; além de reprodução, abate etc.
O maior impacto da confirmação do primeiro caso em Minas Gerais de um animal contaminado por mormo ocorrerá, novamente, nas competições esportivas.
Segundo a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), os participantes do Campeonato Brasileiro de Master, que será realizado de 1 a 3 de junho, no Centro Hípico Vale do Sol - CHEVALS, em Nova Lima (MG), devem apresentar o exame de mormo negativo dentro do prazo de validade, além do atestado de vacina, exame de AIE e a GTA.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Rio Grande do Sul (Seapa), por meio do Serviço de Fiscalização e Controle de Trânsito (SFCT) divulgou uma Circular que informa que o ingresso de equinos no estado gaúcho, provenientes de Minas Gerais, somente será permitido com atestado negativo para mormo. O Atestado também será exigido no retorno ao Rio Grande do Sul dos animais que saírem para participarem de eventos no estado mineiro.
Sobre o Mormo
O Mormo é uma doença infecciosa que ataca primariamente cavalos, asnos e mulas, podendo também ser contraída por outros animais, tais como cachorros, gatos, bodes e, inclusive, o homem. É uma infecção causada pela bactéria Burkholderia mallei, geralmente pela ingestão de água ou comida contaminada. Os sintomas do Mormo incluem lesões nodulares nos pulmões, mucosas nasais e gânglios linfáticos, além de secreção nasal catarro-purulento. Há febre, tosse, perda de sangue pelo nariz, falta de ar e emagrecimento progressivo.
No homem, o mormo pode causar pneumonia grave e, na maioria das vezes, leva à morte.
Como proceder em cada caso
O IMA criou regras específicas para cada caso. No primeiro, os animais de Minas Gerais enquadrados na região dos 105 municípios relacionados que participarão de eventos pecuários no estado de Minas Gerais, podem sair para participar de eventos, mas é obrigatório que apresentem comprovante de exame (laboratorial) negativo para Mormo, dentro do prazo de validade que é de 60 dias, devendo acobertar todo o período de trânsito e condicionado à ausência de sinais clínicos de Mormo.
Já os animais de Minas Gerais não enquadrados na região dos 105 municípios relacionados que participarão de eventos pecuários em Minas Gerais, se não transitarem pelos 105 municípios listados, não será necessário o exame (laboratorial) negativo para Mormo. Do contrário, é obrigatório o comprovante do referido exame.
No terceiro caso, animais oriundos de Minas Gerais (de qualquer município do estado) que irão transitar para outro estado para participação em eventos pecuários, ou para qualquer outra finalidade terão que apresentar comprovante de exame (laboratorial) negativo para Mormo, dentro do prazo de validade que é de 60 dias, devendo acobertar todo o período de trânsito e condicionado à ausência de sinais clínicos de Mormo.
Já os animais de outros estados com destino a eventos pecuários em Minas Gerais deverão trazer exame laboratorial negativo para Mormo e não apresentarem sinais clínicos de Mormo.
Os animais de outros estados que transitarem por Minas Gerais com objetivos que não a participação em eventos pecuários, por exemplo, para reprodução deverão trazer exame laboratorial negativo para Mormo e não apresentarem sinais clínicos de Mormo.
Observação: O comprovante de exame laboratorial negativo para Mormo não poderá ser utilizado no retorno do animal à origem, caso a finalidade do trânsito inicial tenha sido outra, que não a participação em evento pecuário. Portanto, deverão ser feitos dois exames, um para entrada, outro para saída.
Veterinários credenciados
De acordo com o IMA, a coleta e envio de material para exame laboratorial de Mormo objetivando trânsito, somente poderá ser feita por veterinários habilitados para emissão de GTA de equídeos, veterinários responsáveis técnicos de laboratórios credenciados para realização de exame laboratorial para diagnóstico de anemia infecciosa eqüina, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e por veterinário oficial. A coleta e envio de material para a realização de exame laboratorial de Mormo objetivando diagnóstico de suspeita somente pode ser feita por veterinário oficial. O ofício informa ainda que não há laboratório credenciado para realização do referido diagnóstico em Minas Gerais.
Qualquer sinal indicativo de suspeita de enfermidade infectocontagiosa em eventos e propriedades deverá ser imediatamente comunicado ao escritório local do IMA. As dúvidas poderão ser esclarecidas pelos telefones (31) 39158727, (31) 39158729, (31) 39158725, (31) 39158755 e (31) 39158737.
Foto: Jornal de Montes Claros