10-Abr-2017 17:42

Cuidados durante a gestação de éguas: os primeiros 60 dias são os mais críticos

 

Os primeiros 60 dias da gestação são os mais críticos e, por essa razão, as éguas gestantes devem ser submetidas a um regime sem estresse

 

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Finalizando a estação de monta, é chegada a hora de cuidarmos das éguas que se tornaram gestantes. Tudo se inicia pelo manejo geral da propriedade, onde os animais devem ser alojados em piquetes e divididos por categorias, onde uma delas será as de éguas prenhas.

Essa atitude é importante para podermos manter uma qualidade nutricional adequada para esses animais, que, a partir de agora, passam a levar um potro em seu ventre e o mesmo também precisará de uma demanda energética para o seu bom desenvolvimento. Com isso, o piquete destinado a esse lote de animais deve ser com boas dimensões, capim de excelente qualidade, sal mineral, água disponível à vontade, limpa e em suficiente quantidade para o número de animais.

Importante salientar que nessa categoria de égua gestantes, enquadram-se tanto as matrizes de alto valor genético e muitas vezes econômico, que foram cobertas ou inseminadas, mas também, muitas vezes as receptoras de embrião que não possuem esse valor genético e econômico agregados, porém carregam em si provavelmente um potro de excelente qualidade e que passou por muito trabalho e demanda financeira e, por essa razão, devem ser tão bem tratadas quanto às matrizes.

Em relação ao arraçoamento, o mesmo deverá ser realizado no campo, porém de forma individual, em lanchonetes ou cochos individuais, para garantir que éguas dominantes impeçam as outras de se alimentar. A acompanhamento por um médico veterinário especializado em nutrição equina deve acontecer para garantir um fornecimento adequado das quantidades diárias de energia exigidas por essa categoria principalmente no terço final da gestação.

Os primeiros 60 dias da gestação são os mais críticos e por essa razão essas fêmeas devem ser submetidas a um regime de “zero estresse”, ou seja, tentar evitar nesse momento falta água, por menor que seja o período, troca de ração, transporte, intensa movimentação próximo ao local onde estejam, entre outros.

O acompanhamento médico veterinário deve ser mensal, através de exames clínicos e ginecológicos, principalmente através da ultrassonografia com o objetivo de monitorar essa gestação. Esse exame é importante, pois poderá detectar uma morte embrionária, que é considerada até 40 dias de gestação ou mesmo um aborto que ocorre após essa data. Atualmente a incidência detectada de morte embrionária entre 12 e 40 dias de prenhez esta´ na ordem de 10 a 15% para éguas jovens e de 20 a 30% para éguas idosas (mais de 21 anos).

Quanto ao manejo profilático nesse grupo de éguas gestantes, é fundamental salientar a importância do controle de ecto e endoparasitas, porém para isso é de extrema necessidade a consulta de um médico veterinário especialista para o uso de produtos no período correto e que não sejam prejudiciais a gestação, pois muitos podem causar aborto. Quanto à vacinação, antes de se tornarem gestantes, as éguas devem estar protegidas contra a raiva. Durante a gestação recomenda-se a vacinação contra o vírus do aborto equino (herpesvírus) seguindo o protocolo que é ao quinto, sétimo e nono mês de gestação. E um mês antes da previsão do parto, as éguas devem ser vacinadas contra influenza, encefalomielite e tétano.

O período de gestação nos equinos é de 11 meses, mais precisamente 330-340 dias a contar-se da ovulação da égua, podendo antecipar ou atrasar por alguns dias. Geralmente éguas de primeira cria tendem a antecipar essa data.

Chegando próximo de um mês antes do parto, é aconselhável que essas éguas sejam alocadas em piquetes-maternidades, que tenham passado por um vazio sanitário para evitar algum tipo de contaminação, e que esse, seja alternado de ano para ano. Outra opção é o parto em cocheiras, onde da mesma forma essa deve estar desinfetada para receber essa gestante. O tamanho padrão de baia para o parto é de 4 x 4 metros.

O parto das éguas acontece em sua maioria durante a noite, entre as 22h e 4h da manhã e geralmente acaba sendo muito rápido. Na medida do possível, é interessante que seja assistido para caso ocorra alguma intercorrência um médico veterinário possa ser chamado a tempo. O ambiente para esse momento deve ser o mais calmo e limpo possível.

Seguindo esse caminho, com certeza iremos minimizar os problemas durante a gestação e ao se passarem os 11 meses de espera teremos saudáveis potros, que com o passar dos meses deverão ter também um manejo todo especial para um bom crescimento e desenvolvimento.s mais críticos e as fêmeas devem ser submetidas a um regime de “zero estresse”, ou seja, tentar evitar nesse momento falta água, por menor que seja o período, troca de ração, transporte, intensa movimentação próximo ao local onde estejam, entre outros.

Kadu Camargo

Kadu Camargo

Professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, responsável pelo G.E.R.E. (Grupo de Estudos em Reprodução Equina PUCPR); Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Medicina Animal: Equinos, na área da Reprodução Equina da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). E-mail: kaducamargo@gmail.com

 

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