08-Set-2016 10:19

Up e Down

Como subidas e descidas podem beneficiar o cavalo e solucionar problemas

Fala-se muito no treinamento de cavalos citando exercícios executados dentro de uma pista ou picadeiro. Neste mês, ressaltarei os benefícios de como trabalhar os cavalos em subidas e descidas, exercícios esses que podem fazer parte do programa de treinamento, podendo ser utilizados por duas ou três vezes por semana.

É importante ter atenção à angulação dos morros para a prática desses exercícios.  Ao iniciá-los, o ideal é buscar uma angulação suave e aos poucos ir aumentando a intensidade. Procure um campo verde, cujo piso é mais suave e macio. Mas atenção para que não haja buracos e/ou pedras no caminho, assim como evitar os dias de chuva em que o piso estiver escorregadio. Muitas vezes pela manhã bem cedo o orvalho costuma deixar a grama molhada e, dessa forma, também ficar escorregadia. Da mesma maneira deve-se evitar pisos demasiadamente rígidos, por isso é importante encontrar uma área favorável antes de começar a trabalhar.

Nas primeiras lições deve deixar o cavalo olhar os arreadores e habituar-se à nova área para que possa sentir-se seguro e confortável. Lembre-se que o segundo degrau da Escala de Treinamento é a descontração e você deverá cuidar para mantê-la durante todo o processo. Obviamente o cavalo pode ficar feliz e demonstrar empolgação durante a caminhada, mas isso não quer dizer que ele está tenso.

 É preciso estar atento às condições de saúde do cavalo antes de iniciar as sessões. Ele deve estar totalmente saudável e não deve ter problemas de navicular ou outros, pois esses exercícios causam mais impacto nos anteriores e colocam mais peso sobre os posteriores. Consulte o veterinário para saber se o cavalo está apto.

 Ao utilizarmos uma subida, o cavalo usará mais os posteriores para “empurrar-se” para frente, encorajando –os a entrar mais, trazendo-os para mais perto do seu centro de gravidade.

Ao subir, o passo é favorecido quanto à qualidade da mecânica de movimentação dos quatro tempos, musculando a linha dorsal e garupa, assim como incentivando o alongamento da silhueta, ganhando mais impulsão e desejo de avançar.

 Ao trote, a subida funciona como um facilitador para o alongamento. Numa pista plana, muitas vezes quando buscamos o alongamento das passadas do trote, o cavalo costuma “cair” sobre as espáduas e fazer movimentos repicados e curtos. Na subida, ele não conseguirá debruçar-se e, dessa forma, as espáduas estarão mais livres para receber a impulsão vinda de trás.

 Ao galope, a subida é um grande beneficiador para a reunião, para o engajamento dos posteriores.

 Já na descida, o cavalo precisa trazer o peso para trás para compensar o efeito da gravidade. Novamente o cavalo é encorajado a entrar mais com os posteriores na busca pelo seu centro de gravidade. Na descida, gosto de trabalhar com as transições alto-passo, passo-alto, assim como o movimento “balancé” (passo-recuo / recuo-passo).

 É sabido também que trabalhando de maneira correta em descidas e subidas, favorecemos o desenvolvimento da musculatura do cavalo, além do ótimo ganho de condicionamento cardio-respiratório.

 O cavalo deve ter o entendimento das ajudas, mantendo um bom contato, suave e macio. Ele não pode “pendurar-se” na mão do cavaleiro, senão a impulsão não consegue “passar pelo dorso” e chegar às mãos do cavaleiro. 

 Já a posição do cavaleiro em subidas e descidas torna-se naturalmente reclinada, para frente e para trás, a fim de manter-se alinhada ao centro de gravidade do cavalo. Nessa posição, o cavaleiro pode tornar mais fácil para o cavalo carregar o seu peso.  Além disso, em subidas ao dirigir o seu tronco para frente, o cavaleiro suaviza impactos e protege o dorso do seu cavalo.

 

Lembre-se que a intenção é sempre favorecer o cavalo. Ele não deve sair correndo em disparada morro acima. A ginástica descrita é controlada e objetiva melhorar a impulsão, dando força e poder de auto-sustentação e somente será considerada completa e eficaz quando favorecer tanto a parte física quanto a psíquica.

Ndzinji Pontes

Ndzinji Pontes

Cavaleiro angolano radicado no Brasil, titular da Coudelaria Função em Ibiúna, SP, é um dos mais respeitados treinadores de adestramento do Brasil, recebendo em seu centro de treinamento os mais importantes cavalos da modalidade no Brasil.

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