22-Set-2020 10:15 - Atualizado em 22/09/2020 11:33
Nutrição

A aveia na dieta equina

Cereal é rico em carboidratos, de fácil digestão e possui fibras solúveis e insolúveis que melhoram a resposta imune a infecções

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A alimentação equina, tal como conhecemos atualmente, surgiu do preceito da eficiência da nutrição em aperfeiçoar e manter o desempenho dos cavalos dentro de um objetivo (esporte, reprodução, trabalho, entre outros). Vários são os alimentos escolhidos pelos criadores, e que protagonizam a equideocultura de forma característica. Um importante cereal que participa da história da nutrição equina é a aveia. Ela tem sido considerada o grão preferido para cavalos ao longo dos anos e a sua aceitação se deve a vários fatores.
A aveia é uma fonte de energia rica em carboidratos, fornece amido de fácil digestão, possui ainda fibras solúveis e insolúveis, que correspondem a cerca de 11% do total de fibras na matéria seca. As fibras solúveis são as beta-glucanas que possuem diversas funções, sendo as mais relevantes a melhoria da resposta imune a infecções e a atenuação da resposta glicêmica e insulínica após alimentação. As fibras insolúveis correspondem à celulose, hemicelulose e lignina presentes na casca da aveia; essas fibras desempenham importante função no ceco e cólon do equino, sendo utilizadas como fonte de fermentação pelos micro-organismos residentes para formação de ácidos graxos voláteis (que são produtos da fermentação utilizados no metabolismo do equino como fonte de energia), auxiliando também na motilidade intestinal.

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Aveia branca e aveia preta: fonte de energia, mas que precisa de dosagem certa
Os tipos de aveia variam de acordo com a finalidade a que se destina, sendo na produção de grãos a mais comum a Avena sativa L. que é conhecida como aveia branca. A aveia amarela (Avena byzantina C. Koch), assim como a branca, são espécies de duplo propósito com produção de forragem e grãos; já a aveia preta (Avena strigosa Schreb) é empregada como pastagem, de forma isolada ou em consorciação com outras forrageiras. Quando comparada ao milho, a aveia possui entre 40 a 60% de amido, sendo o milho mais rico em amido com cerca de 70%, entretanto a digestibilidade do carboidrato da aveia é superior; segundo pesquisas científicas, o amido da aveia é três vezes mais absorvido que o do milho, quando se utilizam os grãos inteiros. Porém a aveia é pobre em carotenos, principalmente a vitamina A, sendo que, no milho, essa vitamina é presente em quantidade considerável para os cavalos.

Fornecimento da aveia

A porção de aveia a ser fornecida varia de acordo com a idade, categoria e peso do animal, também sua inclusão na alimentação dos cavalos deve compor a porcentagem apropriada ao concentrado, que geralmente corresponde a 40% da dieta, sendo o restante, 60%, pertencente aos volumosos (feno e/ou gramíneas frescas). Não há uma quantia preconizada de aveia para se oferecer aos cavalos, e dependendo da dieta, seu uso pode ser dispensado. Ao receber concentrado, feno e sal mineral de boa qualidade, e na quantia correta, dificilmente há necessidade de suplementação com outros alimentos ou agrados. Ainda assim, caso haja disponibilidade do criador em oferecer a aveia, a quantidade diária é calculada sobre o peso vivo do animal, podendo ser oferecida na quantidade correspondente a aproximadamente 0,7% do peso vivo.

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O grão não deve ser utilizado como única fonte de nutrientes para éguas prenhas e animais atletas, pois é deficiente em alguns nutrientes
Quando se oferece ração junto com a aveia, é importante que a porcentagem oferecida de ambas, somadas, não exceda 1,5% do peso vivo. É interessante lembrar que a aveia é rica em carboidratos, que, quando em excesso na dieta, podem gerar fermentação indesejada no trato digestivo, levando a ocorrência de distúrbios metabólicos. A inclusão da aveia na alimentação do equino precisa ser realizada de forma gradativa, aumentando-se a quantia aos poucos, sempre fracionando as refeições em duas a três vezes ao dia, visto que, sua inclusão na dieta de forma brusca e em quantidade considerável, pode causar desordens digestivas, como por exemplo, inapetência e diarreia. Ainda, esse grão não deve ser utilizado como única fonte de nutrientes para animais dentro de categorias com maior exigência nutricional, como éguas prenhas e animais atletas, pois é deficiente em alguns nutrientes, e sua relação cálcio:fósforo é desbalanceada. Entretanto, para cavalos em manutenção, mantidos sobre boas condições de pastagem, o uso da aveia e de sal mineral de boa qualidade pode constituir a dieta completa.
Geralmente, a aveia é fornecida inteira com casca, diretamente no cocho. Há no mercado alguns tipos de aveia disponíveis, sendo a mais comum e utilizada para cavalos a aveia achatada. Esse cereal deve ser fornecido seco; a umidificação do grão com água pode facilitar a fermentação e o aparecimento de fungos, caso haja sobra no cocho.
Na composição de rações, usualmente a aveia é empregada como fonte de carboidratos e fibras, porém sua relação custo/benefício, quando comparado ao milho, faz com que o grão de preferência na elaboração das rações seja o milho, ou eventualmente, o sorgo. Comumente a aveia é incluída nas rações na sua forma inteira (grão), sendo sua casca rompida (laminada) para expor o amido, aumentando sua digestibilidade, ou seja, o aproveitamento dos nutrientes da aveia. Seu valor nutricional, dessa forma, é incorporado ao valor nutricional total da ração, que deve ser balanceada, fornecendo aos equinos as quantidades ideais dos nutrientes exigidos para cada categoria.
Ao nutrir um cavalo, deve-se considerar sua fisiologia e conhecer suas limitações. Assim, o excesso de carboidratos, mesmo a aveia que é tão comum na equideocultura, pode representar riscos de ocorrência de desordens metabólicas. O ideal é sempre consultar um profissional nutricionista antes de qualquer introdução de novos alimentos na dieta. (Artigo publicado na edição 70 da Revista Horse)

Revista Horse
Sabrina Funari

Sabrina Funari

é Zootecnista graduada pela FZEA/USP
e-mail:[email protected]

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