14-Abr-2020 14:53 - Atualizado em 14/04/2020 17:44
Mercado

A EQUINOCULTURA BRASILEIRA no último quarto de século

Como o segmento equestre se desenvolveu nos últimos 25 anos com os números do "Estudo do Cavalo"

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Figura 1 – Brasil: evolução da renda apurada em leilões de cavalos, exceto raça PSI, no período de 1995 a 2015, em milhões de Reais de agosto de 2017. Fonte: DBO Editores Associados, deflacionado pelo IPCA.
Em 25 anos a economia mudou muito e o agronegócio do cavalo não ficou atrás. Quando a Revista Horse iniciou sua circulação, vivíamos época de hiperinflação. Em 1992, a inflação foi de 1.157,83% e, no ano seguinte, atingiu 2.708,17%, segundo a variação do IGP-DI. Mas havia semelhanças também. Há 25 anos o setor ainda se adaptava da crise da década anterior, quando o governo dos Estados Unidos (Ronald Reagan) havia provocado forte turbulência no mercado. Hoje, ainda nos ajustamos à crise da década anterior, iniciada com financiamentos no mercado imobiliário norte-americano. E o segmento da equinocultura soube e sabe reagir às crises. Para ilustrar, observe como os leilões se comportaram ao longo desse período na Figura 1.

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Tabela 2 – O Complexo do Agronegócio do Cavalo no BrasilFonte: Lima e Cintra (2017)
Se há 25 anos uma forte preocupação era com as práticas de contabilidade paralela, lavagem de dinheiro e outras práticas que maculavam leilões e os negócios no segmento, hoje a equinocultura é mais profissional, leilões mais transparentes e mais forte que eventuais casos que ainda carregam práticas inadequadas. Para ficarmos no âmbito da Polícia Federal, tão evidente na atualidade, pode-se discutir três operações. A Sangue Impuro, que focou nas operações de comércio internacional subfaturadas. Embora exportações e importações não sejam o destaque da equinocultura brasileira, o volume não foi impactado pela operação da Policia Federal. Outra operação de destaque, a Carne Fraca, impactou o setor de carnes. Num pais no qual 3,9 milhões de cavalos são de trabalho, o que afeta a bovinocultura afeta também a equinocultura. Também esse impacto foi absorvido sem maiores prejuízos pelo segmento equestre. E, a mais importante operação, a Lava Jato, deixou suas marcas. Diversos haras e planteis de cavalos eram e são de propriedade de empresas envolvidas na operação, ou de pessoas ligadas a ela. Houve liquidação de criatórios e algumas baixas, mas não o suficiente para apagar o bom desempenho do restante da equinocultura. Esta está mais forte e resiliente do que estava há 25 anos.

Mas a grande mudança veio dos centros urbanos. O forte crescimento de empreendimentos residenciais com hípicas ou facilidades próximas para prática equestre, trouxe o consumidor urbano para o agronegócio do cavalo, reforçando o crescimento das atividades de esporte e lazer. As provas, profissionais e amadoras, cresceram em quantidade e qualidade, com destaque para as raças que souberam aproveitar o bom momento, criando estruturas e instalações melhores para recepção de provas e organizaram eventos com profissionalismo crescente.

Geograficamente, o plantel reduziu sua concentração, embora Minas Gerais permaneça com destaque (ver Tabela 1). Destaca-se o crescimento da Região Centro-Oeste e a manutenção do Rio Grande do Sul na participação do plantel nacional, enquanto outros importantes estados reduziram sua fatia no efetivo nacional. 

Mas o grande destaque da equinocultura nesses 25 anos ocorreu no reconhecimento de sua contribuição ao país e a evolução do profissionalismo. Hoje, sabe-se que o agronegócio do cavalo contribui com, ao menos, R$ 16 bilhões da geração de renda anual no Brasil, proporcionando mais de 600 mil empregos diretos e mais de 3 milhões de ocupações diretas e indiretas, conforme pode ser visto na Tabela 2. 

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No campo profissional, não apenas as publicações científicas cresceram, mas seus eventos também. Reuniões como da Abraveq ou encontros de residentes como recentemente promovido pela Vetnil não eram imagináveis há duas décadas. Esta consolidação da equinocultura permitiu à Revista Horse  (agosto de 2018) atingir seus primeiros 25 anos. Apesar das crises, inevitáveis, o quadro atual permite otimismo quanto ao crescimento da equinocultura, desde que focada e atenta às mudanças e demandas da sociedade. O desafio atual, com importante reflexo econômico e social, é o foco no bem-estar animal. Eleger o bem-estar como prioridade é o que assegurará o crescimento sustentável da equinocultura para os próximos 25 anos e além... (Artigo publicado na edição 100, comemorativa aos 25 anos da Revista Horse

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Roberto Arruda

Roberto Arruda


é professor e pesquisador da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz)
e-mail:[email protected]

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