04-Mai-2020 12:17
Palavra do tropeiro

A influência da tropa na vida do criador

Os equídeos transformam a vida de seus proprietários e de suas famílias, agregando amigos e novas vivências

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Há muito tempo venho pensando de como a tropa mudou a vida da minha família, pois levávamos uma vida completamente diferente da atual, com hábitos tradicionais, como ir sempre ao clube ou a praia.
Uma vez constituída a família, depois dos primeiros ajustes na vida do casal, vem a ideia de ter filhos e eles normalmente aparecem. Com a vinda do primeiro, a rotina caseira passa a ser totalmente outra. A preocupação é com a saúde e depois com o desenvolvimento intelectual, que inclui a proteção contra os vícios. Meu pai dizia que a criança que cresce tendo que cuidar de um animal dificilmente tem desvios de conduta. Partindo dessa ideia, ele resolveu caprichar e escolheu logo um dos maiores, uma égua. Descobri que ele tinha razão e que seria de grande ajuda na criação de meus filhos também.
Por influência da infância e pelo prazer que sempre tive em viajar montado, resolvemos comprar uma potra e uma mula. Adquirimos uma propriedade rural e viramos criadores de Muares. A churrascada do final de semana mudou de endereço. Com as cavalgadas de final de semana e as romarias foram surgindo novos amigos. O criatório aumentou e o círculo de amizades também. Apareceram fornecedores, veterinários, jornalistas e clientes. Esse volume cresce diariamente e surpreendentemente grandes amigos acabaram engrossando a lista dos bons e velhos companheiros.

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Os Muares reúnem a família e amigos e possibilitam que as crianças vivam experiências únicas
Passados muitos anos podemos dizer que formou-se uma “Fraternidade Tropeira”. A dimensão territorial deste grupo, diferente de outros relacionamentos, que são tipicamente regionais, vai da Argentina à América Central. Além do aspecto territorial, outra característica é em relação à classe social. Convivem em harmonia desde pessoas simples até mega-empresários. Para uns, a sua mula é seu grande patrimônio. Para outros, a mula não faz a menor diferença nas suas posses. No entanto, todos são sinérgicos no amor que têm por seus equídeos. Não podemos esquecer, diferentemente do futebol, esporte praticamente masculino, que nas tropas temos uma grande participação das mulheres, inclusive como criadoras. Elas são tão importantes que aumentam gigantescamente o círculo de amigos, pois, normalmente, trazem consigo os filhos. Não é raro, pelo exposto, o surgimento de novas famílias.
Culturalmente, com esta variação gigantesca de realidades, aprendemos a conhecer coisas do mundo equestre que nem imaginávamos. Revemos nossos amigos, inclusive na televisão, pois em dia de leilão não tem futebol, novela e nem telejornal. Consequentemente, nossos assuntos são muito deferentes de brigas animalescas de gangues, banalidades sexuais ou ainda rolezinhos. Agradeço a equideocultura mundial por ter feito tantos e tão bons amigos. Mês que vem temos, nesta coluna, mais um encontro literário. Até lá! (Artigo publicado na edição 65 da Revista Horse)

 

Revista Horse
Martin Frank Herman

Martin Frank Herman

É proprietário do Criatório Campeãs da Gameleira e colunista da Revista Horse. E-mail: [email protected] 

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