28-Set-2020 11:39 - Atualizado em 28/09/2020 11:52
Veterinária

A micose nos equinos

Saiba mais sobre as micoses e como evitá-las

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Horse

A pele e os pelos são um revestimento do organismo do animal, formando uma barreira de proteção ao frio, ao sol e de contaminações externas. Também serve como termômetro de avaliação do estado de saúde do animal: quando ele está sadio, seu pelo brilha, é fino e macio; caso esteja doente, a pele perde elasticidade, descama e os pelos ficam sem brilho.
As dermatomicoses, popularmente chamadas de “tinha”, são responsáveis por uma afecção cutânea contagiosa causada por fungos que se alojam nos pelos e pele dos animais. Muitos desses fungos causadores de lesões em cavalos são transmissíveis ao homem, mais uma razão para redobrarmos a atenção nesses tipos de patologia.

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Os locais mais acometidos pelas tinhas são: cabeça, peitoral, pescoço, escápulas, costado, base da crina, garupa e dorso

Os fungos que causam essa enfermidade são Trychophyton equinum, T. quinckeanum, T. mentagrophytes, T. verrucosum, Microsporum equinum e M. gypseum. Os agentes podem viver em materiais em decomposição e no solo, assim como habitar os próprios animais. A contaminação ocorre por contato direto entre os animais, ou indireto, como ao compartilharem mantas, bacheiros, escovas, raspadeiras, peitorais e cabeçadas.

Outra forma de contaminação ocorre naqueles animais que vivem em regime de estabulação intensa, em baias úmidas e escuras, com cama alta e que possuam acúmulo de urina e fezes, além de capim velho e em decomposição.

Destaca-se como importante componente para instalação do processo infeccioso, o estado de higiene da pele e as condições de resistência do organismo que, ao se desequilibrarem, favorecem o desenvolvimento das lesões em pele e pelos.

As tinhas manifestam-se mais frequentemente durante as estações chuvosas e quentes, por propiciarem condições de temperatura e umidade ideal para a instalação e o desenvolvimento dos fungos.

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Os materiais podem ser pulverizados semanalmente, incluindo-se raspadeiras, escovas, mantas, peitorais, cabeçadas e barrigueiras, evitando que uma possível contaminação seja transmitida
Os locais mais acometidos pelas tinhas são: cabeça, peitoral, pescoço, escápulas, costado, base da crina, garupa e dorso. As lesões podem se encontrar superficiais ou profundas, e se iniciam como placas arredondadas (importante diferencial para outras patologias de pele), com pelos eriçados, e com a região dolorida ao toque. Na sequência, os pelos caem ou são facilmente retirados, deixando uma área de alopecia (ausência de pelos), acinzentada, com cerca de três cm de diâmetro, podendo variar de tamanho conforme o tipo de fungo envolvido. Algumas lesões podem desenvolver uma fina crosta. Raramente, as lesões são altamente pruriginosas, mas alguns animais podem apresentar uma ligeira coceira.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é baseado na apresentação macroscópica da lesão e pode ser confirmado através de raspado de pele da região afetada e sua observação ao microscópio, evidenciando a presença de esporos ou micélio do fungo.
Já o tratamento pode ser feito com pulverização tópica de medicamentos diluídos em água (banhos com agentes fungicidas), podendo ser utilizado thiabendazol 5%, iodophor 5% ou sulfato de cobre 1% a 3%, uma vez por semana, durante quatro semanas. Em casos de difícil cura, podem ser associados aos banhos aplicações de penicilina procaína sistêmica na dose de 20000 UI/kg, duas vezes ao dia por cinco dias. Ainda, ocorrendo contaminação bacteriana nas lesões micóticas, além de antibiótico sistêmico, é interessante aplicações tópicas de nitrofurazona solução, uma vez ao dia.

Prevenção

A prevenção e cuidado com os animais, utensílios e instalações são essenciais para reduzir a incidência da enfermidade. Dessa forma, deve-se também fazer a limpeza diária do ambiente e das baias, evitando o acúmulo de resíduos. Uma boa ventilação e insolação também ajudam minimizar as ações dos esporos. Os materiais utilizados também podem ser pulverizados semanalmente com as soluções descritas, incluindo-se raspadeiras, escovas, mantas, peitorais, cabeçadas e barrigueiras, evitando que uma possível contaminação seja transmitida aos outros animais. Após ducha e banho dos animais, aguardar até que o pelo esteja completamente seco para colocá-los de volta às baias e um último cuidado é manter os cavalos doentes isolados até a resolução do processo. (Artigo publicado na edição 73 da Revista Horse)

Revista Horse
Patricia G. G. Oliveira

Patricia G. G. Oliveira

Mestre e Doutora em clínica e cirurgia animal pela UNESP – Botucatu, especializada em acupuntura veterinária e responsável pelo Centro Equestre Equivila e-mail: [email protected]

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