12-Jun-2020 18:46 - Atualizado em 17/06/2020 15:33
Especial coronavírus

A praga da informalidade

Sem dados específicos do segmento, como ficam as perspectivas de retorno às atividades equestres

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Daniel Dias
A pandemia instalada no mundo decorrente do coronavírus está sob controle e até em declínio acentuado. No Brasil, porém, estamos no auge da disseminação. É indiscutível que estão usando a Covid-19 como palanque político, mas os dados estatísticos têm sido fundamentais para analisar o momento e as perspectivas de retorno das atividades. Como veremos a seguir, vários estudos e levantamentos apontam alguns caminhos, mas nenhum deles inclui o segmento equestre que, com toda sua potencialidade, ainda sofre com a “praga” da informalidade.

Está evidente que a economia já sofre as consequências, seja pelo impacto direto das medidas de afastamento social e paralisação das atividades impostas pelos governadores e prefeitos, seja pelo medo ou pela falta de perspectiva de uma vacina. Nesse sentido, os números têm desempenhado um papel importante para as projeções nos diversos setores produtivos. 

Um levantamento feito pelo Sindicato da Micro e Pequena Empresa do Estado de São Paulo (SIMPI), por exemplo, mostra com muita evidência o sentimento do empresariado para as próximas semanas, com relação ao impacto da Covid-19 na Economia (veja quando 1)

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Daniel Dias
Com a falta de otimismo e os efeitos financeiros da paralisação da economia, a primeira medida tem sido as demissões e ou redução da jornada de trabalho, com a redução dos salários atrelados a isso. Novamente, os números são impactantes. Segundo levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) e entidades de empresários, temos 3,1 milhões de pessoas afetadas pelo desemprego ou redução de jornada e salários apenas entre fevereiro e abril de 2020 (veja quadro 2)

A equinocultura brasileira é o “retrato” do Brasil. Inúmeros prestadores de serviço, que constituídos em Microempresas Individuais (MEI) se auto sustentam e geram empregos diretos e indiretos. Além de fazerem investimentos em eventos, exposições, provas, leilões tc. Obviamente que o suporte das atividades e do sistema de criação são respaldados pelas Associações de criadores e grandes empresas, que têm sua atividade garantida neste momento, pelo fato dos cavalos serem seres vivos que, independente da pandemia, precisam ser registrados, transferidos, alimentados, tratados com remédios, vacinas etc.

Flexibilização da quarentena

O elo da equinocultura que faz tudo acontecer são os eventos! Sejam eles provas, exposições, leilões, são eles que fazem com que cada prestador de serviço executem a maioria das suas atividades e gerem suas receitas. Neste sentido, como sendo medida essencial de combate à pandemia o afastamento social, o Sistema Único de Saúde-SUS tem trabalhado a política de isolamento como vermelho, laranja e verde, respectivamente alto, médio e baixo poder de contaminação/disseminação da doença. Veja a ilustração no início deste texto

Nossos eventos, nesta ilustração, se encaixam no risco das feiras-livres, onde existe aglomeração de pessoas ao ar livre. Descartado neste momento a flexibilização do isolamento social devido ao crescente número de novos casos, fica subtendido que não existe espaço para realização de provas, exposições e leilões. Nesse caso, temos visto importantes eventos serem cancelados e ou remarcados com datas a partir de setembro de 2020, quando supostamente estaremos em descenso de novos casos, caminhando para o controle da contaminação. Na contramão do achismo, entretanto, está a ciência, que vem determinando que a flexibilização aconteça seguindo alguns quesitos básicos, como ilustra o quadro 3.

Conclusões

Tenho a mais absoluta certeza de que vamos vencer esta guerra da saúde pública, mas ainda tenho receio da liberação de eventos como os nossos pela “guerra política” que estão fazendo. O setor da equinocultura não está sendo representado junto ao Conselho Econômico do Estado de São Paulo e nenhuma outra liderança do Brasil.  Alguém, por exemplo, tem os levantamentos dos impactos econômicos do setor equinocultura? Alguém sabe mensurar os quesitos estão sendo considerados acima, quando o tema é a equinocultura? Novamente reafirmo, a nossa informalidade já atingiu um tamanho que está nos prejudicando demais.

Lembrando ainda que em outubro deste ano teremos as eleições municipais, que representam aglomeração de pessoas. Ser contra as deliberações do Presidente, que implora pela flexibilização do isolamento social, pode representar ser aceito por uma fatia do eleitorado, que está descontente com o Bolsonaro. Isso realmente deixa o alerta vermelho ligado, incomoda, ao meu ver, demais o nosso segmento, que apoia o atual presidente em sua grande maioria. Estes próximos 30 dias serão cruciais para podermos sacramentar o comportamento da equinocultura no segundo semestre de 2020.

O certo é que nós iremos vencer o coronavírus! Enquanto isso, faça a sua parte, proteja-se. Vamos que Vamos! 

Por Daniel Dias, especial para a Horse
Daniel  Dias

Daniel Dias

é engenheiro agrônomo, sócio diretor da Agronomic Consulting, especializado em Análise de Mercado e Gestão de Empresas. Atua também como Comunicador do Agronegócio com comentários, artigos e palestras nos principais veículos de comunicação e eventos do agronegócio. Titular do Haras Arceburgo, cria cavalos Árabes desde 1989, raça da qual também é juiz oficial. Desenvolve pesquisas e estudos ligados à equinocultura de maneira geral.

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