04-Mai-2020 11:44
veterinária

Antibióticos

Devem ser usados com prudência, ou seja, somente quando o processo infeccioso for definitivamente identificado

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Desde a descoberta “acidental” da Penicilina por Fleming em 1929, o número de medicamentos antibacterianos aumentou consideravelmente, apresentando avanços científicos extraordinários.
A combinação de agentes infecciosos (vírus e bactérias) ligada a fatores predisponentes (estresse, condições ambientais, aglomerações populacionais e instalações) nos obriga a utilizar antibióticos poderosos e cada vez mais específicos, mas será que seria a única estratégia eficaz e mais segura como primeira barreira contra patologias infecciosas?
O objetivo da terapia com antibióticos é auxiliar o animal portador da patologia a eliminar organismos infecciosos sem causar toxicidade ao mesmo. Antibióticos são para agir contra bactérias, vírus e outros micro-organismos.
É importante ter consciência que os mecanismos de defesa naturais do animal são de importância primária na prevenção e no controle da infecção e retardá-los ou inibi-los é um erro.
A dificuldade de se controlar as infecções em animais com o sistema imunológico deficitário enfatiza que a terapia com antibióticos é mais efetiva quando esta suplementa os mecanismos de defesa endógenos, em vez de agir como principal meio de controle.
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A via que os antibióticos serão ministrados levam em conta características da doença, a duração do tratamento e, até mesmo, a aceitação do animal a este tratamento
É fator determinante que os antibióticos sejam usados com prudência, ou seja, somente quando o processo infeccioso for definitivamente identificado ou considerado como muito provável de estar presente, e a infecção poderá progredir sem a terapia clínica.
Os antibióticos não são isentos de um potencial tóxico ao animal e podem causar toxicidade direta ao portador da infecção. Também existe o perigo da interação tóxica com outros fármacos, interferência com efeitos deletérios a microflora nativa do animal, seleção e promoção de resistência ao fármaco, prejuízo aos mecanismos imunes ou de defesa do animal e reações de hipersensibilidade.
Longe de serem “semelhantes”, o modo de ação dos antibióticos diferem na maneira como atingem as estruturas das bactérias, se distribuem pelo organismo e dose necessária.
Certas moléculas do antibiótico agem sobre a membrana citoplasmática da bactéria, outras sobre o metabolismo do DNA (replicação) ou sobre a síntese protéica destes micro-organismos.
De acordo com o seu modo de ação, os antibióticos são bactericidas (eliminam, matam, as bactérias) ou bacteriostáticos (inibem o crescimento e proliferação bacteriana).
As regras que comandam a escolha de um antibiótico estão baseadas principalmente sobre considerações bacteriológicas (gram positivos ou negativos). Todos os antibióticos são naturalmente inativos sobre certos micro-organismos que não possuem seu alvo de ação, são praticamente específicos. Não se trata da “resistência bacteriana”, mas sim de uma não atividade eficaz sobre um ou outro agente bacteriano.
Em função disso e segundo as espécies microbianas existentes, se define o espectro de ação para um determinado antibiótico, é a gama de espécies microbianas na qual a maioria das cepas se mostram sensíveis, que determina o uso de um antibiótico. Este é o exame de antibiograma.
Conforme esta gama seja longa ou curta, diz-se que o antibiótico possui amplo ou pequeno espectro de ação. O uso indiscriminado e a grande difusão no uso dos antibióticos resultaram em outros problemas, tais como o surgimento de agentes resistentes aos antibióticos e o efeito do aumento nos custos dos tratamentos à medida que novos fármacos são desenvolvidos para agir contra os agentes bacterianos, se alongam os tratamentos e danos à saúde animal.
Os antibióticos não motivam as bactérias a se tornarem resistentes, mas seu uso seleciona as populações de bactérias resistentes, seleção natural.

Fatores que afetam a terapia com antibióticos

A cooperação do proprietário ou tratador é de extrema importância para que um tratamento dê certo. Cumprir horários, doses e vias de aplicação fazem parte essencial do tratamento prescrito. A autoprescrição é totalmente desaconselhável, o profissional veterinário é o único a saber qual prescrição e tratamento devem ser feitos.
Outros fatores são a susceptibilidade bacteriana, o quanto de micro-organismos é atingido pelo fármaco e se o mesmo os afetam. A distribuição do fármaco no local da infecção, o quanto do fármaco chega ao local de ação. E por fim, as condições ambientais favoráveis. Não adianta o tratamento, se o animal voltará ao ambiente que o deixou enfermo, seja por condições climáticas, nutricionais ou estresse.

Vias de administração

A via de administração é fator importante na eficiência do tratamento. Fatores que influenciam a seleção da via levam em conta as características da doença, a duração do tratamento e, até mesmo, a aceitação do animal a este tratamento.
Na administração tópica, o fármaco utilizado tem de alcançar uma alta concentração local, como nos casos de patologias oftálmicas, otológicas, dermoinfecções e feridas.
Com a administração oral, o tratamento requer do proprietário uma atenção especial, pois há fármacos com ação agressiva a mucosa gástrica, a interação com certos alimentos, principalmente oleosos, que reduzem o potencial de ação. Também deve-se prestar atenção ao aproveitamento, ingestão do fármaco, pois o animal pode “babar” ou vomitar parte do fármaco, dependendo do estado de saúde que se encontre.
Já a administração parenteral não é tão vantajosa, mas é recomendada em pacientes inconscientes, tratamentos que requerem resposta rápida ou animais que não aceitam outras vias por vontade própria, têm presença de êmese (vômitos) ou debilidade na função oral. Aplicação intramuscular, subcutânea e endovenosa são exemplos desta via.
A dosagem e frequência da administração, bem como a duração do tratamento, dependem do modo de ação do fármaco na susceptibilidade do patógeno e local da infecção. Outro fator que se leva em conta é a imunocompetência do animal, o quanto o sistema imune do animal consegue responder à presença da infecção.

Tratamentos adjuvantes

Muitas infecções bacterianas não causam apenas um efeito ou sintoma específico, atingem o organismo como um todo, provocando diversas reações, o que permite o uso de outras classes farmacológicas para maximização do tratamento e um suporte mais eficaz à saúde do animal.

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A fluidoterapia corrige o equilíbrio ácido-base, a deficiência na perfusão tecidual e na recuperação
A fluidoterapia corrige o equilíbrio ácido-base, a deficiência na perfusão tecidual e na recuperação da desidratação e manutenção do paciente durante a terapia.
Acidificação ou alcalinização do meio, a modificação do PH urinário, é usado quando a infecção é na via urinária, por exemplo.
Antipiréticos, já que as defesas do organismo muitas vezes causam febre e desconforto no animal. Mas neste caso deve ser usado com cautela, pois pode mascarar os sintomas da doença e dar a falsa impressão da melhora da infecção.
Como os antipiréticos, os anti-inflamatórios devem ser usados como terapia auxiliar, mas estes com mais cuidado ainda, pois além de mascararem os sintomas, podem suprimir o sistema imunológico do animal. São muito úteis para terapia tópica (olhos e feridas).
A cirurgia, procedimento drástico, mas algumas vezes necessário, é usada para restabelecer uma drenagem tecidual ou até mesmo a retirada de tecidos infectados ou necróticos, quando a terapia com antibióticos não é mais eficaz.
O uso em quimioterapia, onde este terapêutico antibacteriano age no DNA celular, impedindo a replicação das células tumorais. Cuidado ao efeito colateral, a imunossupressão.

Antibióticos naturais

As terapias com homeopatia e fitoterapia (através do princípio ativo das plantas) são eficazes, econômicas, possuem facilidade de encontrar seus agentes e não causam, em sua maioria, efeitos colaterais. Não irei citar exemplos para não provocar uma autoprescrição por parte dos proprietários, mas um veterinário especialista na área, navega com êxito entre a gama de possibilidades que se tem em mãos.
Um agente fitoterápico ou homeopático não substitui um terapêutico alopático (químico), pois algumas vezes os micro-organismos e a extensão da infecção estão avançados, podem ser usados concomitantemente com os mesmos para melhorar a resposta endógena do animal. São também um instrumento alternativo contra a resistência bacteriana, uma vez que mais e mais bactérias apresentam resistência a certos antibióticos químicos. (Artigo publicado na edição 65 da Revista Horse)

Revista Horse
Taciano Couto Guimarães

Taciano Couto Guimarães

é veterinário, formado pela UFMG, especializado em plantas medicinais pela UFLA, clínico veterinário e terapeuta floral para animais

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