06-Jan-2022 15:28 - Atualizado em 06/01/2022 16:37
Polêmica

Austrália quer matar 10 mil cavalos

Plano aprovado pelo governo de Nova Gales do Sul revolta grupo formado para defender os cavalos selvagens da região

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Expectativa é que a tropa cresça ainda mais em 2022, chegando a 20 mil animaisreprodução

O assunto já vem gerando polêmica desde que foi aventado pela primeira vez há cinco anos, mas desta vez está caminhando para um desfecho trágico. No final de 2021, o governo de Nova Gales do Sul, na Austrália, aprovou um plano para abater cerca de 11 mil cavalos selvagens do Parque Nacional Kosciuszko. O objetivo é deixar apenas 3 mil animais  de um plantel hoje estimado em 13.380, o que representa 20% do total existente hoje. Mesmo assim, um grupo de cientistas alega que a medita seria insuficiente, pois os animais remanescentes continuariam a prejudicar, com seus "cascos duros", a vegetação e paisagem da região, com ecossistema formado para cangurus e coalas.

Os promotores deste plano de gestão de cavalos selvagens alegam que os atuais 14 mil cavalos selvagens são uma "espécie invasora", sem predadores na região, que representam uma ameaça para o ecossistema. Um dos defensores do plano é o professor Jamie Pittock, da Universidade Nacional Australiana. “A menos que seja controlada, esta população de cavalos vai provocar danos ambientais incalculáveis. As plantas e os animais da Austrália evoluíram ao longo de centenas de milhões de anos sem serem esmagados por animais de 400 quilos. Ninguém gosta de abater cavalos, mas infelizmente essa é a melhor das piores soluções”, garante o professor.  Entre as espécies do ecossistema local ameaçadas pela proliferação de equinos estão os peixes-galáxia, os sapos-assobiadores, os caranguejos-de-Riek e os ratos-de-dentes-largos, entre muitas outras espécies nativas. 

Defensores

A condenação dos cavalos à morte não é consensual. Após a apresentação no final de novembro do controverso plano de gestão dos cavalos selvagens no parque de Kosciuszko, em meados de dezembro foi lançada uma campanha de proteção dos “brumbies”, como é conhecida esta espécie equídea que se tem desenvolvido livremente na Austrália.

O grupo “Advocating for Australian Brumbies” (“Defendendo os ‘brumbies’ australianos”) pretende proibir o abate a tiro dos animais e impor o respeito pelas normas do regulador nacional para a gestão animal. O grupo sugere antes um plano de deslocamento dos cavalos com recompensas para quem aceitar acolher os animais.

Proliferação

Por outro lado, há também quem defenda a ideia de que o sacrifício de 10 mil cavalos não vai resolver o problema do Parque Nacional Kosciuszko. De acordo com uma carta aberta enviada ao ministro de Meio ambiente de Nova Gales do Sul, Matt Kean, no final do mês passado. um grupo de 15 cientistas e 69 pesquisadores argumenta que o plano governamental recente de sacrificar 10.000 cavalos selvagens não é suficiente, já que ainda permitiria que 3.000 cavalos habitassem um terço do parque.

Segundo eles, esses cavalos continuariam ameaçando às espécies em perigo de extinção e à ecologia local em seu conjunto, argumentam os cientistas. "Kosciuszko não vai começar a se recuperar da seca, dos extensos incêndios florestais e da pastagem excessivo se, como se propõe atualmente, ficarem 3000 cavalos selvagens", diz a carta, escrita em nome da Academia Australiana de Ciências.

O grupo de cientistas pede ao governo que, para proteger as plantas nativas, os animais e o ecossistema local dos brumbies, reduza rapidamente o número de cavalos selvagens muito abaixo do objetivo preliminar de 3.000 mediante o uso de todos os métodos disponíveis que sejam efetivos, e que o faça de acordo com as normas de bem-estar animal.

Os cientistas querem que a totalidade, e não dois terços, do Parque Nacional Kosciuszko fique protegido dos cavalos selvagens. Para isso, também estão pedindo ao governo que revogue a Lei Kosciuszko do Patrimônio de Cavalos Selvagens de 2018, que é um impedimento legal para o gerenciamento efetivo de parques nacionais baseada em provas, e entra em desacordo com a Lei de Parques Nacionais e Vida Silvestre de 1974.

Entre tanta polêmica, também estuda-se a possibilidade de desenvolver campanhas de esterilização periódicas para controlar a população. O ideal seria fazê-lo em vez de matá-los, mas com um número tão grande a medida não salvaria o parque e as espécies nativas. O assunto ainda deve render muita discussão entre os australianos.

VEJA ABAIXO VÍDEO (em inglês) SOBRE A POLÊMICA

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