18-Set-2018 14:11 - Atualizado em 18/09/2018 19:46
WEG 2018- Tryon (EUA)

Brasileiro Rodolpho Riskalla é Prata no paraequestre Grau 4

Montando Don Henrico, paratleta ganhou primeira medalha brasileira na categoria Grau 4 nos Jogos Equestres Mundiais

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O paratleta brasileiro Rodolpho Riskalla ganhou, no final da manhã desta terça-feira, 18, a medalha de Prata brasileira no FEI World Equestrian Games (WEG) 2018, em Tryon, na Carolina do Norte. Montando Don Henrico, na categoria Grau 4, Riskalla fez uma boa prova e ficou com a nota de 73,366, atrás apenas da holandesa Sanne Voets,montando Demantur N.O.P., com 73,927. O Bronze ficou com o dinamarquesa Susanne Jensby Sunesen , montando CSK's Que Faire, com 73,146.  Riskalla competiu com 12 atletas e foi a primeira medalha brasileira nos Jogos Equestres Mundiais deste ano, muito comemorada nos bastidores do Centro Equestre Internacional de Tryon (EUA).

Na Zona Mista do Centro Equestre Internacional de Tryon, Riskalla atendeu a imprensa internacional, já emocionado com a possibilidade de medalha. À reportagem da Horse, comentou que sentiu seu cavalo um pouco tenso no começo da prova, mas que aos poucos foi relaxando. " A preparação que a gente fez deu certo e ele foi superbem, fez uma ótima prova e fiquei muito contente", disse, destacando que o calor e a umidade em pista dificultaram bastante. " A gente que é brasileiro até está acostumado com o calor, mas a umidade dificulta bastante", comentou Riskalla, que volta à pista na próxima quinta-feira, para novas disputas.

História de superação 

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Rodolpho Riskalla
Estreante em Jogos Equestres Mundiais, Riskalla competia no Hipismo Adestramento desde os oito anos, incentivado e treinado por sua mãe, a juíza e treinadora Rosangele Riskalla. Bicampeão Sul-americano, tricampeão Brasileiro e único atleta do país em uma F.E.I. World Breeding Dressage Championships for Young Horses (2013), Riskalla sonhava em integrar a equipe brasileira nos Jogos do Rio 2016. Conseguiu, mas na Paralimpíada, em uma historia de coragem e superação.

Depois de passar temporadas na França e na Alemanha em busca de aperfeiçoamento técnico, em 2015 Riskalla se estabeleceu em Paris. No mesmo ano, precisou voltar ao Brasil em razão do falecimento de seu pai, e duas semanas depois contraiu meningite bacteriana. A luta pela vida foi intensa, inicialmente fazendo tratamento em São Paulo e depois em Paris, onde teve que amputar a parte inferior das duas pernas, a mão direita e parte dos dedos da mão esquerda.

A enfermidade não o abateu e apaixonado por cavalos e o Adestramento reaprender a andar e voltou a montar, menos de um ano após ter contraído a doença. Era início de 2016 e o sonho olímpico voltou forte. Participando de seletivas na Europa, Rodolpho Riskalla conquistou vaga no Time Brasil Paraequestre na Paralimpíada do Rio 2016, terminando em 10º lugar no então Grau III, hoje Grau IV.

No final de 2016, Rodolpho conquistou o FEI Awards, categoria Against All Odds (contra todas as adversidades) promovido pela Federação Equestre Internacional e entregue em novembro, em Toquio.

Ao longo de 2017 e 2018, o cavaleiro abraçou outro desafio: representar o Brasil nos Jogos Equestres Mundiais de Tryon, onde os tops de oito modalidades se encontram. Passou a dividir o tempo entre a Dior, empresa onde trabalha, e os treinos no Polo de Paris, contando com o apoio da mãe Rosangele e da irmã Victoria, também amazona de Adestramento, desta feita montando Don Henrico, hannoveriano cedido por sua amiga e patrocinadora, a amazona olímpica alemã Ann Kathrin Linsenhoff. Não demorou para este paulistano de 33 anos conquistar os índices estabelecidos pela Federação Equestre Internacional (FEI) e Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), além de títulos como de campeão do Concurso Paradressage Internacional de Mannheim e de vice-campeão do CDI - Concurso de Adestramento Internacional Wiesbaden, ambos na Alemanha, além de vice no CDI Le Mans, na França.

O cavaleiro também está convocado para Campeonato Sul-Americano Senior de Adestramento, válido como qualificativa técnica para os Jogos Pan-americanos 2019, entre 21 e 25/11, em Buenos Aires.

Medalhista olímpico em pista

Outro atleta que competiu nesta terça-feira, 18, foi Marcos Fernandes Alves, o Joca, que montando Vladimir representou o Time Brasil Paraequestre no Grau II, registrando 64,412% de nota média final e o 6º lugar na disputa que reuniu nove atletas de nove países.

O brasiliense que completa 57 no próximo domingo, 23, e treina no Centro Hípico Gama, de sua propriedade, vem representando o país desde que o Adestramento Paraequestre passou a fazer parte dos Jogos Equestres Mundiais em 2010, em Kentucky. Contabilizando participação em Paralimpíadas desde Atenas 2004, Joca conquistou duas medalhas de bronze (provas técnica e estilo livre) nos Jogos de Pequim 2008 e o 7º lugar no Paralímpico do Rio 2016. Entre outras conquistas, foi 4º por equipe e no individual da prova técnica no Campeonato Mundial Paraequestre 2007 em Hartpury, Inglaterra, ouro na prova técnica e no estilo livre e prata por equipe no Parapan de Mar Del Plata 2003, na Argentina.

Próximos desafios

Nesta quarta-feira, 19, o Brasil volta a disputar medalha na prova técnica com dois representantes no Grau I: Vera Lúcia Martins Mazzilli montando Ballantine e Sérgio Fróes Ribeiro de Oliva com Coco Chanel M.

Oliva, brasiliense de 36 anos, que está competindo pela terceira vez em Jogos Equestres Mundiais, trás na bagagem várias conquistas, entre elas duas medalhas de bronze (prova técnica e estilo livre) no Paralímpico do Rio 2016 e a faixa de Campeão Mundial 2007 em Hartpury, Inglaterra (ouro na prova técnica e bronze no estilo livre).

Com 67 anos e a amazona com mais idade entre os atletas paraequestres em Tryon, Vera Lúcia Martins Mazzilli compete pela terceira vez nos Jogos.

Na quinta-feira, 20, Rodolpho Riskalla e Marcos Fernandes Alves voltam a competir com resultados válidos para definição por equipe; o mesmo acontecendo na sexta-feira, 21, para Sérgio Oliva e Vera Mazzilli. No sábado, 22, os quatro brasileiros retornam à pista para a disputa de medalha individual do Estilo Livre. Os atletas são são avaliados e divididos para competir nos grau I, II, III, IV a V (maior ao menor grau de comprometimento físico)

Veja as fotos exclusivas da Revista Horse abaixo:

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Revista Horse/assessoria CBH
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