06-Jan-2021 13:36 - Atualizado em 13/01/2021 11:28
Odontologia

Cabresto de nó pode causar ferimentos

Acessório pode machucar a parte interna da boca do animal e causar grande dor

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Quando falamos em “Odontologia Equina”, logo vem em mente os dentes dos cavalos, mas não é só isso! Existe todo um sistema envolvido, chamado “estomastognático”, que envolve ossos, músculos, articulações, tecidos moles e todas as estruturas relacionadas à cavidade oral e na mastigação.

Neste artigo vou falar de um dos problemas que há muito tempo passa despercebido por treinadores e cavaleiros: “os ferimentos causados pelos cabrestos de nós”.
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Ferimentos feitos pelo nó do cabresto na parte interna da boca do cavalo
Em meus cursos sempre falo sobre os ferimentos causados pelos nós dos cabrestos no lado interno das bochechas dos cavalos, para que eles levem as informações a campo, nos haras e centros de treinamentos. No momento da confecção do cabresto de nó, o artesão busca a simetria entre a distribuição dos mesmos e uma boa aparência do equipamento. Então, é neste ponto que os nós ficam sobre os dentes das arcadas superiores, fazendo um sanduíche de bochecha, sendo de um lado o nó e do outro as pontas dos pré-molares e molares superiores. O contato do nó gera incômodo e desconforto até mesmo nos animais mais dóceis, que não reagem contra o cabresto.

Esse problema pode se agravar e formar um grave ferimento em um ato de estiramento do animal quando estaqueado ou durante uma cavalgada ou treinamento, pois nestas atividades utiliza-se a cabeçada e, às vezes, ainda com fechador de boca, justamente sobre o nó, fazendo uma pressão muito maior e intensa sobre eles, ferindo ainda mais o lado interno das bochechas. 
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Cabresto de fita sem saliência: risco muito menor de ferimentos
A reação do animal em relação a este ferimento é de muita dor, incômodo e desconforto, é comum o animal ficar com a cabeça movimentando inquietamente para cima e para baixo ou para um lado e para o outro e também puxões nas rédeas durante a cavalgada ou treinamento. Estes comportamentos são reconhecidos e identificados erroneamente pelos treinadores e cavaleiro como hábitos de mal comportamento do animal em vez da dor. 

Existem cabrestos de fitas de nylon, couro e diversos outros tipos que não são salientes nesta região dos dentes e estes são seguros e não machucam a boca em um caso de estiramento ou equitação.

Em treinamento e competições, nos quais o cavalo fica dentro de uma pista ou picadeiro, o uso do cabresto normalmente é dispensado, mas nos animais de cavalgadas, além de servir para contenção durante as paradas e condução em alguns trechos a pé também é um importante item de segurança em varias situações. (Artigo publicado na edição 83 da Revista Horse)

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Revista Horse 83
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Ciro P. M. Franco

Ciro P. M. Franco

é médico veterinário, especializado em odontologia equina trabalha com atendimentos odontológicos clínicos e cirúrgicos, ministra cursos e palestras e também atua no projeto de desenvolvimento de equipamentos para odontologia em cavalos

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