16-Jan-2018 11:46 - Atualizado em 16/01/2018 17:37
Aniversário

CCG comemora 20 anos

Criatório Campeãs da Gameleira, de Itapetininga (SP), completa segunda década como um dos melhores produtores de jumentos e muares do País 

muladeiros, 2018, imprensa,
Muladeiros

edição 98, edições,
Edição 98
O Criatório Campeãs da Gameleira, de propriedade de Martin Frank Herman, comemorou, no dia 14 de janeiro, os seus 20 anos de fundação. Fundado em 1998 em Itapetininga, interior de São Paulo, o CCG é um dos criatórios de jumentos e muares mais tradicionais do Brasil. Em 2014 e 2017 conquistou os títulos de Melhor Expositor e Melhor Criador da raça, na Exposição Nacional do Jumento Pêga (Enapêga), tradicional prova realizada no parque da Gameleira, em Belo Horizonte (BH). 

Ao longo de sua história, o CCG conquistou vários outros títulos e hoje é referência mundial na produção de jumentos e muares, com títulos inclusive internacionais. O principal responsável por essa ascensão é o proprietário Martin Frank Herman, estudioso da raça e de animais marchadores, e colunista da Revista Horse e do quadro "Palavra do Tropeiro", da Revista Horse TV, exibida pelo TV Jockey.

Veja abaixo a reportagem sobre a história do Criatório Campeãs da Gamaleira, publicada em agosto de 2017 na Revista Horse:

DO TROPERISMO À ELITE EQUESTRE

Como o Criatório Campeãs da Gameleira transformou o mercado de asininos em um negócio profissional e de projeção internacional

Já não é de hoje que o mercado de asininos – jumentos e muares - brasileiro deixou o ambiente restrito da roça e vem se destacando dentro do segmento equestre. Qualquer um com um pouco de familiaridade com o meio sabe o quanto estão valorizados os jumentos e seus produtos frutos de cruzamentos com éguas, burros e mulas, animais híbridos (sem capacidade de reprodução), cujo valor está restrito à sua atividade em vida, seja no trabalho, lazer ou competições em provas de pista. Atualmente há jumentos, burros e mulas comercializados nos mesmos patamares de cavalos de hipismo clássico, com valores que passam com frequência da casa dos R$ 100 mil reais. Isso sem dizer dos casos mais extremos, com animais vendidos a R$ 300 mil ou mais.

Essa ascensão comercial, entretanto, não veio por acaso. É fruto de investimentos e de um mercado forjado por criadores que viram na natural paixão pelos bichos um nicho de mercado que poderia ser aprimorado e aperfeiçoado, nos mesmos padrões de criatórios tradicionais de cavalos de raça.

Um dos pioneiros nessa leitura de mercado foi o empresário Martin Frank Herman, proprietário do Criatório Campeãs da Gameleira, em Itapetininga, interior de São Paulo, e hoje um dos maiores criadores de jumentos do Brasil. Herman, como é conhecido, conseguiu criar uma marca tão forte que dificilmente alguém pode falar em negócio de jumentos no Brasil sem citar o seu nome.

edição 98, edições,
Edição 98
Conquistas

A qualidade do que realiza no criatório do interior de São Paulo também é reconhecido pela ABCJPêga, entidade de studbook que está completando 70 anos de atividade. Na EnaPêga 2017, Exposição Nacional realizada no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), o Campeãs da Gameleira conquistou seu bicampeonato como Melhor Criador e Melhor Expositor, repetindo o feito inédito de 2014, depois de dois anos longe das pistas. Junto, vieram vários títulos de categorias, seja de animais que continuam sob sua propriedade ou que já foram comercializados, mas carregam o sufixo de sua criação.

As conquistas em pista são apenas a confirmação da qualidade dentro dos padrões genéticos da raça. É no mercado, propriamente dito, que Herman e os produtos do Campeãs da Gameleira ganham maior ressonância, com repercussão inclusive internacional. Já há alguns anos seu criatório é procurado por compradores de vários países da América Latina e EUA. Em 2006, chegou a ser reconhecido como o maior criador de jumentos e muares do mundo.

Seu trabalho lhe rendeu notoriedade em território nacional. Em 2005, foi convidado pela Rede Globo a integrar a comitiva que refez a trajetória que trazia tropas do extremo Sul do país ao Sudeste, no projeto que ficou conhecido como a “Tropeada do Globo Rural”. Foram 66 dias de estrada, que renderam uma série de 12 programas televisivos e viraram uma coleção de DVDs, além de um livro, Diário da Tropeada, do jornalista José Hamilton Ribeiro.

Os estudos e as experiências práticas na criação de jumentos e muares também renderam ao criador novas experiências e a possibilidade de compartilhar conhecimento com demais criadores, apaixonados e simpatizantes da raça. No início de 2000, manteve por mais de 10 anos um programa na TV Jockey, no qual comentava aspectos históricos e dicas no processo de criação e manejo. Desde agosto de 2012, passou a assinar a coluna “Palavra do Tropeiro” na Revista Horse, que mantém até hoje. A coluna agora também é um dos quadros do programa Revista Horse TV, em exibição na TV Jockey, aos sábados, após as corridas.

Herman também é frequentemente chamado para participar de palestras, debates e simpósios em universidades, sempre abordando temas históricos e do desenvolvimento do mercado de asininos, quase sempre com opiniões contundentes.

A criação

O sucesso e projeção do Criatório Campeãs da Gameleira em âmbito nacional e internacional têm algumas peculiaridades. Empresário do ramo químico de produção de ceras, Martin Frank Herman levou para a fazenda a mesma disciplina que rege os negócios, com estrutura empresarial, alinhado a planejamento estratégico e produtos de qualidade. Implantou um sistema de criação jumentos e muares nos moldes dos haras de primeira linha.

Até hoje o criatório mantém um padrão de alto nível no tratamento e cuidado com os animais. Uma equipe de sete funcionários administra uma tropa com mais de 200 animais, que consome ração de qualidade, boa pastagem e todos os cuidados que demandam uma tropa produtiva. Na casa, nascem anualmente cerca de 40 produtos, entre jumentos, muares e equinos.

Foi na seleção de produtos para formar a base da tropa que surgiram as principais inovações do segmento. Quando adquiriu o patriarca da casa, Juazeiro do Paschoal, em 1999, recebeu críticas de que “aquilo era jumento de jumenta, não de égua”. A resposta veio no mesmo tom, com outra pergunta: “Como é que vou fazer a evolução da raça Pêga se não acasalar nossos melhores jumentos com éguas de elite?”, respondeu, referindo-se ao período em que o objetivo principal era produzir muares maiores, mais vistosos e de andamento cômodo aprimorado.

Inicialmente, a estratégia foi justamente usar Juazeiro, penta grande nacional, em éguas campeãs nacionais em andamento. Logo em seguida, Juazeiro, juntamente com Licor do Campo Novo e Ianque da Vale Verde, todos grandes campeões nacionais, passaram a cobrir jumentas de qualidade. Ianque, aliás, veio por meio de uma parceria com um dos grandes especialistas do segmento, Astolfo Rodrigues Vale Filho.  “Foi uma grande parceria, porque ele tinha excelentes matrizes e ajudou muito no formação e aprimoramento da tropa”, lembra Herman.

A aposta foi confirmada com os primeiros produtos levados às exposições. “Ganhamos tudo, de mamando a caducando”, lembra o criador, destacando que, a partir de então, muito criadores perceberam que estavam perdendo nicho de mercado e começaram a correr atrás.

A iniciativa também chamou a atenção da imprensa, que passou a ver o mercado de jumentos e muares sob outros aspectos. A Revista Horse, à época já um referencial de mercado, foi um dos primeiros órgãos de imprensa a evidenciar a guinada que começava a se desenhar.  Pela primeira vez na história, uma revista equestre estampou uma mula na capa, Araponga da Gameleira, com o título “O Fim do preconceito”, mostrando a ascensão do processo produtivo e no mercado como um todo. Outro animal importante nessa trajetória foi a mula Manchete, que por seguidos anos ganhava quase todas as provas de marcha em vários pontos do Brasil.

Mercado em alta

A essa altura ficava cada vez mais evidente que jumentos, burros e mulas não eram animais “indomáveis”, “agressivos” e outros adjetivos pejorativos que faziam parte da “cultura popular” à época. Da mesma forma, a produção de muares com qualidade morfológica e andamento confortável ganhava cada vez mais mercado, trazendo na bagagem toda a cultura tropeira, com tralhas, fogo de chão e toda a indumentária que fez muita gente da cidade, entre empresários e doutores, assumirem o velho chapéu de palha e a identidade com os costumes da roça.

Paralelamente, começaram a se fomentar as provas de marcha de muares, reunindo cada vez mais participantes em uma escala de crescimento contínuo até os dias atuais. Hoje, qualquer campeonato regional - e são muitos -reúne fácil mais de 100 inscrições, números que deixaram para trás muitas raças de cavalos tradicionais.

A valorização na comercialização veio na mesma toada. Atualmente burros e mulas jovens começam com um patamar de preço em torno de R$ 10 mil e não é difícil ouvir que determinada mula ou burro de pista foi vendido por cifras na casa do R$ 150 mil, chegando a R$ 300, ou mais. A regra é a mesma do mercado de equinos de forma geral: quem gosta, quer e pode, paga! Com um detalhe: o mercado tem liquidez.

Investimentos

Com o mercado aquecido é preciso também manter os investimentos. “O aperfeiçoamento genético é um processo contínuo, nunca para”, afirma Herman, que acaba de adquirir uma nova tropa de éguas mangalargas de primeira linha para compor o plantel, do qual já fazem parte os grandes campeões de pista Juazeiro do Paschoal, Itarantim da Gameleira e Japurá da Gameleira, entre outros.

A estratégia continua a mesma do início da criação: jumentos campeões com éguas de primeira linha. O detalhe são as escolhas pessoais, onde se busca cruzar animais de andamento marchado mesclando características e particularidades individuais.

  

 

       

 

Revista Horse
Deixe seu Recado