31-Jul-2020 09:47 - Atualizado em 03/08/2020 16:46
Veterinária

Chegada do frio aumenta casos de Garrotilho

Animais suspeitos e doentes devem ser tratados em tempo hábil, para que a doença não se espalhe no plantel ou se torne fatal

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Com a chegada dos meses mais frios do ano, uma doença que volta a chamar a atenção é a Adenite Equina ou Garrotilho, como é mais conhecida. Essa doença é transmitida por bactérias e é muito contagiosa. Causada pelo Streptococcus equi subespécie equi, culmina em uma inflamação muco purulenta do trato respiratório superior dos equinos, podendo acometer animais de todas as idades em ambos os sexos, porém, mais predominantemente nos animais jovens.
O Garrotilho causa vários transtornos, podendo levar os animais à morte, caso as medidas terapêuticas e profiláticas não sejam adotadas em tempo hábil. Segundo a instrução normativa n° 50, de 24 de setembro de 2013, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, todos os casos confirmados da doença devem ser notificados – obrigatoriamente – mensalmente à defesa sanitária estadual.

Transmissão da doença

O Garrotilho ataca, em especial, animais novos, de seis meses a cinco anos, porém ocorre também em adultos. A doença é altamente contagiosa e surge, normalmente, em locais de grande agrupamento de animais, pois o microorganismo é facilmente transmitido através de bebedouros e comedouros de uso comum, além dos objetos da lida diária contaminados (fômites), mas a maioria dos contágios é feita pela invasão do organismo animal com os alimentos e água contaminados com o muco nasal do animal doente.
Há animais resistentes, os portadores, que não apresentam sintomas da doença, mas a disseminam facilmente, dando origem aos surtos inesperados. Por isto, os animais doentes e/ou suspeitos precisam ser identificados, isolados e tratados o mais rápido possível.

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A doença é altamente contagiosa, pois o microorganismo é facilmente transmitido através de bebedouros e comedouros de
O período de incubação vai de quatro a 10 dias, após o contágio do animal doente ou portador, culminando em supuração do abscesso no 14° dia, quando não tratado. Começa com inapetência, abatimento e febre alta em torno de 40 a 41ºC, respiração difícil e acelerada, tosse, mucosas avermelhadas, surgindo depois de dois a três dias uma descarga muco purulenta e depois bem purulenta, pelas narinas.
A tosse pode perdurar por várias semanas em alguns casos. Os gânglios da face apresentam-se aumentados de tamanho, endurecidos, quentes e doloridos, transformando-se depois em abscessos que supuram e libertam pus amarelo de consistência cremosa. A morbidade é alta, ou seja, a capacidade de infestação da doença de animal para animal, é próxima de 100%, porém a mortalidade é baixa, cerca de 2 a 3%, mas isto quando as medidas terapêuticas apropriadas são adotadas em tempo hábil. Estes sintomas são clássicos do Garrotilho, embora animais mais velhos possam não desenvolver abscessos em consequência de uma prévia infecção pela bactéria S. equi subsp. Equi.
Em quase todos dos casos, os abscessos nos linfonodos dificultam a respiração do animal acometido e, às vezes, podem asfixiá-lo, daí o nome garrotilho (“garroteado”). Demais complicações podem surgir como a pneumonia e a septicemia.

Diagnóstico e prevenção

O diagnóstico é feito por meio do quadro clínico e sua confirmação através do isolamento da bactéria S. equi subsp. equi, pela pesquisa da secreção nasal purulenta ou do conteúdo de abscessos, coletado com o auxílio de swab nasal e conservação sob refrigeração até o momento da análise. Pode ser realizado também a técnica de Reação em Cadeia de Polimerase (PCR), que detecta o agente vivo ou morto. A técnica de ELISA também pode ser utilizada na busca de anticorpos contra a bactéria em questão.
A letalidade dessa doença é baixa, mas pode levar a óbito por complicações como o Garrotilho bastardo que se caracteriza pela disseminação dessa bactéria para outros linfonodos do organismo, dando origem a abscessos em qualquer região do corpo, mais frequentemente nos pulmões, no mesentério, no fígado, no baço, nos rins e no cérebro, sendo que se houver a ruptura, resulta em uma infecção generalizada e, consequentemente, leva a morte.
A púrpura hemorrágica que possui a característica de uma vasculite aguda imuno-mediada que ocorre, na maioria das vezes, em animais convalescentes do garrotilho, devido à precipitação de imunocomplexos nos capilares, que são formados por anticorpos e frações da bactéria, resultando em severo edema nos membros, cabeça e em outras regiões do corpo. O empiema das bolsas guturais que pode ocorrer durante o curso clínico da doença ou no período de convalescência da adenite equina. A persistente infecção dessas bolsas pode levar à aspiração de pus e, as vezes, até à formação de condróides. E por fim a pneumonia aspirativa, por inalação do muco.
Medidas como evitar a introdução no plantel de animais sem exame e isolar os doentes, mantendo-os sob boas condições de higiene e alimentação; emprego de calendário de vacinação (usar apenas vacinas de eficiência comprovada); os animais que tiveram contato com animais doentes devem receber soro-vacinação. Ressalto que: o resultado da imunização não é totalmente seguro, isto é, a vacina pode falhar.
A estratégia de vacinação deve ser muito rígida, pois cavalos vacinados durante o período de incubação da doença apresentam uma reação local mais severa. Vacinação de cavalos com sintomas de garrotilho pode causar uma reação anafilactóide (semelhante a reações anafiláticas) ou púrpura hemorrágica. Cavalos que se recuperam da doença não devem ser revacinados dentro de pelo menos um ano após a recuperação. Os animais que sofrem garrotilho geralmente mantêm imune por três ou quatro anos, em alguns casos, por toda a vida.
Todo tratamento­ deve seguir orientação do médico veterinário e é feito a base de sulfa e com inalações com eucaliptol (folhas de eucalipto). As narinas podem ser lavadas com antissépticos fracos e, os abscessos maduros são incisos e drenados, aplicando-se injeções intramusculares de antibióticos em grandes doses. Propõem-se tratar os animais com o uso de terapia com Penicilina G. Outros antibióticos, tais como a oxitetraciclina, a combinação sulfa + trimetropim, a eritromicina, embora apresentem menor eficiência, também poderão ser utilizados. (Artigo publicado na edição 67 da Revista Horse)

Revista Horse
Taciano Couto Guimarães

Taciano Couto Guimarães

é veterinário, formado pela UFMG, especializado em plantas medicinais pela UFLA, clínico veterinário e terapeuta floral para animais

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