03-Ago-2021 02:16 - Atualizado em 03/08/2021 04:46
Horse Tokyo 2020

Chegou a hora do Salto

A história, curiosidades, expectativas e análise das novas regras da modalida mais esperada do hipismo dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Por Cel. Paulo Franco.

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IndividualLuis Ruas

O Hipismo é um esporte olímpico que tem três características significativas e exclusivas que o diferencia dos demais: depende de outro ser vivo, homens e mulheres competem em igualdade de condição e a idade não é um fator limitador, pois permite, por exemplo, que um cavaleiro com 58 anos conquiste uma medalha olímpica, como aconteceu com o britânico Nick Skelton, que foi Medalhista de Ouro individual nos Jogos Olímpicos do Rio de 2016 e agora, na Tóquio 2020, com a conquista da Medalha de Bronze individual no Concurso Completo de Equitação pelo cavaleiro da Austrália, Andrew Hoy, que tem 62 anos.

Das três modalidades olímpicas o Salto é a que tem mais tradição e maior apelo popular, sendo a mais praticada no mundo inteiro. No caso do Brasil é a com o maior número de participações olímpicas, tendo conquistado a Medalha de Bronze por equipes nas Olimpíadas de Atlanta/1996 e Sydney/2000, com os cavaleiros Rodrigo Pessoa, Luiz Felipe de Azevedo, André Johannpeter e Álvaro Affonso de Miranda Neto, e a Medalha de Ouro individual, em Atenas/2004, com Rodrigo Pessoa. Em todas estas conquistas o treinador foi o renomado e cavaleiro multicampeão, Nelson Pessoa Filho, que hoje é o orientador do Salto da equipe de Concurso Completo de Equitação da Austrália e também atua como principal conselheiro da Confederação Brasileira de Hipismo.

A disputa individual do Salto ao longo da história das Olimpíadas já foi vencida por cavaleiros de 14 países diferentes, tendo a Alemanha o maior número de vitórias (5), seguida da França (4), Itália (3) e Suíça (2). Tchecoslováquia, Japão, México, Polônia, Holanda, Canadá, Grã-Bretanha, Brasil e Bélgica possuem um título cada. A Bélgica teve o primeiro campeão olímpico, Aimé Haegeman, que ganhou a Medalha de Ouro individual nos Jogos de Paris/1900. Apesar de ser um esporte onde homens e mulheres competem em igualdade de condição, nunca uma mulher ganhou a Medalha de Ouro na prova Individual de Salto. Além disso, ninguém ainda conseguiu ser bicampeão olímpico no Salto individual. Muito do fato de menos mulheres terem medalhas individuais no Salto é que elas só foram liberadas para competir nesta modalidade a partir das Olimpíadas de Melbourne-Estocolmo/1956. No Adestramento elas começaram quatro anos antes, em Helsinque/1952, modalidade que hoje dominam.

A Alemanha também é a maior vencedora por equipes com nove Medalhas de Ouro conquistadas. Vale ressaltar que estas conquistas somam as medalhas do Time Unificado da Alemanha, quando em Melbourne-Estocolmo/1956, Roma/1960 e Tóquio/1964 os times da Alemanha Oriental e Ocidental competiram juntos, além dos dois títulos da Alemanha Oriental em Munique/1972 e Seul/1988, desta vez com cada uma das nações competindo de forma separada. Suécia e Estados Unidos vêm logo atrás com três Medalhas de Ouro cada. França e Grã-Bretanha com duas. União Soviética, México, Canadá, Holanda e Espanha têm uma.

Uma curiosidade interessante. Em Melbourne/1956 pela primeira vez uma das modalidades esportivas dos Jogos não foram realizadas nem na cidade, nem no país anfitrião. O Hipismo foi transferido para Estocolmo/Suécia, e disputado cinco meses antes, graças as severas leis australianas relativas à quarentena de animais que impediam a entrada de cavalos estrangeiros no país. Mais tarde nos Jogos de Pequim/2008 a situação se repetiu, com o Hipismo sendo realizado em Hong Kong.

Desde sua primeira Olimpíada as regras do Salto nunca tiveram tantas modificações significativas como as dessa de Tóquio. Mudanças que, se bem aproveitadas pela comissão técnica de cada nação, poderão até decidir a conquista de medalhas. Nesse ínterim, vale a pena recordar o que já foi dito com detalhes no meu artigo anterior: as equipes serão compostas por três conjuntos titulares e um reserva, a competição individual será antes da por equipes, as equipes serão de três integrantes sem direito ao descarte do pior resultado e poderá haver duas trocas, uma antes da qualificativa por equipes e outras antes da final por equipes, esta por problemas médico/veterinário atestados por profissionais do próprio país. Pela primeira vez o reserva poderá ser empregado ao longo da competição. Em Olimpíadas anteriores o reserva só podia substituir um titular em caso de problemas médico/veterinário até antes do começo da primeira qualificativa individual e por equipes. Depois disso, se o reserva não fosse utilizado ele era até descredenciado como atleta olímpico. Pelas regras atuais o reserva sendo utilizado ao longo da competição fará jus à uma medalha, caso o país ganhe a mesma.

Ou seja, será a Olimpíada da estratégia, na qual as comissões técnicas de cada país utilizarão de todas artimanhas permitidas no regulamento para obter uma melhor performance, coisa que não acontecia em edições anteriores, nas quais o reserva não podia ser empregado e nem a equipe ser modificada ao longo da competição. O trabalho de equipe, com o assessoramento da parte veterinária e de conselheiros habilitados, será de extrema importância para as decisões de ordem técnica que o treinador terá que tomar antes e durante a competição.

Se analisarmos a lista de cavaleiros dos países participantes no Salto veremos vários de renomes e experientes inscritos como reserva, como, por exemplo: McLain Ward (EUA), Simon Delestre (França), Harrie Smolders (Holanda), Shane Sweetnam (Irlanda), Danielle Waldman (Israel), Patricio Pasquel (México), Rolf-Göran Bengtsson (Suécia), Pieter Devos (Bélgica), Bryan Balsiger (Suíça) e Rodrigo Pessoa (Brasil). Teremos uma “guerra” de estratégia na qual os times poderão optar em até poupar algum conjunto no individual para a disputa por equipes.

A Olimpíada de Tóquio 2020 marcará uma nova fase para as provas olímpicas da modalidade Salto, tanto na disputa individual como na por equipes. No individual porque países poderão inscrever “até três conjuntos”, permitindo que se inscreva, por exemplo, apenas um ou dois que tenham realmente chance de medalhas, poupando os outros para a disputa por equipes, pois diferentemente de Olimpíadas anteriores, nesta, os resultados do individual não contarão para a disputa por equipes. Serão disputas independentes.

O fato de não ter o descarte do pior resultado na disputa por equipes exigirá da comissão técnica um trabalho cuidadoso e até psicológico para que nenhum conjunto perca a concentração, pois qualquer vacilo poderá ser fatal para o resultado final. Talvez seja este o motivo pelo qual equipes tenham optado por um reserva experiente que possa ser utilizado no momento adequado. Isso acaba, até certo ponto, beneficiando países com mais tradição na modalidade, como Estados Unidos, Suécia, Suíça, França, Bélgica, Irlanda e Alemanha que sempre são favoritos, mas dessa vez são mais ainda, pelo fato de possuírem conjuntos regulares e mais fortes para enfrentar uma competição sem o descarte do pior resultado.

Apesar desse favoritismo aparente citado acima o Time Brasil de Salto sempre será visto pelas outras nações como uma equipe que pode surpreender, principalmente pela qualidade técnica e experiência dos seus cavaleiros e, no caso destes Jogos, pela competência do seu treinador e de sua comissão técnica. Apenas como lembrança, o suíço Philippe Guerdat, treinador do Brasil, conquistou com a França a Medalha de Ouro por equipes nos Jogos do Rio 2016, mesmo tendo um dos seus principais conjuntos, Simon Delestre/Ryan, substituído na última hora pelo conjunto reserva, Philippe Rozier/Rahotep de Toscane, além de ter disputado parte da prova por equipes com três conjuntos sem o descarte do pior resultado, pois a égua da amazona Penelope Leprevost, Flora de Mariposa, se lesionou durante a competição.

O Brasil e o Time do Hipismo do Movimento Verde Amarelo está torcendo e confiante na conquista de medalhas no individual e por equipes pelo Time Brasil de Salto!

Estamos juntos e unidos!!!

“PRA CIMA DELES BRASIL!!!”

 

Revista Horse
Cel. Paulo Franco

Cel. Paulo Franco

é torcedor, apaixonado pelo hipismo e “Capitão” do Time MVA Hipismo Brasil

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