24-Mai-2021 15:11 - Atualizado em 24/05/2021 16:16
Veterinária

Como evitar doenças nos cascos dos cavalos

Distúrbios costumam afetar mais animais estabulados e podem trazer grandes prejuízos para os cavalos atletas

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Os cascos dos cavalos possuem grande importância para os mesmos, pois precisam estar em perfeita ordem para que o animal possa exercer seu papel no trabalho, competições hípicas ou cavalgadas, uma vez que os cascos têm o papel de apoio na sustentação e na locomoção. Além disso, para que o animal esteja saudável, ele precisa se alimentar, para que possa ficar confortavelmente de pé e se locomover.

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Animais atletas são os que mais sofrem com as doenças nos cascos, tendo queda de rendimento e outros problemas sérios
As doenças que ocorrem nas patas dos equinos, mais precisamente nos cascos, são mais comuns em animais “estabulados”, em decorrência da colocação dos animais numa pequena área, podendo também ocorrer em piquetes e/ou pastos. O aumento da incidência dessas doenças ocorre nas épocas chuvosas ou quando há muita umidade nos locais de permanência e também na presença de materiais contusos, como pedras e paus.

As doenças dos cascos ocorrem em todo local e é de extrema importância, especialmente em animais atletas, onde as estatísticas são mais contundentes.  Em animais acometidos das alterações no casco, há queda de rendimento e, ocasionalmente, podem sofrer envolvimento grave das articulações e outras estruturas profundas do casco, chegando-se ao extremo de fraturas de falanges ou luxações.

Em condições favoráveis de alta umidade, lesões e da falta de higiene nas camas, muitos animais do local podem ser acometidos. As enfermidades não são fatais, mas podem ser necessários tratamentos prolongados, resultando em desuso do animal por semanas, até meses, que o torna economicamente importante já que as despesas de estabulagem se somam com as de tratamento e inatividade.

As doenças, geralmente, ocorrem por causa de fatores de risco como: manejo errôneo, falta de higiene, nutrição desbalanceada ou deficiente etc., e causam as seguintes lesões:

1) Dermatites: aparecem atrás da quartela, por cima dos talões e caminham em direção à articulação ou para dentro da muralha do casco se a infecção não for controlada em tempo. São lesões altamente dolorosas que geralmente provocam claudicação nos animais. Necessitam tratamento local e, muitas vezes, antibiótico terapia injetável.

2) Flegmão ou inflamação da coroa do casco: apresenta uma inflamação rápida de toda região de contato do casco (coroa) com a pele, com enlevamento  da temperatura, pulso, recusa do animal em apoiar o casco e dor intensa. Após cerca de dois dias, a pele descola da coroa do casco e gera um odor forte, seguindo da formação de uma fenda profunda entre a parede do casco e pele no local. Antibiótico terapia sistêmica e tratamento local são necessários.

3) A Broca dos cascos do equinos é uma contusão seguida, algumas vezes, de morte dos tecidos que revestem as partes internas dos cascos, podendo, segundo o aspecto da lesão, receber os nomes de: Broca seca, úmida ou supurada. As lesões causadas pela broca dos cascos dos equinos produzem necrose local, dor e manqueira e têm como origem um traumatismo (contusão ou ferimento). A princípio sempre existirá uma lesão fechada que provocará dor muito intensa, impedindo o animal de colocar a pata no chão e o diagnóstico só será possível, no início do processo, através de pressão nas diversas partes do casco, até localizar uma área de maior sensibilidade.

A Broca pode causar claudicação mais séria. Ela pode aparecer de um simples hematoma de sola, de um machucado ou de uma fissura vertical que não tenha sido notada. Essa lesão é a mais problemática, pois sua resolução é quase uma intervenção “cirúrgica” de um ferrador ou do veterinário, seja para abrir o local acometido, seja para drenar o local quando de uma infecção secundária. Tratamento local e antibiótico terapia sistêmica e uso de antitetânica é recomendado.

4) Lesões por fungos, como podridão de sola, ranilha e muralha do casco geralmente se devem a baias úmidas e sujas que são meios favoráveis ao cultivo de fungos e bactérias causadores dessa enfermidade. Esse tipo de afecção causa prejuízo ao desempenho do cavalo e perda da função da ranilha, da sola ou da muralha, que são muito importantes para a vida do casco. O uso de produtos adequados e o combate à causa podem solucionar o problema. Esses fungos apodrecem a ranilha e sola, tornando-as moles e de fácil instalação de uma infecção secundária. Na muralha causa escamação e fragilidade da mesma, levando a dor e até hemorragias.

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A prevenção sempre é o melhor manejo, realizando a limpeza dos cascos dos animais diariamente, antes e após o trabalho, utilizando-se de limpador de casco
Todas as doenças descritas estão relacionadas a problemas de manejo, como higiene deficiente de baias e pastos, possuindo associação infecciosa com agente ou germe ambiental, que é um oportunista e se aproveita de uma mínima lesão prévia da pele ou casco para se multiplicar e causar alterações no animal. A partir dessa multiplicação fúngicas ou bacterianas aumentadas, há uma maior contaminação do meio ambiente e aumenta o número de animais doentes, caso medidas drásticas no manejo não forem tomadas imediatamente.

Todas essas patologias levam a alterações funcionais nos animais, impedindo, muitas vezes, os mesmos de treinar, competir, locomover-se ou manter-se em estação.

Tratamento

O tratamento para essas doenças é tranquilo quando detectado precocemente. Consiste em levar o animal a um local limpo, isolado, para impedir novas contaminações ou contaminar locais que os animais irão ser medicados, levantar a pata acometida, lavar com água abundante, limpar o casco, com escova e sabão. Após uma análise cuidadosa da lesão e não necessitando intervenção de ferreiro ou veterinário, utilizar uma solução de iodo a 20% (adquirir em loja agropecuária ou manipular em farmácia) e aplicar no local com escova macia e após esta “queima” inicial, utilizar um antifúngico spray para frear a invasão por fungos ambientais ou secundários. 

Se não forem tratadas precocemente, as infecções se agravam e passam a necessitar de alguma intervenção de um ferreiro ou veterinário, o que acarretará um período maior de inatividade para evitar maiores complicações para o casco do animal.

Prevenção

A prevenção sempre é o melhor manejo, realizando a limpeza dos cascos dos animais diariamente, antes e após o trabalho, utilizando-se de limpador de casco. Aplicar graxas ou ceras protetoras, antes do trabalho e após as duchas. Manter os animais em camas limpas e secas, ou piquetes limpos e drenados.

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As doenças que ocorrem nos cascos são mais comuns em animais “estabulados”, em decorrência da colocação dos animais numa pequena área
Caso o local não permita, ou seja, apresente difícil manutenção da cama limpa e seca, recomendamos o uso de estrados de borracha. Deve-se ferrar os animais mensalmente ou a cada 45 dias, para evitar quebra do casco e infiltração de fungos entre o casco e ferradura.

Utilizar ração comercial balanceada, feno ou capim de qualidade, sal mineral à vontade e em caso de animais com notável fragilidade de cascos, suplementar os mesmos com Biotina (Vitamina B7), e produtos com micro minerais como: Zinco, Cobre, Manganês, Selênio, Vit.  A e Vit. E.

Um excelente tratamento que muitos utilizam nos grupos de cocheiras do Jockey Club e em Hípicas é a utilização de sebo de carneiro derretido, uma vez ao dia ou a cada dois dias. Derrete-se uma pequena quantidade de sebo de carneiro e aplica-se com um pincel na sola, ranilha e muralha do casco após lavagem e secagem dos cascos.

À exceção dos momentos de descanso, um cavalo saudável sempre apoia seu peso sobre todos os cascos. A muralha externa deve estar lisa, sem sulcos horizontais ou verticais. Na superfície plantar, a parede deve estar íntegra; os talões na posição correta (talões escorridos ou contraídos devem ser corrigidos); a sola côncava; a ranilha em forma de V, consistente, sem sinais de podridão. (Artigo publicado na edição 94 da Revista Horse)

Revista Horse
Reuel Gonçalves

Reuel Gonçalves

é Médico Veterinário Especialista em Equinos 
CRMV SP 5595 & CRMV PR 5581/S
e-mail: [email protected]

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