08-Dez-2020 10:03
Manejo

Como iniciar uma pastagem no haras?

Vários aspectos devem ser considerados, como solo, tipo de forrageira, cuidados antes e depois, entre outros

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Para a formação de uma pastagem no haras vários pontos devem ser observados e, por isso, vamos abordar condições ideais em cada tópico e o que deve ser feito para minimizar as dificuldades.
Para um haras com pastagens precisamos observar alguns aspectos como tipo de solo, relevo, presença de pedras e tocos, proximidade com áreas de manejo; tipo de cercas utilizadas, análise e correção de solo, escolha do tipo de pastagem, finalidade principal da pastagem, que pode ser pastejo ou colheita de feno, entre outros.

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O melhor manejo de pastagem para equinos é o rotacionado, então a cerca deve circundar a área total e pode ser permanente, feita em madeira ou cordoalha de aço lisa com postes em cor branca
O tipo de solo é crucial para a formação de uma boa pastagem, seja ela usada para o pastejo direto ou colheita do feno. As principais gramíneas utilizadas na alimentação de equídeos, assim como a alfafa, dependem de solos férteis e com estrutura mediana areno-argiloso (relação entre solo arenoso e a concentração de argila). Este solo deve possuir bom poder de drenagem e permeabilidade, ser um solo descompactado. Preferencialmente longe de nascentes ou com altura mínima de dois metros do lençol freático, para evitar o encharcamentos constantes (banhados).
Ainda com relação ao solo, seu relevo é importante. Este deve ser levemente inclinado e com superfície bem nivelada, para permitir escoamento de águas pluviométricas, e ainda ser possível a entrada e circulação de maquinário, para manutenções de adubação, roçagem, corte e enfardamento em caso de uso para feno. Em áreas de maior inclinação onde se faz necessário a construção de curvas de níveis para contenção de águas pluviométricas, recomendasse a escolha pelo modelo de curvas de base larga levemente abauladas.
Solos de fundos de vale ou várzeas como são áreas planas e geralmente com boa fertilidade, aparentemente poderiam ser áreas mais indicadas, porém o cuidado com esses tipos de áreas é a frequência em que ficam encharcadas. A baixa drenagem e alta umidade no sol podem levar ao surgimento de problemas nos cascos dos equídeos, pelo aparecimento de fungos (broca ou frieira). Dentro do contexto de relevo, os solos com muita inclinação também devem ser evitados, pois os equinos durante seus intervalos de pastejo costumam se exercitar e brincar, dando pequenas arrancadas e saltos, e essas brincadeiras quando feita em terrenos com grande inclinação podem levar a um acidente, havendo distensões musculares, torções de membros e até mesmo fratura.
Outro aspecto importante é em relação a presença de pedras, tocos e buracos. Em áreas de pastagens para equídeos é recomendado que as áreas sejam livres desses obstáculos, para evitar acidentes. Pedras e tocos de árvores, além de ocuparem espaço da pastagem, dificultam o manejo motorizado da área, além de serem ótimos locais de abrigos para animais peçonhentos como cobras e arranhas. Os buracos também devem ser tampados, assim como os famosos carreiros, pois podem ser áreas de tropeços ou que prendam algum membro do animal, levando a fratura.
Com relação à proximidade das áreas de pastejo, recomenda-se que as destinada à maternidade sejam as mais próximas, assim como a áreas de animais jovens e sigam as recomendações de solo, relevo e livre de obstáculos.
Outro ponto importante a ser considerado na formação da pastagem em um haras é quanto ao tipo de cerca utilizada. O melhor manejo de pastagem para equinos é o rotacionado, onde os animais permanecem em pastejo por alguns dias e depois vão a uma nova área, então a cerca deve circundar a área total e pode ser permanente, feita em madeira ou cordoalha de aço lisa com postes em cor branca. Porém, se for colocar cercas com divisões internas recomenda-se utilizar as móveis, pois facilitam o dimensionamento e manejo, assim como a circulação de maquinário.

Implantação da pastagem

Após essa abordagem, outro aspecto para a implantação de uma pastagem é realizar a análise do solo e sua correção. Não esqueçamos que uma pastagem é uma cultura e para termos bons resultados e um alimento de qualidade, deve se ter toda a atenção como uma cultura de soja, milho ou trigo. Por isso se faz necessário análise do solo e correção dos nutrientes do solo, com base no tipo de pastagem que se pretende implantar. A coleta do solo deve ser feita por taliões e em duas alturas (5 cm e 20 cm).
A análise do solo é fundamental para a planta forrageira e em relação a escolha da planta a ser cultivada para a formação da pastagem também existem considerações, pois existem uma série de forrageiras que podem ser implantadas para pastagens de equídeos, e, basicamente, quase todas são possíveis de serem utilizadas.
O grande cuidado na escolha de uma planta é evitar as plantas que contém em sua composição grandes quantidades de ácido fítico (fitato), como as gramíneas do gênero Brachiarias e Panicum. As melhores gramíneas para equídeos são tifton, coast-cross, grama missioneira, azevém, aveia, trevos e alfafa.

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O solo deve ser levemente inclinado e com superfície bem nivelada, para permitir escoamento de águas pluviométricas e a entrada e circulação de maquinário, para manutenções de adubação, roçagem, corte e enfardamento em caso de uso para feno
Com relação à escolha da planta a ser cultivada também deve se observar o aspecto de ser uma cultura permanente ou não, havendo a necessidade de plantio anual e renovação da pastagem. Para esse aspecto é importante o haras ter áreas com gramíneas de cultura permanente como o caso das espécies tifton, coast cross e grama missioneira. E em algumas áreas realizar a cultura, por exemplo, com aveia e azevém para o inverno e primavera. Ainda no aspecto da escolha da forrageira, esta deve ser adaptada ao tipo de clima da região a ser implantada e havendo dúvidas sobre quais as melhores plantas adaptadas um Engenheiro Agrônomo pode ser consultado.
Outro ponto importante é a finalidade principal dessas áreas de pastagem, pois algumas áreas podem ter por finalidade apenas o pastejo direto dos animais e outras para a cultivo e colheita de feno ou ainda áreas mistas, onde haverá o pastejo, mas em determinadas épocas do ano, se realiza a colheita de feno. Quando a área for utilizada para finalidade mista, os aspectos acima abordados devem ser levados com maior consideração, pois haverá animais que circularão por essas áreas assim como o manejo com equipamentos, como trator, segadeira e enfardadeiras.
Ainda com relação à cultura da pastagem deve-se ter um cuidado especial com plantas invasoras, pois contaminam as pastagens, grudam-se nas crinas e caudas dos animais tornando-as embaraçadas, roubam nutrientes do solo, animais não as consumem, e algumas podem contém compostos nocivos aos equinos, que quando consumidas levam a complicações digestivas (intoxicações) ou até mesmo ao óbito.
Em resumo, esses pontos abordados são os principais a serem considerados na formação de uma pastagem. Tão importante quanto a implantação é a manutenção dessas áreas e pastagens e, para isso, adubações, cuidados com o solo, nivelamento do solo, controle de plantas invasoras, entre outros abordados nesse artigo, são ações que manterão sua pastagem por mais tempo e evitarão a degradação do solo e da cultura sem a necessidade de ficar realizando reformas das áreas frequentemente. (Artigo publicado na edição 82 da Revista Horse)

Revista Horse
Leonir Bueno Ribeiro

Leonir Bueno Ribeiro

é formado em Zootecnia, com Mestrado em produção e nutrição de equinos
e-mail: [email protected]

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