14-Fev-2020 18:43 - Atualizado em 14/02/2020 18:59
Veterinária

Como reconhecer doenças no cavalo?

Os animais de cocheira estão predispostos a uma série de doenças físicas bastante comuns, que não são vistas com tanta frequência nos cavalos que vivem de forma mais natural, a pasto

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Você sabe reconhecer quando um cavalo está doente? Essa pergunta parece fácil num primeiro momento; entretanto, quando avalia-se um animal, tem que ter em mente que, além das doenças físicas, muitos sofrem de doenças silenciosas ou de problemas comportamentais.

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Um cavalo pode adoecer por uma fatalidade, mas infelizmente, em muitos, a doença ocorre em resposta ao sistema de criação, como no manejo diário. Mesmo um sistema impecável pode favorecer o surgimento de algumas doenças. Por isso, é importante considerar o estilo de vida do animal baseado no seu comportamento natural. Para um cavalo, suas necessidades básicas, em ordem decrescente, são: segurança, conforto, socialização e por fim, a alimentação. Assim, ele prioriza estar em um lugar seguro com seus companheiros para poder se alimentar tranquilamente. Caso contrário, existem grandes chances do cavalo adoecer.

Se um cavalo apresentar alguns sintomas como não se alimentar ou comer pouco, ficar deprimido, triste, agitado, inquieto, incomodado, com respiração acelerada em repouso, relutar em trabalhar, com tosse e corrimento nasais, diarreia ou ausência de fezes, atitudes anormais, começar a emagrecer e com quedas do desempenho, deve-se buscar explicações. Neste caso, um veterinário experiente deve ser consultado, mesmo porque alguns sinais são muito inespecíficos e requerem uma investigação clínica detalhada.

Um cavalo pode sofrer de doenças silenciosas, crônicas ou recorrentes por muitos anos sem ter um diagnóstico. Entre essas doenças, as mais comuns são: babesiose, ulceração gastroduodenal, depressão e as estereotipias, sem contar os muitos problemas músculoesqueléticos inespecíficos.

No caso das babesioses, transmitida pelo carrapato e muito comum em cavalos de cocheira, os portadores do agente podem não manifestar a doença. Porém, quando o cavalo sofre uma situação de estresse, pode ocorrer febre, inapetência, queda do desempenho e perda de peso devido a uma reagudização do processo. O difícil é manter um cavalo de cocheira sem estresse.

A ulceração gastroduodenal acomete 80% dos cavalos de cocheira, sem manifestação clínica. Estas alterações ocorrem devido ao fato que o estômago do cavalo libera ácido clorídrico continuamente, sem a necessidade de ter um alimento para digerir, como resultado de horas de estômago vazio, o cavalo encocheirado sofre de gastrite e úlceras inevitavelmente. A maneira de amenizar isso é fornecer alimento verde fresco e pequenas quantidades de alimento várias vezes por dia.

Os problemas comportamentais são evidentes, mas são considerados como doenças silenciosas porque, na maioria das vezes, são tratados negligentemente. Nesses casos, é mais fácil prevenir do que tratar, uma vez que as chances de cura são menores quanto maior for o tempo que o cavalo apresenta o problema.

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Já as doenças músculoesqueléticas são mais prováveis de serem identificadas e tratadas corretamente, porém, muitas vezes, são de difícil diagnóstico justamente pelos sinais pouco específicos. Nestes casos, os cavalos podem sofrer por dores incômodas e mesmo assim estar em atividade, mostrando baixo desempenho até que uma decisão definitiva seja tomada. Este sofrimento pode durar anos ou a vida toda de um cavalo.

Além das doenças chamadas de silenciosas, os cavalos de concheira estão predispostos a uma série de doenças físicas bastante comuns, que não são vistas com tanta frequência nos cavalos que vivem de forma mais natural, a pasto. Dentre elas, as mais comuns são os problemas de pele e casco, os traumas músculoesqueléticos, as cólicas de origem alimentar e as doenças respiratórias, tanto as infecciosas como as alérgicas. É claro que a ocorrência delas está muito mais ligada ao manejo, ou seja, à ação do homem sobre a vida do cavalo, do que pela vulnerabilidade da espécie.

A maioria das feridas ocorre por falha no planejamento das instalações e por negligência ao comportamento de fuga do cavalo. Uma vez ocorrida, a ferida fica aberta às infecções bacterianas, pelo contato com fezes e sujeiras, além das infecções parasitárias, como as miíases (bicheiras).

O manejo alimentar dos cavalos encocheirados tem que ser muito bem esquematizado, para que as alterações funcionais provocadas por uma alimentação quase 100% artificial não resultem em cólicas, pois existe uma grande diferença entre a alimentação de cavalos de cocheira daquela dos cavalos a pasto.

As doenças respiratórias também são importantes para os cavalos encocheirados. Elas variam desde infecções, bastante relacionadas ao trânsito e à concentração de animais, até problemas de origem alérgica, causados pela reação a materiais presentes nas baias, como fenos e camas.

E, por fim, muitos cavalos mantidos encocheirados estão sujeitos às doenças relacionadas às cavalgadas, que não estão diretamente ligadas ao sistema de encocheiramento, mas ao uso errado do cavalo neste tipo atividade muito comum e popular. Os cavaleiros das cavalgadas devem estar cientes que cavalos que não estão acostumados a fazer percursos longos, não devem ser exigidos por mais que duas horas a passo em terreno plano, caso contrário, podem ocorrer danos à saúde do cavalo, como, principalmente, as miosites de esforço, a laminite, a desidratação e o esgotamento físico das funções cardio-respiratórias. Se os passeios forem frequentes ou longos, em terrenos acidentados, de solo duro e irregular, os cavalos devem ser previamente preparados, com exercícios regulares, montados pelo menos três vezes por semana, por 30 a 40 minutos. Um bom condicionamento físico deve começar pelo menos seis meses antes do dia da cavalgada.

Principais doenças físicas dos cavalos estabulados:

 - Pele e cascos: feridas, infecções-bacterianas e parasitárias;
 - Problemas músculo-esqueléticos (traumas);
 - Cólicas (alimentares e verminóticas);
 - Doenças respiratórias (infecciosas e alérgicas).

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Denise Pereira Leme é professora do Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal de Santa Catarina e participa das atividades do Laboratório de Etologia Aplicada - LETA/UFSC. e-mail: [email protected]

Revista Horse/Denise Leme
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