06-Jan-2021 17:06 - Atualizado em 07/01/2021 11:45
Horsemanship

CONEXÕES INTEGRADAS

Hotel Fazenda Dona Carolina, no interior de São Paulo, investe no bom horsemanship para desenvolver atividades de esportes de alto rendimento e lazer

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O desenvolvimento do bom horsemanship está cada vez mais presente nas atividades equestres e começa a chegar nos esportes de alto rendimento. O Hotel Fazenda Dona Carolina, em Bragança Paulista, interior de São Paulo, conhecido por oferecer diversas atividades com os cavalos, resolveu dar uma maior integração a esses princípios. Além de buscar um aperfeiçoamento na relação homem-cavalo nos treinamentos de Enduro e Salto, duas modalidades de alta performance desenvolvidas no local, também estendeu o trabalho aos hóspedes que buscam lazer com os cavalos, oferecendo suporte para uma maior conexão e integração homem-cavalo, seja por meio dos tradicionais passeios e cavalgadas, ou em atividades de redondel.

A iniciativa começou há cerca de quatro meses e vem sendo implantada pela amazona e treinadora Gabriela Placco. Ela conta que começou a montar muito cedo, com 6/7 anos em Embu das Artes. Aos 9, passou a competir na categoria mini-mirim e, aos 15 anos, atingiu um nível de equitação que necessitava de um cavalo um pouco mais caro, para disputar a categoria de Júnior. “Como não tinha condições de ter esse cavalo, então comecei a trabalhar. Vi que a forma de eu continuar no esporte era trabalhar e comecei a dar aulas na escola e trabalhar cavalos de outras pessoas”, conta.

A treinadora diz que começou a se interessar pela parte de doma e escolarização dos cavalos quando já era profissional, por volta de 2015/16. Até então, nunca tinha domado um cavalo, nem acompanhado o processo. “Já recebia os cavalos domados. Sofri vários acidentes com cavalos jovens que me passavam dizendo que já estavam domados, mas na verdade eles aceitavam o cavaleiro montado, mas na primeira situação desconfortável eles explodiam, com reações de fuga da situação. Então eu sei, por experiência, o que é montar um cavalo que não é preparado para o mundo e aquele que tem esse preparo”, afirma, destacando que o desenvolvimento do bom horsemanship é a melhor forma de evitar essas situações de imprevisibilidade.  

No Brasil, onde o desenvolvimento do horsemanship vem conquistando cada vez mais espaço, Gabi Placco é uma das primeiras a integrar esse processo aos esportes hípicos, uma tendência que ela acredita se acentuar ainda mais nos próximos anos.  “Esse trabalho no esporte, no Salto e Enduro, é bastante novo. Morei na Europa de onde voltei há cerca de um ano, e muitas pessoas me perguntavam se havia aprendido isso na Europa. Realmente ainda é um mundo muito desconhecido. Acho que a gente tem um mercado enorme e as pessoas vão ser beneficiadas a partir do momento que perceberem a eficácia desse trabalho”, acredita.

Sua missão agora é justamente essa: aprimorar a relação homem-cavalo em todas as atividades equestres do Hotel Fazenda Dona Carolina. “Na verdade, trata-se de conceitos que podem ser aplicados em qualquer atividade com os cavalos e que oferece inúmeros benefícios aos animais e aos seus cavaleiros”, diz ela.

Gabriela conta que a metodologia do horsemanship foi uma grande surpresa em sua carreira profissional, que começou a estudar e desenvolver ainda no Brasil e também quando morou na Europa. Na época, ela treinava cavalos de salto domados e formados seguindo esses conceitos, e os resultados eram surpreendentes, com animais que ofereciam muita consistência e segurança quando estavam trabalhando. “Comecei a observar e fiquei muito interessada, pois aquilo para mim era muito diferente, muito mais eficiente, porque o cavalo realmente entende o que você está pedindo”, explica.

Para se aprofundar no tema, Gabriela pesquisou e estudou os grandes mestres do horsemanship, como os irmão Tom e Bill Dorrance. Em abril de 2019, participou de uma clínica de “Horsemanship e Iniciação de Potros” com Buck Brannaman, em Carmel Valley, California (EUA). “Foi uma experiência incrível, pois ele é uma referência para quem estuda o horsemanship”, diz.

Segundo ela, o principal diferencial é o trabalho de base, a iniciação desenvolvida por meio de um programa de escolarização, que permite uma troca de aprendizado constante entre o cavaleiro e seu animal. “Existem degraus da escolarização e se você esquecer ou se fizer mal feito, vai chegar lá na frente e vai ter que voltar e refazer essa base. Mesmo com cavalos maduros que vêm para mim, começo esse processo desde o início, que é a educação no cabresto”, explica.

Para ela, entretanto, o ponto mais importante desse processo é a segurança que proporciona para o cavaleiro e para o cavalo. “O cavalo compreende melhor o que é esperado dele e passa por muito menos estresse, pois é um trabalho muito mais confortável. Tudo flui muito mais naturalmente e rende resultados duradouros”, diz ela. “No cavalo de salto, que é meu foco, os obstáculos são muito diferentes e, muitas vezes, amedrontam o animal. Isso exige que o cavalo se adapte a muitas situações em muito pouco tempo.  Por isso, quanto melhor for a sua formação de base, com várias experiências, melhor será a performance do cavalo para conseguir contornar essas situações, conseguindo, consequentemente melhor produtividade dentro da pista”, afirma.

Estrutura

Gabriela conta que, como o Dona Carolina já tinha uma longa história e estrutura para atividades equestres, o início do trabalho necessitou apenas de alguns ajustes estruturais, como reforma e adaptação dos pisos nas pistas, processo de irrigação e novos obstáculos. Tudo foi montado com o objetivo de poder atender tanto os turistas, que costumeiramente visitam o local para passeios e cavalgadas, quanto cavaleiros, que desejem levar seus animais para temporada de treinamento.  “Hoje, temos a opção de a pessoa trazer seu animal, deixar hospedado em nossas estabulagens e utilizar toda a estrutura da hípica, de enduro ou as pistas, sejam eles amadores ou profissionais”, conta.

 A tradição do Hotel Fazenda Dona Carolina no atendimento ao turismo equestre ofereceu alguns facilitadores. A equipe, por exemplo, é extremamente preparada para receber pessoas com ou sem nenhuma prática com cavalos, sempre prezando pela segurança em primeiro lugar. Com os novos serviços oferecidos, além de uma maior tranquilidade na hora de um passeio montado, elas passaram a ter mais opção de se relacionar e se conectar com os cavalos, podendo desfrutar de tudo o que eles têm a oferecer. “No redondel, a gente consegue refinar uma comunicação e a conexão com o cavalo. Ele começa a entender que você o leva sempre para a solução dos problemas, então ele vai querer sempre estar com você”, exemplifica.

O mesmo serve para cavalos de esporte, que precisam ter uma boa base e seguir um processo de escolarização. “A partir da primeira vez que você aborda um cavalo já o influencia de alguma forma, por isso é importante seguir um programa de escolarização, no qual estará ensinando coisas a ele. Cavalos não sabem o que é certo ou errado. Eles aprendem o que você conseguir ensinar ", diz Gabriela.

Segundo a treinadora, tudo começa pela educação no cabresto que permite fazer o cavalo aprender a ser puxado caminhando, rodar na guia e coisas que ele terá de fazer no dia a dia de manejo, como ir da cocheira para o piquete, parar  para ser ferrado e outras situações corriqueiras. “Por natureza, ele sabe comer e fugir por instinto. Quando ele é encocheirado, não sabe o que é esperado dele. Nossa primeira função é conseguir fazer com que o cavalo entenda o que está se passando em volta dele e como ele deve se comportar”.

Além do trabalho de redondel, Gabriela explica que é importante diversificar ao máximo o trabalho dos cavalos em ambientes distintos, o que lhe oferecerá segurança para lidar com situações inusitadas. “Quanto mais experiências o cavalo tiver, independente do que seja, mais maduro ele vai ficando, mais confiança ele vai ter no cavaleiro, no ambiente e nele próprio”, assegura.

Em pouco mais de quatro meses de trabalho, a treinadora diz que já dá para perceber alguns resultados, principalmente com os cavalos de Enduro, com os quais vem realizando um trabalho inédito no Brasil. “A gente percebe que, depois dos treinamentos, os animais ficam mais confiantes e seguros em ambientes desconhecidos, o que melhora substancialmente o seu rendimento esportivo”, avalia.

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