01-Fev-2021 10:26
Veterinária

Controle de ECTOPARASITAS (parte 2)

Parasitas vivem na pele e se alimentam de sangue e tecidos, comprometendo o desempenho e saúde dos animais

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Dando continuidade ao artigo da edição anterior sobre parasitas, agora vamos falar sobre os Ectoparasitas, que são parasitas que vivem na pele ou sob a pele e se alimentam de sangue ou tecidos do animal causando prejuízos por comprometerem o desempenho e a saúde dos animais devido à espoliação e/ou transmissão de doenças. Os principais ectoparasitas são:
- Berne: É um estágio larval da mosca Dermatobiahominis. Deve ser controlado, pois causa grande desconforto ao animal. Apesar de não tão comum em equinos, temos observado casos deste parasita, talvez devido à maior incidência de lixo e da proximidade dos cavalos a matas e gado.
- Carrapato: Trata-se de um ectoparasita hematófago, isto é, que se alimenta de sangue e diminui a produtividade e desempenho dos animais, podendo ainda transmitir doenças como a Nutaliose ou Babesiose (Babesiacaballi e o Babesiaequi), que afetam gravemente o animal, causando anemias e queda de desempenho.
- Habronemose: É causada por invasão errática de larvas do Habronemasp (um verme intestinal) em ferimentos com secreção (exsudativos). Na pele do animal, a larva do habronemase desenvolve passando a formar uma ferida difícil de ser curada e tratada, podendo levar anos para a cicatrização efetiva. Manifesta-se por lesões na pele ou escoriações em geral no canto interno do olho, na linha média do abdômen e nos membros, abaixo da canela e na peça sexual de equinos. Ocorre uma proliferação muito intensa de um tecido granuloso que não cicatriza.
- Miíase: Também chamada de Bicheira. É a larva da mosca “varejeira” que se desenvolve em uma solução de continuidade (ferimento aberto, raspado ou pisadura de arreios) e em grande quantidade (a fêmea chega a colocar 1000 ovos de uma vez). A característica principal da miíase é o odor extremamente desagradável que se segue com o desenvolvimento das larvas.

Combate

O carrapato deve ser combatido através de um manejo adequado com carrapaticidas. Lembrando que a maioria dos carrapatos está no ambiente (95%) e somente uma pequena parte (5%) nos animais. Portanto, quando tratamos ou medicamos os animais, somente uma pequena parte dos parasitas será combatida. Um controle eficaz dos carrapatos demora certo tempo, até anos, para podermos quebrar seu ciclo no ambiente. A maioria dos carrapaticidas do mercado não mata o carrapato, mas compromete o mesmo, quebrando desta forma seu ciclo. Outros atuam diretamente no carrapato matando-o, mas para atingir os outros carrapatos do meio ambiente, o carrapaticida precisa ter um efeito residual eficaz.

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Os carrapatos podem transmitir doenças como a Nutaliose ou Babesiose, que afetam gravemente o animal, causando anemias e queda de desempenho
Os produtos de pulverização com indicação de bula em equinos matam por contato, o mesmo acontecendo com os produtos “Pour-on” não sistêmicos. Infelizmente para cavalos temos poucos produtos realmente eficazes e seguros. Um princípio ativo para pulverização que se tem utilizado sem comprometer a saúde do animal são os Piretroides, entre eles, a Cipermetrina ou a Deltametrina, infelizmente, devido à péssima utilização, a resistência já se instalou e eles são pouco eficazes no controle do carrapato nos equinos. Fora as pulverizações temos os produtos “Pour-on”, podem ser só de Cipermetrina ou a associação de Cipermetrina 5% + Clorpirifós 2,5% + Butóxido de Piperonila 1% (Aciendel Plus Pour-on), única associação de cipermetrina com organofosforado com indicação em bula para uso em equinos, que age por contato sem ser sistêmico, no controle dos principais ectoparasitas dos equinos.
Já o Berne deve ser controlado também com produtos “Pour-on” nos animais, sendo a associação de Cipermetrina 5% + Clorpirifós 2,5% + Butóxido de Piperonila 1% (Aciendel Plus Pour-on) uma ótima opção, e também devemos realizar um controle da mosca doméstica com uso de esterqueiras, pulverização das instalações com Piretroides e utilização de armadilhas mosquicidas.
A Habronemose deve ser controlada com medidas higiênicas dos animais, como lavagem dos genitais de machos e fêmeas semanalmente, controle de moscas dos estábulos e domésticas e curativo de feridas diariamente. O tratamento consiste na remoção do tecido afetado, além de aplicação de Ivermectina 1% Oral associada ao uso de pastas com Organofosforados local, mais produtos cicatrizantes e antissépticos.
Apesar de a Miíase não ser comum em equinos estabulados, pode acometer animais em pastagens. É facilmente prevenida através de limpeza e assepsia correta dos ferimentos. Em caso de instalação de miíase em um ferimento este deve ser limpo, todas as larvas retiradas e feito curativo local diariamente e associar um endectocida oral a base de Ivermectina 1% (Ivergen gel).

Esquema de prevenção e controle de Ectoparasitas

Animais estabulados: Utilização de Endectocidas orais (Abamectina, Ivermetina, Doramectina ou Moxidectina), conforme orientação do veterinário, associado ao controle de moscas nas instalações. Quando os animais entrarem em contato com pastagens contaminadas, promover um banho e, depois de secos, promover uma pulverização preventiva com Cipermetrina ou Deltamentrina. No pavilhão auricular utilizar pó carrapaticida.

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É preciso usar os carrapaticidadas para eliminar o problema com os carrapatos
Animas de campo ou em sistema misto de produção (baia – piquete ou pasto): Também fazer a utilização de Endectocidas orais (Abamectina, Ivermetina, Doramectina ou Moxidectina) conforme orientação do veterinário, associado ao controle de moscas nas instalações. Aplicar um produto “pour-on” (Aciendel PlusPour-on) com intervalos de 21 a 40 dias conforme a infestação das pastagens. Lembrando que nos equinos a aplicação de produto “pour-on” não deve ser no fio do lombo ou no gradil costal como em bovinos, mas sim com uma esponja e aplicando o produto nas áreas mais acometidas pelos parasitas como cabeça, tábua do pescoço, membros, entre membros e na vassoura da cauda.
Hoje a associação de produto endectocida oral associado à utilização de produto “Pour-on” carrapaticida é a melhor estratégia de controle de Endo e Ectoparasitas. Lembrando-se sempre de cada três dosificações do vermífugo oral utilizar uma base diferente.
Como já foi comprovada a resistência de alguns vermes redondos sobre produtos derivados de benzimidazóis e à base de pamoato de pirantel e ainda não foi comprovada cientificamente a resistência de vermes redondos frente à ivermectina, abamectina ou moxidectina damos preferência ao uso contínuo de produtos da família das avermectinas ou produtos associados como por exemplo, ivermectina1% + praziquantel7,5%,para que se obtenha um maior espectro de ação sobre o controle de 100% dos vermes redondos, larvas de Gasterophilussp e tênias nos equinos.

Esquema de Vermifugação:

Potros (as): inicia-se aos 30 dias de idade, repetindo-se a cada 60 dias até os 12 meses de idade.
Alternar o princípio ativo a cada três (3) aplicações. Por exemplo, podemos utilizar Ivermectina 1% + Praziquantel7,5% (Fortium) aos 30, 90 e 150 dias. Aos 210 dias alternamos com Moxidectina ou outro princípio ativo eficaz (Closantel), retornando a Ivermectina 1% +Praziquantel 7,5% aos 270, 300 e 360 dias e assim sucessivamente.
Animais de ano e sobre ano: Alternar Ivermectina 1% + Praziquantel 7,5% a cada 90 dias com Moxidectina ou Closantel.
Adultos: os animais em manejo extensivo e com rotação de pastagem, podemos desverminá-lo a cada 120 dias. Caso contrário, o ideal é repetir a aplicação a cada 90 dias, alternando-se o princípio ativo a cada três (3) aplicações. Animais estabulados, sem acesso a pastagens, desverminá-lo a cada 180 dias com rodízio de princípios ativos, Ivermectina 1% + Praziquantel 7,5% e Closantel ou Moxidectina. (Artigo publicado na edição 87 da Revista Horse)

Revista Horse
Reuel Gonçalves

Reuel Gonçalves

é Médico Veterinário Especialista em Equinos 
CRMV SP 5595 & CRMV PR 5581/S
e-mail: [email protected]

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