08-Dez-2020 10:30 - Atualizado em 09/12/2020 18:34
Reprodução

Cuidados na estação de monta

Controle folicular com auxílio do ultrassom indica com precisão o melhor momento para a monta natural ou inseminação artificial evitando coberturas desnecessárias

horse 2020,
Assine a Horse

Quando falamos em reprodução equina, alguns aspectos referentes a fisiologia dessa espécie devem ser abordados para entendermos o motivo da importância de um controle reprodutivo mais próximo e frequente. Fisiologicamente, classificamos as éguas como poliéstricas estacionais, ou seja, possuem o ciclo reprodutivo apenas em uma época do ano. Esse período é conhecido como temporada ou estação de monta e acontece durante a primavera e verão, mais precisamente entre os meses de setembro e fevereiro.
São nesses meses, onde a quantidade de luz diária é maior, ou seja, a luz solar é responsável pelo estímulo do ciclo reprodutivo. Nos meses de outono e inverno, devido a menor incidência de luminosidade, as éguas entram em um período que chamamos de anestro, onde todo trato reprodutivo e hormonal fica inativo.
Os períodos de estação reprodutiva e anestro estão interligados por um período chamado de transicional, que ocorre, geralmente, nos meses de agosto e março. São períodos de adaptação fisiológica para iniciar ou encerrar uma temporada reprodutiva.
reproducao,
A estação de monta acontece de setembro a fevereiro, pois são nesses meses que a quantidade de luz diária é maior, ou seja, a luz solar é responsável pelo estímulo do ciclo reprodutivo
No mês de agosto, ou fase de transicional de primavera, inicia o controle reprodutivo por parte dos médicos veterinários da área da reprodução equina. Esse é um período onde a nutrição e condição corporal da fêmea pode adiantar ou atrasar a entrada em estação reprodutiva.

Para que todos esses fatores sejam diagnosticados com precisão, é fundamental a presença de um profissional experiente e que conte com o auxílio de um bom exame ginecológico associado à ultrassonografia para determinar se uma fêmea encontra-se em anestro, transacional ou já em plena estação reprodutiva.
Esse diagnóstico é muito importante, pois, é muito comum algumas éguas começarem a manifestar cio nos meses de agosto e setembro, porém, às vezes, sem a presença de uma ovulação (liberação do oócito ou gameta feminino) e, como consequência, teremos uma égua submetida a monta, porém sem resultar em prenhez.

Quando temos a presença de um controle mais próximo, através dos exames citados acima, o médico veterinário consegue diagnosticar esse “falso” cio (sem ovulação) e não submete a fêmea a uma cobertura desnecessária. Dessa forma também, é possível afirmar o momento que essa fêmea entrou em estação reprodutiva.
Durante a temporada de monta, a presença do médico veterinário da reprodução é fundamental para a realização do controle reprodutivo para otimizar as montas naturais ou inseminações artificiais. O registro de todas as informações sobre aquela ou essa fêmea é essencial para o controle do número de prenhezes, taxas de perdas embrionárias e fetais. Esses números são fundamentais para garantir o sucesso de uma criação.

A égua é uma espécie que possui um estro (cio) muito longo, varia de 5 a 7 dias, sendo que o momento da ovulação é muito impreciso. Por esta razão, há muitos anos, alguns criadores estipulam montas naturais em dias intercalados durante todo o cio da égua. Isso gera em torno de 3 a 4 coberturas em período de 7 dias, sendo que cada cobertura gera um enorme desafio ao útero da égua, pois além de sujidades, o volume do sêmen do garanhão é alto, variando de 50 a 100 ml.

reproducao,
O controle folicular com auxílio do ultrassom indica com precisão o melhor momento para monta natural ou inseminação artificial
Quando realizamos o controle folicular com auxílio do ultrassom podemos indicar com precisão o melhor momento para monta natural ou inseminação artificial, evitando assim, coberturas desnecessárias, minimizando esse desafio causado pelo sêmen ao útero das éguas. Esse controle folicular visa o acompanhamento de uma estrutura chamada de folículo que esta localizada no ovário das éguas e que dentro leva o material genético da égua, denominado oócito, bem como a qualidade do útero dessa fêmea e se o mesmo está apto a receber o espermatozoide para uma fecundação e posterior gestação.

Como objetivo, o médico veterinário precisa fazer com que a monta ou inseminação artificial ocorra muito próximo ao momento da “ruptura” desse folículo, evento conhecido como ovulação. Além desse controle reprodutivo durante a estação de monta com o intuito de otimizar as taxas de prenhez, o acompanhamento da gestação pelo exame ultrassonográfico é muito importante para poder tentar prevenir algumas alterações como placentites, abortos inesperados, entre outros.

Enfim, podemos concluir afirmando que nos dias atuais e futuros, os resultados de prenhez dentro de uma propriedade dependem diretamente de um profissional habilitado e capacitado para realizar todo esse controle reprodutivo, principalmente devido a inserção crescente das biotecnologias como inseminação artificial e transferência de embriões. (Artigo publicado na edição 82 na Revista Horse)

Continue Lendo...

Revista Horse 82
Assinante, clique aqui para ler mais sobre este assunto na versão digital da Revista Horse.Se você ainda não é assinante, clique aqui e faça agora mesmo sua assinatura.O jornalismo de qualidade tem o seu valor. Pretigie a mais tradicional publicação equestre do Brasil!
Revista Horse
Kadu Camargo

Kadu Camargo

Professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, responsável pelo G.E.R.E. (Grupo de Estudos em Reprodução Equina PUCPR); Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Medicina Animal: Equinos, na área da Reprodução Equina da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). E-mail: [email protected]

 

Deixe seu Recado