12-Jul-2016 16:06 - Atualizado em 12/07/2016 16:21

Dançando com o meu cavalo

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Nas minhas aulas sempre comparo montar a cavalo com dançar. Essa é a meta que realmente vale a pena tentar atingir, porque ela traz uma conotação de beleza, de timing apurado e parceria entre dois indivíduos.

Acredito que essa é a melhor maneira de descrever a parceria, movimento e ritmo entre cavalo e cavaleiro. Além disso, também enfatiza a relação em termos de sensibilidade, timing, equilíbrio, bom senso e discernimento.

Sempre que montamos a cavalo, em alguns poucos momento sentimos que tudo flui como se fosse uma dança. Mas na maioria das vezes, nos sentimos desesperadamente precisando de aulas de dança.

No meu entender, a melhor maneira de iniciar as nossas aulas de dança é perceber como o cavalo usa a garupa e a paleta para distribuir o peso nas manobras de mudança de direção.

Quem leu a matéria anterior e praticou já pode perceber como isso acontece do chão, criando a base para que o cavalo possa andar um círculo usando as quatro patas iguais, com o corpo arqueado e focinho levemente apontado para dentro, desengajando a garupa isto é, transferindo o peso para a paleta e logo em seguida, transferindo o peso para a garupa e trazendo a paleta.

Esse exercício é de grande importância para os cavalos jovens. Isso não quer dizer que ele não funcione para cavalos de todas as idades. Vamos usar o movimento da garupa como uma preparação para trazermos a paleta. Na verdade, quero que ele aprenda a se posicionar com equilíbrio e firmeza para movimentar a paleta. Num momento mais avançado do meu programa quero poder pedir a paleta sem precisar mexer com a garupa. Mas a grande vantagem desse exercício é que num primeiro momento, ele vai dar muito mais leveza e vida para o movimento da paleta.

O sucesso desse exercício depende, fundamentalmente, de como posicionamos o nosso corpo, de como acionamos as rédeas e as pernas. É o desenvolvimento da nossa Sensibilidade, Timing, Bom senso e Discernimento que nos mostra “o que se faz” precisa estar acompanhado da “mágica do como se faz”.

Para começar vamos imaginar que estamos na arena andando para a esquerda. Vou levantar a rédea esquerda, aliviando o meu assento e usando a minha perna esquerda, pedindo que ele desengaje a garupa para a direita, girando 180º apoiado na paleta. Aí abro o meu braço esquerdo na horizontal, sento mais fundo na sela, minha perna de dentro fica inativa, ajusto levemente a rédea de fora e ativo a minha perna de fora em cima da barrigueira da frente, trazendo a paleta 180º para a esquerda, desta vez fazendo um pivot no posterior. Termino olhando para a direção inicial, completando um giro de 360º. Sigo em frente mais alguns metros e repito o exercício.

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Depois de algumas repetições, faço o mesmo do outro lado.

Para que esse exercício possa nos oferecer o benefício de promover a leveza na ação da paleta, ele não pode ser feito em duas etapas, isto é, desengajar a garupa, parar e depois pedir a paleta. Precisamos estar atentos para não perder a dinâmica e o fluxo do movimento. No inicio é claro que dificuldades vão aparecer. Vamos perceber que não temos coordenação motora, para executar tantos detalhes. É sempre bom ter alguém para olhar o que aconteceu e poder nos clarear a consciência. Mas o fato é que assim que conseguimos perceber o exercício acontecendo começamos a sentir um bem-estar incrível. Porque percebemos que dois se transformam em um. No meu entender, esse é o maior benefício que o ser humano pode ter da Equitação e da Educação Equestre.

Eduardo Borba

Eduardo Borba

.Eduardo Borba é professor titular do Projeto Doma, em Capivari (SP), e colunista da Horse. E-mail: [email protected]. Site www.doma.com.br

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