11-Mar-2022 09:29 - Atualizado em 11/03/2022 18:43
História

Diamantina (MG) inaugura Memorial do Tropeiro e Ferrador

Espaço fica no Centro Histórico e conta com mais de 500 peças que resgatam e valorizam a ligação da cidade com a cultura tropeira 

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Diamantina (MG) inaugura Memorial do Tropeiro e Ferrador
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Walter França Junior e Evandro Moreira, organizadores do Memorial Prefeitura de Diamantina/Divulgação
Quer seja por iniciativa do poder público, entidades particulares ou de pessoas conscientes da importância desse ciclo marcante da história, a cultura tropeira renasce e ganha força por várias regiões do Brasil. A mais recente iniciativa vem de Diamantina (MG), localizada a cerca de 300 km da capital Belo Horizonte. A cidade inaugurou, no início de março, o Memorial do Tropeiro e Ferreiro, um espaço que resgata a antiga ligação do município com a cultura tropeira.

Ao todo são 528 peças, que vão desde um simples coador de café, até cangalhas e objetos maiores. Segundo Walter Cardoso França Júnior, secretário de Esportes, Lazer e Juventude, um dos responsáveis pela implantação do projeto, o Memorial é dedicado aos tropeiros e ferreiros de Diamantina que muito contribuíram para o desenvolvimento do município e de toda a região. Um reconhecimento que parte de toda a população, idealizado por Juscelino Brasiliano Roque, que é prefeito da cidade, e Sebastião Nataniel Silva Gusmão, neurocirurgião e reside em Diamantina.

O secretário explica que a montagem do espaço foi um trabalho dividido em duas frentes. Juntamente com o servidor municipal Evandro Moreira, se encarregaram da estrutura física, mobiliário, iluminação, higienização e inventário das peças, expografia. A parte de pesquisa histórica, confecção de folders, cartilhas, entrevistas com tropeiros e ferreiros antigos artigos e vídeos coube as professoras Raquel Faria Scalco, Maria Cláudia Almeida Orlando Magnani e Camila Teixeira Heleno de Araújo, do Curso de Turismo da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). “Toda a tradução do inventário e peças gráficas para o inglês foi feito pela professora Edelweiss Vitol Gysel do curso de Letras da UFVJM”, conta.

Acervo e história

Quem visita o Memorial não vai se encantar apenas com o rico acervo que remonta o período das tropas. O prédio onde está instalado data de 1835, construído a mando do Tenente Joaquim Cassimiro Lages, para sua moradia. Depois de ter sido utilizado para várias finalidades, em 1889 foi adquirido pela Prefeitura e passou a ser utilizado como um centro comercial (mercado) e rancho de tropas.

Por lei municipal recebeu a denominação de Centro Cultural David Ribeiro, mas jamais perdeu a referência de Mercado Velho. Atualmente, é um espaço cultural dos mais ativos, com feiras de sexta a domingo e, com o Memorial, deverá ser ainda mais movimentado. O prédio está na Praça Barão do Guaicui, bem no Centro Histórico da cidade, construído em estrutura de madeira, terra, alvenaria e tijolos, ocupando todo o quarteirão. Possui várias fachadas de onde se permite acessar vários pontos da cidade, com destaque para charmosos e atraentes arcos na entrada do Mercado. 

Quem visitar o Memorial poderá conferir de perto objetos e acessórios utilizados e ou produzidas por tropeiros e ferreiros da região. Todo o acervo foi recebido por em doação, sendo que aproximadamente 80% foi doado pelo médico Sebastião Gusmão, que é filho de tropeiro e antigo colecionador. As visitas podem ser feitas às segundas, quartas, quintas, sextas-feiras e sábado, das 11 às 17h, e aos domingos, das 8 às 14h.

Se você tem algum objeto do ciclo tropeiro e deseja contribuir para com o enriquecimento do acervo do Memorial pode fazer a doação. Para isso basta entrar em contato com Walter Júnior ou Evandro (38) 35319281 - (38) 35319932. “Se alguém se interessar, também possuímos uma reserva técnica e podemos fazer permuta com outros equipamentos como o nosso”, afirma Júnior.

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Desfile de tropeiros marcou a inauguração do MemorialPrefeitura de Diamantina/Divulgação

Influência tropeira

Assim como praticamente todas as regiões do Brasil, os tropeiros de Diamantina e região fomentavam o comércio da época e os ferreiros a indústria. A cidade chegava a receber até mais de 1.000 tropeiros em um único dia, transportando alimentos, utensílios domésticos, peças de tecidos e todo tipo de mercadoria necessária a comunidade. Eram eles também que traziam as últimas notícias, dos grandes centros, cartas e encomendas pedidas.

Para simbolizar essa história, a inauguração do Memorial do Tropeiro e Ferrador de Diamantina contou com a presença da Comitiva Muladeiros da Serra, da região da Serra do Cipó, que fizeram parte do percurso que realizam anualmente, percorrendo trilhas do Vale do Jequitinhonha até chegar em Diamantina, no dia da inauguração. "Já fizemos esse percurso completo umas cinco vezes e aproveitamos a inauguração do Museu e do aniversário de Diamantina para prestigiar  a cidade. Foi uma festa muita bonita,", comentou Wander Pereira, presidente da Comitiva dos Muladeiros da Serra, durante participação no programa "Palavra do Tropeiro", na quinta-feira (10/3). Veja a íntegra abaixo. 

Ao longo dos caminhos por onde passavam, os tropeiros contribuíram para o surgimento de vários povoados e vilarejos, sendo que muitos se tornaram cidades. “Mas sem os ferreiros nada teria sido possível”, explica Júnior, destacando que, nesse caso, se trata apenas de "ferradores", mas sim de todo utensílio produzido em ferro. Aí se inclui freio, ferradura, estribo, espora, fação, tesoura, panela, chaleira, mancebo e muitos outros artefatos fundamentais para as tropas. Também forneciam todo tipo de materiais de ferro para a comunidade e garimpo. Dobradiça, cravo, braçadeira, balança, espingarda, faca, fechadura, colher e muito mais”, concluí Júnior.

ABAIXO, a íntegra das entrevistas de organizadores do Memorial e membros da Comitiva Muladeiros da Serra, no programa "Palavra do Tropeiro", da quinta-feira (10/3).

Por Claudio Rostellato/Revista Muladeiros
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