05-Mar-2020 18:19 - Atualizado em 05/03/2020 18:39
Treinamento

Disponibilizando as dobradiças - Parte 2

Como os exercícios da escola clássica – ou acadêmica – podem ajudar a melhorar nossos cavalos

Revista Horse,
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Na matéria anterior falamos (Veja AQUI) sobre como disponibilizar as dobradiças no trabalho de chão. Seria importante ler a parte 1 na edição anterior para melhor compreender o assunto seguinte.

Fica nítido o esforço físico do cavalo e controle de seu corpo necessário para execução dessas manobras, Dudi Ometo,  Treinamento,  Rédeas,  Revista Horse,  Projeto Doma, Adilson Silva/Foto Perigo, Disponibilizando as dobradiças - Parte 2
1/3 Fica nítido o esforço físico do cavalo e controle de seu corpo necessário para execução dessas manobrasAdilson Silva/Foto Perigo
Fica nítido o esforço físico do cavalo e controle de seu corpo necessário para execução dessas manobras, Dudi Ometo,  Treinamento,  Rédeas,  Revista Horse,  Projeto Doma, Adilson Silva/Foto Perigo, Disponibilizando as dobradiças - Parte 2
2/3 Fica nítido o esforço físico do cavalo e controle de seu corpo necessário para execução dessas manobrasAdilson Silva/Foto Perigo
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3/3 Fica nítido o esforço físico do cavalo e controle de seu corpo necessário para execução dessas manobrasAdilson Silva/Foto Perigo
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Existem muitos exercícios desenvolvidos pela escola clássica ou acadêmica que possibilitam disponibilizar essas dobradiças. Vou citar no final do artigo algumas referências bibliográficas onde vocês poderão encontrar detalhadamente esses exercícios, como espádua a dentro, travers, renvers , variações de cedências, de apoiares, com figuras ilustrando o movimento e textos explicando como usar as ajudas de mãos, pernas, assento... para executá-los.

Seria difícil e talvez ineficiente explicá-los de forma resumida em um artigo, por isso acredito ser melhor citar algumas referências para que os leitores possam conhecer esses exercícios e estudá-los com mais profundidade.

Em 2004, quando comecei competir na modalidade de Rédeas, senti necessidade de entender melhor  a  mecânica dos movimentos dos cavalos. Buscando informações percebi que os profissionais do adestramento clássico eram alguns dos que entendiam melhor desse assunto. Então que marquei um curso com o senhor Orlando Facada, um dos profissionais de adestramento clássico mais experientes do Brasil.

Foi aí que comecei a entrar em contato com esses exercícios da escola acadêmica. Senhor Orlando me explicou coisas que teoricamente entendi, mas só fui sentir realmente embaixo de minha sela depois de um ano montando 8 horas por dia. Também tive aulas com o Wilson Ricciluca, profissional também do adestramento clássico com quem aprendi fundamentos  importantes da equitação. Por um bom período fiquei bem envolvida, estudando na prática esses exercícios da escola acadêmica. Com o auxílio desses profissionais e com minha prática intensa, fui percebendo melhor onde as partes do corpo do cavalo deveriam estar para que ele conseguisse desempenhar sua função atlética da melhor forma possível e como disponibilizar essas dobradiças para que eu conseguisse colocar as partes do corpo do cavalo na posição desejável e como fortalecê-lo gradualmente de forma que ele conseguisse se sustentar nessa nova posição que não era a de seu costume.

Hoje recebo assistência do profissional Nidzinji Pontes, também do adestramento clássico, que me ajuda no entendimento e aprofundamento na prática desses exercícios da escola acadêmica, que considero a academia e também o Pilates do cavalo.

Esses exercícios, além de disponibilizar as dobradiças do cavalo propiciando o controle do seu corpo, nos possibilitam perceber, durante a execução, os membros mais fracos, os membros com pouca amplitude de movimento. A partir desse diagnóstico, podemos usar os exercícios de forma adequada para a necessidade de cada animal, podendo desenvolver um cavalo sob controle, com movimentos equilibrados, elásticos e fortes.

Para aprendermos a executar esses movimentos, acredito precisarmos de um instrutor e um cavalo que já saibam fazê-los. Isso é fundamental para que possamos criar habilidade para fazer mecanicamente e sentir como o movimento deve acontecer embaixo da nossa sela.

Depois de estar entendendo e executando melhor, vem a fase que exige muita prática e observação. Isso porque, quando pegamos um cavalo para iniciar o programa dos exercícios, precisamos conseguir fazer o diagnóstico de onde ele está e saber como apresentar o exercício de forma que ele consiga primeiramente compreender o movimento para, depois, ir aumentando o grau de dificuldade de forma coerente, que possibilite o cavalo realmente evoluir como atleta.

Saber perceber onde estão as fraquezas do nosso cavalo, as partes rígidas, é essencial para que possamos aplicar os exercícios de forma adequada. Muitas vezes precisamos investir mais em um exercício de um lado do que de outro. Por exemplo: se sinto que meu cavalo tem dificuldade de impulsão no pé direto, mas não tem no esquerdo, preciso investir em exercícios que promovam melhora de impulsão mais do lado do pé direito do que do esquerdo. Ao mesmo tempo, preciso perceber a quantidade e intensidade ideal, pois se fizer aquém não vou desenvolver essa impulsão necessária, e se fizer além vou desmotivar o cavalo a se esforçar, aí o efeito será o contrário do desejado.

Esses exercícios fazem parte da competição de adestramento clássico.

No meu caso, usufruo deles como a ginástica que disponibiliza as partes do meu cavalo para que eu possa controlá-lo, desenvolver força e alongamento iguais dos dois lados.

Assim, como um tenista não se desenvolve como atleta apenas jogando tênis, sabemos que vai passar por vários treinos fora das quadras para aumentar sua força e agilidade, fundamentais para melhorar sua performance na quadra.  

Acredito ser a mesma coisa no cavalo. Por exemplo: no meu caso, que trabalho com cavalo de Rédeas, uso esses exercícios da escola clássica ou acadêmica para que eles estejam mais fortes e simétricos para executar as manobras específicas da minha modalidade.

Nos próximos artigos vou escolher um exercício dos que costumo praticar para descrever sobre ele. (Artigo publicado na edição 96 da Revista Horse)

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Referências Bibliográficas: The Complete Training of  Horse and Rider, Alois Podhajsky. Adestramento para a Nova Era, Dominique Barbier. Montando Fácil, volume 1, Wilson Ricciluca Junior.

 

Revista Horse/Fotos: Adilson Silva/Foto Perigo/Eduardo Borba
Dudi Ometto

Dudi Ometto

Treinadora de Rédeas do Projeto Doma e Zootecnista. E-mail: [email protected]

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