08-Fev-2021 08:52
Treinamento

Do básico ao avançado

A equitação evolui dia a dia, começando desde a base e seguindo até os exercícios mais completos

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Caros leitores, há, exatamente, quatro anos eu estava me apresentando como novo colunista desta conceituada revista. Minha ideia, que acredito estar sendo realizada, tem sido escrever temas cujos conteúdos sejam evolutivos, começando pela base e seguindo até os exercícios mais avançados. Gostaria, portanto de, nas próximas colunas, fazer um apanhado de todo este tempo com o intuito de, juntos, realizarmos uma reflexão.
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A linguagem com os cavalos é universal, mas a maneira de aplicá-la é individual
Curioso remeter-me ao primeiro artigo cujo título foi: Equitação só tem duas: a boa e a ruim. O meu pensamento continua o mesmo, visto que no início deste ano eu escrevi exatamente sobre isso. A boa equitação é aquela que funciona, sobretudo aquela em que o cavalo é melhorado física e mentalmente. Equitação é uma ginástica controlada, sistemática, cujos resultados deverão aprimorar o cavalo como um todo. Resumindo: equitação deve fazer o bem!
Ainda na primeira coluna dou ênfase à qualidade da comunicação com o cavalo e digo: é fundamental que o cavalo compreenda os seus pedidos e para que isto aconteça você deve, primeiro, compreendê-lo. Para tanto você precisa de conhecimentos gerais acerca de todos os assuntos ligados aos cavalos. Quem lida com eles diariamente deve ter um constante e inesgotável interesse em conhecê-los e estudá-los. A linguagem com os cavalos é universal, mas a maneira de aplicá-la é individual. A diferença entre um cavaleiro comum para um bom cavaleiro é exatamente isto: a qualidade da comunicação com o cavalo e a maneira de aplicar corretamente esta comunicação. E como fazer isto? Além do conhecimento técnico é preciso exercitar em você as qualidades para ser verdadeiramente um ótimo cavaleiro. É necessário e fundamental ser calmo e paciente. Na vida com os cavalos a pressa é, de fato, inimiga da perfeição. É preciso dar o tempo necessário para cada lição, lembrando sempre que cada cavalo tem o seu próprio ritmo de aprendizagem.
Sigo nos próximos artigos mencionando a importância do trabalho de chão, ressaltando sobre a qualidade da comunicação nestes exercícios, visto que este trabalho está diretamente ligado ao trabalho montado. Ele deve ser parte integrante do Programa de Treinamento do cavalo. Ao realizar um correto e consistente trabalho de chão, é certo que você construirá um cavalo desperto, obediente, atendendo as ajudas calmamente e com vontade, sendo favorecido por um trabalho que visa não somente o bem estar físico como também uma mente alerta, saudável e comunicativa.
Na sequência cito a Escala de Treinamento. De uma maneira ou de outra essa escala sempre esteve presente em meus artigos, já que o progresso de um cavalo somente será possível se os exercícios forem apresentados de forma lógica, interligada e progressiva, levando sempre em consideração as pré-condições necessárias. Lembrando que cada degrau do treinamento terá um tempo individual de aprendizado, já que a absorção do conhecimento por parte do cavalo é inerente a uma série de fatores como a aptidão natural (talento), a genética, as características morfológicas, etc.
Sigo fazendo referências ao cavalo novo e à sua iniciação. É muito comum, mas não correto, escutar que o cavalo novo não precisa de um cavaleiro excelente para iniciar os primeiros exercícios. Contudo, costumamos escutar também que todos os pais desejam que seus filhos tenham uma ótima professora desde o início de sua vida escolar. Com os cavalos não deve ser diferente. Deve-se oferecer ao cavalo novo um cavaleiro experiente. O cavaleiro experiente não plantará más sementes desenvolvendo resistências, que no futuro serão difíceis de serem solucionadas. Ele sabe que no início da vida de um cavalo novo o pensamento deverá estar focado em “para frente” e “para baixo”, tendo como base a escala mencionada acima.
Como alguns leitores poderão agora estar se perguntando sobre qual escala estou me referindo, citarei a sequência lógica da mesma: ritmo, descontração, contato, impulsão, retidão e reunião. Através dessas diretrizes e levando sempre em consideração se as pré-condições necessárias estão disponíveis, o cavalo novo deverá mostrar-se disposto e compreensível às ajudas. O bom cavaleiro atua corretamente ao iniciar o seu cavalo pela base, seguindo a Escala de Treinamento, assim como uma criança deve iniciar o seu aprendizado pelas letras do alfabeto antes de ser capaz de ler as palavras.
Nos próximos artigos continuarei, revisando os artigos já publicados, numa síntese de cada tema, em sequência cronológica e pedagógica, para meus caros leitores, amigos meus e da Arte Equestre! Até breve! (Artigo publicado na edição 87 da Revista Horse)

Revista Horse
Ndzinji Pontes

Ndzinji Pontes

Cavaleiro angolano radicado no Brasil, titular da Coudelaria Função em Ibiúna, SP, é um dos mais respeitados treinadores de adestramento do Brasil, recebendo em seu centro de treinamento os mais importantes cavalos da modalidade no Brasil.

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