27-Jul-2020 11:14 - Atualizado em 27/07/2020 11:25
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Doutores da Amizade

Grupo de médicos gaúchos confirma e receita: cavalgada faz bem à saúde

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Depois de muitos anos de pesquisas práticas, um seleto grupo de médicos gaúchos, entre eles, especialistas em diversas áreas, concluiu o que muita gente já imaginava: as cavalgadas fazem bem à saúde. O trabalho vem sendo realizado há 16 anos nas paradisíacas praias da região de Tavares, no litoral do Rio Grande do Sul, na conhecida região entre a Lagoa do Pato e a reserva ecológica da Lagoa do Peixe. A confirmação ocorreu no início de abril deste ano, durante a Cavalgadas do Itapuã Sul, com a presença da reportagem da Revista Horse.

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Os médicos gaúchos aproveitam a cavalgada para curtir um bom churrasco, uma roda de bate papo e apreciar as belas paisagens a cavalo
Claro que se trata de uma brincadeira e, como tal, com algum fundo de verdade. A pesquisa é, na verdade, uma receita que doutor Ricardo Marantes sugeriu aos colegas para aliviar o estresse do dia-a-dia das clínicas, hospitais e salas de cirurgia. Já faz 16 anos que eles se reúnem, sempre no período de abril, para a denominada Cavalgada do Itapuã Sul, e os bons resultados têm ajudados a manter a tradição. “É uma forma de revermos velhos amigos, colocar os assuntos em dia e proporcionar momentos de descanso e confraternização”, diz o ortopedista Jorge Augusto Hecker Cappel, que sai todo ano de Uruguaiana (RS) para acompanhar a cavalgada.
A maioria dos médicos é de Porto Alegre, onde parte a comitiva em um micro-ônibus. A saída é um momento esperado e festejado por todos. Sempre há a expectativa dos reencontros e de quem vai aparecer. Como o grupo é grande, mais de 20 pessoas, nem sempre todos podem estar presentes, já que médicos estão sujeitos aos imprevistos dos pacientes.
Neste ano, o grupo foi formado por 18 participantes. O fisiatra Ricardo Brum Marantes, proprietário do Haras Itapuã Sul, organiza tudo e acumula cargos importantes, tais como diretor geral da cavalgada, presidente do conselho deliberativo e CEO da comissão de ética. “É o que podemos chamar de uma divisão democrática”, brinca ele, com o bom humor peculiar que compartilha com os amigos.
Bom humor, aliás, é um requisito básico entre todos os participantes. Logo por volta das 7h, quando todos esperam o café-da-manhã, forma-se a roda de prosa na varanda e abre-se o debate de boas histórias. Depois de todos esses anos de convivência em cavalgadas, os personagens acabam ficando na própria roda. Sempre há um enredo engraçadíssimo envolvendo um dos doutores e o bate-papo acaba virando uma roda de histórias hilárias. Algumas impublicáveis, é verdade, mas nada que comprometa a seriedade dos personagens. O que vale mesmo é o espírito de alegria e descontração, que contagia a todos. E convenhamos: rir às 7h30 da manhã faz um bem danado à saúde.
O clima de descontração se estende durante todo o dia, seja no bater de estribos durante a cavalgada ou nos intervalos para refeição. Os assuntos variam por todas as esferas do conhecimento humano. Algumas vezes, a conversa também fica séria, afinal não é sempre que se tem a oportunidade de discutir assuntos do cotidiano de trabalho, ética profissional e coisas do gênero.
Durante um papo de almoço, um dos médicos contava a história de um paciente que teve de atender no dia 26 de dezembro, quando foi questionado com a brincadeira do amigo: “Mas você trabalhou dia 26 de dezembro?” A resposta veio rápida e precisa: “Salvei uma vida!”, justificou. Por aí dá para perceber porque precisam de um calendário especial para curtir os amigos.

Cultura gaúcha

A preferência pela cavalgada também não é por acaso. Como todo bom gaúcho, a cultura equestre faz parte da tradição e o cavalo – Crioulos, de preferência – faz parte da vida de muitos deles. Para se ter um ideia, dos 18 médicos presentes, pelo menos 10 deles tinham suas próprias tralhas e arreios. Mantêm os costumes de montar aos finais de semana em seus próprios animais. Marantes, o proprietário que cria Lusitanos, é um ponto fora da curva. Mas sobre isso falamos mais adiante.
A indumentária também segue à risca os costumes gaúchos. Para o passeio na região da Lagos dos Patos, todos pilchados, com bombachas, bota de cano alto e lenço no pescoço. Na bagagem, a cuia e bomba de chimarrão, claro.

Paisagens exuberantes

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O grupo andou boa parte dentro da água rasa, em praias do mar salgado e dunas brancas que compõem um lindo visual com o céu azul e o reflexo do pôr-do-sol
O percurso é sempre recheado de belíssimas paisagens. No primeiro dia, cavalgamos 24 km no trajeto de ida e volta, à margem da Lagoa dos Patos. Os pinos, comuns na região, formam um cinturão verde que realça com as areias da praia de água doce. O desenho da costa vai variando até chegar a pequenas dunas, altas, um bom cenário para fotos.
Quase sempre andamos a passo, variando pequenos trechos a trote ou galope. Os cavalos são mansos e mesmo os garanhões, sempre montados com um maior cuidado, tem um comportamento dentro dos padrões de normalidade.
No almoço, seguimos o ritual gaúcho. A equipe de apoio já adiantara um autêntico “fogo de chão”, coisa rara de ver longe de terras sulistas. Feita a boia, um leve descanso e pé no estribo de volta para casa.
No dia 5, fizemos o outro lado, no trecho da Lagoa do Peixe, chamado mar de fora. A paisagem é bem mais variada. Andamos boa parte dentro da água rasa, em praias do mar salgado e dunas brancas que compõem um lindo visual com o céu azul.
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O passeio percorreu trechos da Lagoa dos Patos e Lagoa do Peixe, com belos cenários variados
No caminho, bandos de pássaros exóticos, como Flamingos e patos selvagens, entre outras aves. Também é possível avistar, de longe, rebanhos de cavalos criados a solto galopando pelas águas. Um cenário impagável.
Na volta, o reflexo do pôr-do-sol nas águas fecha o dia como um presente da natureza. Os conjuntos de cavalos e cavaleiros enfileirados desenham a silhueta na contraluz, com imagens que são um verdadeiro remédio para almas cansadas do cotidiano urbano e estressante.
Diante de tanta exuberância de prazeres, não é difícil entender por que os doutores gaúchos se especializaram em se reunir anualmente para o esse privilegiado período de descanso. Cavalgadas fazem mesmo muito bem à saúde. Ano que vem tem mais!

Um passeio recomendado

O criador Ricardo Marantes é um dos poucos, se não o único, a criar Puro Sangue Lusitanos no Sul do País. Sua criação vem da linhagem de uma das maiores autoridades em cavalos do Brasil, o criador Ênio Monte, um dos fundadores no Brasil das associações de Lusitano, Brasileiro de Hipismo e, mais recentemente, do Andaluz Brasileiro. “Seu Ênio é realmente uma pessoa que fez muito pelo cavalo no Brasil, em especial o Lusitano, por isso resolvemos dar o mesmo no de seu criatório em São Paulo ao nosso”, explica Marantes.
Marante, por sua vez, faz valer a marca e mantêm animais de boa qualidade e que atendem todos os tipos de cavaleiros, sejam eles ocasionais, amadores ou experientes. “O que tentamos proporcionar é um passeio agradável, no qual as pessoas possam curtir e desfrutar de todas as maravilhas que a natureza reservou nesta região”, diz.
Doutor Marantes, como é chamado na região, é de fato um anfitrião de primeira, justamente com sua esposa Isabel e a filha Isabela, que dividem com ele a paixão pelos cavalos e o carinho com os hóspedes.
A cavalgada com o grupo de médicos gaúchos foi a segunda vez que a reportagem da Horse esteve no local. Dá para garantir que, como gosta de se gabar o proprietário, é uma das melhores cavalgadas do Brasil, tanto pelos cenários variados e exuberantes quanto pela qualidade dos animais, equipe de apoio e organização. Quem quiser informações sobre passeios do local pode ligar para (51) 9967-4142 ou pelo e-mail [email protected]. (artigo publicado na edição 66 da Revista Horse)

 

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