16-Jan-2018 18:54 - Atualizado em 01/03/2018 17:03
Treinamento

Exercícios da Escala Acadêmica

 

Exercícios da escola acadêmica

Como a cedência e apoio podem ajudar a melhor a flexibilização do cavalo

Na matéria anterior, falei por que considero esses exercícios importantes e citei algumas referências bibliográficas para o leitor que desejar se aprofundar no assunto. Finalizei o artigo dizendo que nas próximas edições estaria explicando e ilustrando melhor alguns desses exercícios que uso no meu programa de treinamento. Então, vamos lá. Esses exercícios podem ser divididos em dois grupos: cedências e apoios.

Nas cedências, o cavalo se desloca no sentido contrário do arqueamento do seu corpo (ex: corpo do cavalo arqueado para direita se deslocando para a esquerda).  Nos apoios, o cavalo se desloca no mesmo sentido do arqueamento do seu corpo (ex: corpo arqueado para direita se deslocando para a direita).

Esses dois grupos de exercícios têm igual importância e se complementam, porém as cedências têm um grau de dificuldade de execução menor. Então, primeiro ensinamos as cedências e depois os apoios. Os dois vão desenvolver amplitude, flexibilidade e impulsão na movimentação do cavalo, porém nos apoios o cavalo deposita menos peso nas paletas do que nas cedências.

Vou ilustar uma variação de cada exercício citado, mas cabe destacar que dentro do mesmo exercício temos pelo menos três variações de angulação e encurvatura, que vai da menos acentuada para mais acentuada.
Quando falo de angulação, estou dizendo a respeito do ângulo do corpo do cavalo em relação à linha de referência à qual o cavalo está passando para fazer o exercício, seja numa reta ou num círculo. Por exemplo: na figura 1 e 2 assinalei um x nessas linhas. Então o corpo do cavalo pode dentro do mesmo exercício estar com uma angulação maior ou menor em relação a essa linha de referência. Com relação à encurvatura, o cavalo pode estar dentro do mesmo exercício com o corpo mais ou menos encurvado.

Quanto mais angulado estiver o corpo do cavalo, maior será a amplitude lateral dos seus movimentos. Quanto mais encurvado, teremos maior flexibilidade dos movimentos e menor engajamento. Quanto menos encurvado, teremos mais engajamento. Todos esses quesitos (amplitude de movimento, flexibilidade e engajamento) são de extrema importância. Cabe a nós, cavaleiros e amazonas, saber equilibrar esse “tempero”. 

 

Nesse artigo vou falar da cedência numa linha reta com a garupa a dentro da pista (figura 1 e foto1) e da cedência num círculo com a garupa pra fora do círculo (figura 2 e foto 5). A mecânica do movimento é igual e as ajudas do cavaleiro também; o que muda é só a figura. Um é praticado numa reta, o outro num círculo e, como falei anteriormente, dentro do mesmo exercício vamos ter variações de angulação e encurvatura.

Tanto a mecânica do cavalo como as ajudas do cavaleiro vão ser as mesmas nas duas situações (na reta e no círculo).

Outra referência importante de esclarecer e que estaremos falando bastante é lado de dentro e lado de fora do cavalo e cavaleiro. O lado de dentro é sempre o lado da encurvatura do cavalo. Então, se ele está arqueado ou encurvado para a direita, o lado de dentro é  o direito e o lado de fora é o esquerdo, tanto do cavalo quanto do cavaleiro ou amazonas.

Vou agora descrever a movimentação do cavalo e as ajudas do cavaleiro, ilustrando com fotos para facilitar a compreensão.

Nesse exercício, praticamos a abertura do pé de fora (foto1 na reta e foto 5 no círculo). O cruzamento do pé de dentro (foto2 na reta e foto 6 no círculo). A abertura da mão de fora (foto 3 na reta e foto 6 no círculo). O cruzamento da mão de dentro (foto4 na reta e foto 5 no círculo).

Com relação ao cavaleiro ou amazonas, a perna de dentro (fotos 5 e 6) trabalha perto da barrigueira, ajudando na construção da encurvatura e no deslocamento do cavalo para o lado contrário à encurvatura. Se o cavalo está aprendendo e mostra dificuldade em deslocar a garupa no sentido do deslocamento, coloco minha perna de dentro mais para trás para ajudar no deslocamento dessa garupa, mas, assim que ele aprende, volto na posição descrita anteriormente.

A perna de fora (foto 3) está na posição natural, ajudando na impulsão do cavalo e em algumas situações posso usá-la um pouco mais para frente para ajudar a segurar a paleta, já que às vezes começa a se deslocar mais do que a garupa para compensar a dificuldade de deslocamento da garupa.

A rédea de dentro (fotos 5 e 6) trabalha a encurvatura do cavalo e a rédea de fora (foto 3) impulsiona o movimento.

Nesse exercício, a garupa se desloca mais que a paleta.

No próximo artigo falaremos de outro exercício. Até a próxima. 

Revista Horse/Colaboração Ndjinzi Pontes/ Fotos: Eduardo Borba/Ilustrações retiradas do Livro Montando Fácil, de Wilson Ricciluca.
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