06-Jun-2018 14:13 - Atualizado em 06/06/2018 17:07
Zoonose

Febre do Nilo preocupa Espírito Santo

Casos da doença, transmitida por picada de pernilongos, foram confirmados em cidades do Norte do estado e mobilizam autoridades sanitárias

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Febre do Nilo

A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) confirmou nesta quarta-feira (5/6), por meio de publicação no site oficial Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), a ocorrência de casos de infecção em equídeo pelo vírus da Febre do Nilo, uma doença neurológica. O problema foi registrado em uma propriedade em São Mateus e o Idaf teve conhecimento a partir da notificação de óbito em cavalos na região, o que chamou atenção dos técnicos responsáveis na Sesa e desencadeou o trabalho de investigação dos casos. O exame confirmatório foi realizado pelo Instituto Evandro Chagas, laboratório oficial do Ministério da Saúde.

Ao todo foram seis notificações de mortalidade de equídeos por síndromes neurológicas nos municípios de Baixo Guandu, Nova Venécia, Boa Esperança e São Mateus, todas entre abril e maio deste ano. Apenas uma coleta indicou caso positivo para o vírus em questão. Em 2017, foram 25 notificações em todo o Estado, mas nenhuma com diagnóstico dessa doença. 

A Sesa, em parceria com o Idaf, mantém o trabalho de investigação epidemiológica nos municípios onde houve notificação, acompanhando as propriedades, verificando novas ocorrências, assim como realizando a vigilância em relação a mortalidade de aves silvestres, entre outras ações.

Como se trata de uma zoonose, ou seja, a doença pode ser transmitida aos seres humanos, a Sesa tem acompanhado o caso, juntamente com o Idaf. Dessa forma, caso haja ocorrência em humanos, o diagnóstico e o tratamento poderão ser feitos em tempo oportuno. Não há registro da doença em humanos no Espírito Santo. No Brasil, o Piauí foi o primeiro estado a registrar um caso da doença, em 2014.

Notificação

A comunicação é essencial para detectar a ocorrência de possíveis casos da doença e adotar as medidas sanitárias necessárias. Por isso, ao notar casos de mortalidade em equinos ou sinais de doenças neurológicas, a Sesa e o Idaf devem ser imediatamente notificados. A notificação pode ser feita diretamente nos escritórios locais do Idaf, por telefone ou mesmo por e-mail. Os contatos dos municípios estão disponíveis no site do Idaf (www.idaf.es.gov.br). Também é possível notificar na Secretaria Estadual de Saúde, pelo telefone (27) 9.9849-1613 ou pelo e-mail [email protected]

O que é a Febre do Nilo

A Febre do Nilo é uma doença viral que acomete vários animais e também humanos. A transmissão ocorre pela picada de mosquito. Humanos e equídeos não são capazes de infectar os mosquitos responsáveis pela transmissão da doença. Humanos e equídeos não transmitem a doença entre si, nem passam de um para o outro.

Em geral, os sintomas nos animais são falta de coordenação motora, andar cambaleante, cegueira, cabeça baixa, orelhas caídas, apatia, podendo ser fatal. A doença também acomete aves e, nesses animais, observa-se mortalidade elevada. Não há tratamento específico.

"Mediante situação epidemiológica da doença, principalmente em locais em que há um aumento nos números de notificações sugestivos de arboviroses, solicitamos atenção aos profissionais de saúde especialmente entre pacientes que desenvolvam quadros neurológicos virais ou bacterianos, tais como: encefalite, meningoencefalite, síndrome de Guillan-Barré, entre outros, que seja observado o diagnóstico diferencial com a infecção pelo VNO (Vírus do Nilo Ocidental)", diz um trecho da nota técnica da Sesa.
A nota técnica da Sesa inforna que nos anos 1990 pequenos surtos de Febre do Nilo Ocidental foram registrados nas América e epidemiais maiores foram registradas em países da África, Europa e em Israel.
Entretanto, a partir de 1999, os Estados Unidos registraram milhares de casos. Depois, a doença foi detectada no Canadá e em países da América Central. Nos últimos 15 anos foram divulgadas evidências de circulação do vírus em alguns países da América do Sul.

No Brasil, a partir de 2003, o Ministéro da Saúde incluiu a Febre do Nilo Ocidental na Lista Nacional de Doenças e Agravos de Notificação Compulsória. Em 2011, o vírus foi encontrado nas regiões amazônica e do Pantanal.
De acordo com a nota técnica da Sesa, é possível que o vírus tenha sido introduzido no Brasil por aves silvestres migratórias provenientes do hemisfério norte ou de outros países da América do Sul.
Em 2014, foi confirmada a presença do vírus em mosquitos do gênero Culex, em aves domésticas, em cavelos e no líquor humano no interior do Piauí.
 
Saiba o que é a febre do Nilo ocidental
 
A Febre do Nilo Ocidental é uma doença causada por um vírus do gênero 'Flavivírus' e transmitida principalmente pela picada de mosquitos Culex, popularmente conhecido como pernilongo. É uma infecção viral que pode surgir sem sintomas ou com diferentes sintomas e graus de gravidade, que variam desde febre e dor muscular até encefalite grave.
As formas graves ocorrem com maior frequência em idosos. Assim como dengue, zica e chikungunya, o vírus da Febre do Nilo Ocidental pode causar manifestações neurológicas como encefalite, meningite, síndrome de Guillan-Barré, entre outras.

Transmissão
 

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Febre do Nilo
De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus do Nilo Ocidental é transmitido por meio da picada de mosquitos infectados.
Os hospedeiros naturais são algumas espécies de aves silvestres, que atuam como amplificadoras do vírus (viremia alta e prolongada) e como fonte de infecção para os mosquitos. Também pode infectar humanos, equinos, primatas e outros mamíferos.
O homem e os equídeos são considerados hospedeiros acidentais e terminais, uma vez que a viremia se dá por curto período de tempo e em níveis insuficientes para infectar mosquitos, encerrando o ciclo de transmissão.
Outras formas mais raras de transmissão já foram relatadas e incluem transfusão sanguínea, transplante de órgãos, aleitamento materno e transmissão transplacentária.
A transmissão por contato direto já foi demonstrada em laboratório para algumas espécies de aves. Não há transmissão de pessoa para pessoa.

Sintomas
 
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Febre do Nilo
Estima-se que 20% dos indivíduos infectados desenvolvam sintomas, na maioria das vezes leves. A forma leve da doença caracteriza-se por febre aguda de início abrupto, frequentemente acompanhada de mal-estar, anorexia, náusea, vômito, dor nos olhos, dor de cabeça, mialgia, exantema máculo-papular e linfoadenopatia.
O período de incubação intrínseca - tempo entre a infecção do hospedeiro e a manifestação de sinais e sintomas - nos humanos varia de 3 a 14 dias após a picada do mosquito e pode apresentar manifestação subclínica ou com sintomatologia de distintos graus de gravidade, variando desde febre passageira - acompanhada ou não de mialgia (dor muscular) - até sinais e sintomas de acometimento do sistema nervoso central com encefalite ou meningoencefalite grave.
As formas mais graves ocorrem com maior frequência em indivíduos com idade superior a 50.

Tratamento
 
Não existe vacina ou tratamento antiviral específico para a Febre do Nilo Ocidental. O tratamento é sintomático para redução da febre e outros sintomas.
Os casos mais graves frequentemente necessitam de hospitalização para tratamento de suporte, com reposição intravenosa de fluídos, suporte respiratório e prevenção de infecções secundárias, além de tratamento específicos para pacientes com quadros de encefalites ou menigoencefelite em sua forma severa.

 

Sese/Tv Gazeta
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