12-Mar-2020 16:29 - Atualizado em 13/03/2020 09:46
Nutrição

Feno ideal

Plantas forrageiras durante o crescimento vegetativo apresentam alto valor nutritivo e, à medida que passa para a floração, o valor decresce acentuadamente

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Os equinos são herbívoros verdadeiros de ceco-cólon funcional com característica alimentar de pastejo contínuo e rasteiro, ou seja, são animais que se alimentam em grande parte de forragem, podendo se alimentar exclusivamente deste. São animais que ao longo do trato digestivo, possuem uma câmara fermentativa que permite digerir e aproveitar nutrientes dos vegetais. O fato dos equinos em sua maioria serem direcionados a realizarem atividade física (competições) e aumentarem sua exigência nutricional faz com que aja a necessidade de suplementação alimentar com alimentos concentrados (rações), minerais e vitaminas.

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Os equinos em manutenção podem nutrir-se adequadamente em regime de campo, para isto é necessário o fornecimento de forragens com bons valores nutricionais
Os equinos em manutenção podem nutrir-se adequadamente em regime de campo, para isto é necessário o fornecimento de forragens com bons valores nutricionais. Mesmo os animais em competição exigem volumosos de alta qualidade nutricional, pois podemos ganhar mais benefícios na digestão dos alimentos e economia monetária, uma vez que as forragens têm valor agregado menor do que os concentrados (rações).
As dietas de equídeos devem ter a premissa atendida sobre um volume mínimo de forragens. O ideal é que utilize o máximo dos volumosos e apenas suplemente a dieta com rações, quando isso for possível. Muito se trabalha com o conceito de que os animais necessitam de volumoso na ordem de pelo menos 1% do seu peso vivo de matéria seca. Por exemplo, um animal de 500 kg de peso vivo, tem que consumir no mínimo, 5 kg de matéria seca por dia oriundo de volumoso, em se falando de feno, seria na ordem de 5,9 kg de feno (com 15% de umidade).
Animais estabulados, seja apenas para evitar acidentes, ou que sejam animais destinados à competição, necessitam que todos os componentes de suas dietas, sejam oferecidos no comedouro. Este é um motivo, para qual a utilização de fenos se torne algo prático, na alimentação. Seco, enfardado, já armazenado, muitas vezes próximo às cocheiras, os fenos, tradicionalmente ficaram conhecidos como as principais fontes de volumosos.

Qualidade nutricional

O valor nutritivo das plantas é afetado por fatores fisiológicos, morfológicos, ambientais e por diferenças entre espécies, sendo que, no caso das forrageiras, o declínio do valor nutritivo está associado ao aumento da idade, normalmente explicado como o resultado da maturidade da planta e, consequentemente, aumento da lignificação das plantas, afetando principalmente a digestibilidade da mesma (aproveitamento). Contudo, a digestibilidade de dietas completas pode ser influenciada principalmente em função das características intrínsecas dos alimentos utilizados, especialmente como composição química, a quantidade consumida, o tamanho de partícula, o teor em água, a quantidade de fibra, entre outros.

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Seco, enfardado, já armazenado, muitas vezes próximo às cocheiras, os fenos, tradicionalmente ficaram conhecido como as principais fontes de volumosos
O propósito da fenação é obter uma forragem desidratada de alta qualidade, que possibilite armazenar por períodos longos sem perder a qualidade nutricional; sendo que para produzir um feno de alta qualidade algumas condições são necessárias, primeiramente a forragem a ser cortada deve ser de boa qualidade e posteriormente a secagem deve ser feita com um mínimo de perda de nutrientes, que se consegue com uma secagem rápida que leva a planta à sua inatividade.
Forrageiras, comumente utilizadas para produção de fenos para equinos, durante a fase de crescimento vegetativo, apresentam 75 a 85% de água, ou seja, 15 a 25% de matéria seca, e com o aumento da idade, durante a fase de floração apresentam cerca de 65 a 75% de água podendo chegar a teores de 55% de água, e o estágio de crescimento da planta é que determina o seu valor nutritivo.
Plantas forrageiras durante o crescimento vegetativo apresentam alto valor nutritivo e à medida que passa para o reprodutivo (floração) este valor decresce acentuadamente. Contudo, cortar planta muito jovem não é interessante, devido à baixa produção de matéria seca. Nutricionalmente isso é muito interessante, pois se teria um teor nutricional maior e com uma digestibilidade maior, comercialmente não é tão vantajoso, pois se teria uma menor produção de matéria seca por área cultivada.
O processo de secagem começa quando a planta é cortada, portanto, secagem mais rápida, determinará menores perdas na respiração e, consequentemente, obtêm-se uma forragem conservada com valor nutritivo mais elevado. A composição química e o valor nutritivo de uma forragem em um determinado momento é o resultado dos fatores do meio (fertilidade e umidade do solo) e do potencial genético da planta forrageira. Os fatores genéticos determinados pelas espécies de plantas e os cultivares, o tipo de crescimento e à resposta a determinados fatores do meio, como clima, solo, manejo, pragas e doenças e precipitação média, influenciam diretamente na composição química bromatológica do feno, por isso que um feno da mesma espécie (ex. Alfafa), pode haver variações nos teores de proteína bruta (19 a 25% de proteína bruta).
A planta forrageira durante o crescimento vegetativo tem uma alta proporção de folhas em relação a hastes; desta forma, com alto conteúdo de umidade, proteínas, minerais e baixo teor de fibras, inclusive lignina (substância presente na parede vegetal praticamente indigestível pelos herbívoros), ao passar do estágio de crescimento vegetativo para reprodutivo sofrem várias alterações como alongamento do caule, queda das folhas, aumento de produtos fotossintéticos e aumentam os constituintes fibrosos e tornam-se mais lignificados.
A qualidade de uma planta forrageira é representada pela associação da composição bromatológica, da digestibilidade e do consumo voluntário, enquanto seu baixo valor nutritivo é determinado pelo reduzido teor de proteína bruta e mineral, pelo alto conteúdo de fibra e pela baixa digestibilidade.
A produção de matéria seca cresce com a idade da planta enquanto, o valor nutritivo decresce quando a planta passa da fase de crescimento vegetativo para reprodutivo, desta forma, um bom feno apresenta uma relação folha/ haste elevada (quanto mais folhas melhor). Cortes no início da fase de crescimento vegetativo trariam como desvantagens, menor rendimento forrageiro e ainda alto teor de umidade da forrageira, porém cortes durante a fase de crescimento reprodutivo teriam como desvantagens, maior lignificação das células e menor digestibilidade da proteína e energia. (Artigo publicado na edição 63 da Revista Horse)

Revista Horse
Leonir Bueno Ribeiro

Leonir Bueno Ribeiro

é formado em Zootecnia, com Mestrado em produção e nutrição de equinos
e-mail: [email protected]

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