28-Set-2020 11:12 - Atualizado em 28/09/2020 11:57
Manejo

Ferrageamento: quente ou frio?

Saiba em qual situação o sistema oferece e as vantagens e desvanyagens de cada uma delas

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Horse

O ferrageamento é muito importante para a vida do animal e, por isso, deve-se levar em consideração qual é a melhor forma de fazer isso, quais são as vantagens e desvantagens de cada método e sempre utilizar um profissional da área. Atualmente, podem ser feitos dois tipos de ferrageamento: quente ou frio. Mas, quais são as vantagens e desvantagens de cada um?


No ferrageamento a quente, a ferradura é melhor preparada e moldada, podendo, com mais facilidade, dar a forma exata do casco. O casqueamento é feito através do “gabarito” que a ferradura quente deixa no casco. Neste procedimento, a união da ferradura com a muralha do casco é mais perfeita e a ação do calor endurece a muralha do casco fazendo com que ele absorva menos água.


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Antes de qualquer avaliação, devemos fazer uma boa limpeza no casco, principalmente na ranilha
Entre as desvantagens, pode-se citar os custos (aquisição de equipamento (fornalha) e material (barras de ferro), para confecção da ferradura), a exposição do animal a queimaduras da sola e o animal também fica mais estressado, pois fica exposto ao calor da fornalha e/ou ferradura “em brasa” e, além disso, a ação do calor pode endurecer muito a muralha do casco, tornando-a quebradiça.
No ferrageamento a frio, os prós são que o ferrador utiliza a bigorna, ou seja, não tem calor, nem barulho excessivo, o que facilita o profissional ajustar a ferradura, próximo ao animal, e também usa ferraduras comerciais, que podem ser moldadas, reduzindo o tempo de serviço.
Já os contras neste tipo de procedimento é que no processo da moldagem, muitas vezes não há perfeita adaptação da ferradura ao casco, sendo necessário experimentar repetidas vezes, rebaixando o casco ou modificando a ferradura nos pontos em que seja preciso e a moldagem da ferradura é mais apropriada para ferraduras de aço e alumínio, pois, sendo utilizada nas ferraduras de ferro, estas se tornam um pouco mais propícias às trincas ao longo do uso.

Problemas ocasionados pela falta de ferrageamento

A utilização da ferradura correta e uma boa técnica de casqueamento evita a inutilização temporária (ou permanente) dos equinos, em consequência do desgaste do casco. Também leva-se em conta, que o uso de ferraduras altera as condições mecânicas da região dos “pés” e “mãos”, diminuindo o espaço de sustentação do corpo na estação e aumentando a velocidade das alavancas durante a marcha.

Com o passar do tempo, o uso constante das ferraduras ocasiona o aparecimento de algumas alterações, podendo ser brandas, medianas ou graves. Mesmo que a ferradura seja apropriada e sua fixação feita com toda técnica, o uso prolongado determina maior ou menor deformação do casco. Porém, para os animais de trabalho, os prejuízos são bem maiores do que se estivessem desferrados.

De uma maneira geral, as etapas de um ferrageamento são: desferrar, aparação do casco, escolha, acerto e ajuste da ferradura, acabamento e fixação da ferradura (cravejamento). No entanto, antes de qualquer avaliação, devemos fazer uma boa limpeza no casco, principalmente na ranilha, retirando restos de fezes, cama, pedregulhos ou qualquer outro tipo de sujeira. Aliás, essa limpeza deverá ser feita sempre que o animal finalizar suas atividades do dia, pois a sujeira acumulada pode ocasionar podridão do casco com necrose de ranilha.

Procedimentos

Antes de ferrar, o profissional responsável, seja veterinário especializado ou ferrador, deve fazer um exame no animal, verificando o estado dos membros locomotores, incluindo os cascos, seu comprimento e seu aprumo, como também a forma de desgaste que a ferradura velha ocasionou, através destes sinais que esse exame fornece, pode-se escolher a metodologia a ser tomada no que diz respeito ao aparamento do casco, à escolha, ao ajustamento e à aplicação da nova ferradura.

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A aparação é feita para eliminar o excesso do casco ou corretivamente, correção de aprumos ou tratamento de patologias locomotoras
Outro passo importante é a aparação dos cascos, que deve ser feita quando necessário, seja para eliminar o excesso do casco ou aparação corretiva, correção de aprumos ou tratamento de patologias locomotoras.
Para se ferrar um equino, é necessário que ele esteja contido. Isto assegura que tanto o profissional, quanto o animal não se machuquem. O melhor recurso de contenção seria a “mão (pé) de amigo”, tanto no ferrageamento inglês, com o profissional sozinho, quanto na francesa, com um auxiliar. (Artigo publicado na edição 73 da Revista Horse)

Revista Horse
Taciano Couto Guimarães

Taciano Couto Guimarães

é veterinário, formado pela UFMG, especializado em plantas medicinais pela UFLA, clínico veterinário e terapeuta floral para animais

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