04-Jul-2020 13:10 - Atualizado em 04/07/2020 13:52
Horse Debates Equestres

Grandes raças debatem o segmento

Primeira rodada da série "Horse Debates Equestres" reúne, de forma inédita, presidentes do Quarto de Milha, Mangalarga Marchador e Cavalo Crioulo 

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Horse

Proposta sugere evento
em conjunto pós pandemia
                No encerramento do primeiro programa da série “Horse Debates Equestres”,  o presidente da ABCCMM, Daniel Borja, convidou os presidentes do ABQM, Caco Auricchio, e da ABCCC, Francisco Fleck, para planejar e realizar um evento envolvendo as raças equinas do Brasil. “Fazer com que todos, independente de que criatório, estejam juntos, mostrando a força do cavalo no Brasil”, reforçou.  O convite foi prontamente aceito pelos demais presidentes participantes, ficando estabelecido que, após o fim das restrições por conta da pandemia, começa o planejamento para a grande festa. “Acho uma grande ideia, talvez um evento que aconteça a cada dois ou três anos“, sugeriu Francisco Fleck. O presidente da ABQM, Caco Auricchio, disse ser um prazer enorme e sugeriu ainda envolver a Sociedade Rural Brasileira (SRB), o Ministério da Agricultura, e outras entidades. “Todos ganham, todos crescem”, afirmou.

A Revista Horse estreou, no dia 11 de maio, a primeira rodada da série “Horse Debates Equestres”, com objetivo de abrir um canal de aproximação e interação entre os principais agentes do segmento. O primeiro programa, transmitido ao vivo simultaneamente pelas plataformas do YouTube, Facebook e site da Horse (Assista AQUI), reuniu, pela primeira vez,  os presidentes das associações do Quarto de Milha (ABQM), Carlos Alberto Auricchio (Caco), do Mangalarga Marchado (ABCCMM), Daniel Borja, e do Cavalo Crioulo (ABCCC), Francisco Fleck, para discutir “Os Impactos do Coronavírus no Segmento Equestres”, entre outros temas em evidência no meio, como o bem-estar animal, novas datas de eventos e uma maior integração entre todas as raças.

O encontro inédito dos presidentes das três maiores raças do Brasil, considerando o número de animais registrados e associados ativos, agradou tanto os participantes quanto o público em geral. Ao todo, foram mais de 3 mil visualizações somadas as três plataformas de transmissão. A iniciativa também foi divulgada e repercutida em vários outros veículos, entre elas os sites das Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Crioulo (ABCCC), Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) e da Associação Brasileira de Criadores do Quarto de Milha (ABQM).

Durante 1h40, os debatedores falaram sobre vários assuntos relacionados ao momento atual, como o enfretamento à pandemia do novo coronavírus (tema principal), o planejamento para o retorno das exposições nacionais e eventos das raças, o futuro do mercado equestre brasileiro, Bem-estar animal, barreiras sanitárias (Mormo) e exportação do cavalo brasileiro. Todos puderam expor suas ideias e comentar a opinião dos colegas de bancada virtual, já que todos estavam em sistema home office.

BEM-ESTAR ANIMAL – IMAGEM DO SEGMENTO
É possível pensar num protocolo único que envolva todas as raças?
Caco Auricchio – ABQM
"Parece-me ser possível. Acho que o desafio está no momento que você desce para tipos de modalidades. Aí sim, acho que precisa do detalhe, da especificidade de cada uma delas (...). É preciso dar a tranquilidade e mostrar à sociedade que as modalidades esportivas não trazem maus-tratos. Precisamos dar um passo em direção à sociedade de peito aberto, desarmado e dizer: estamos fazendo certo e, se você conhecer, vai passar a admirar as modalidades esportivas."
Francisco Fleck – ABCCC
"A gente poderia pensar numa união entre as raças, pensar numa campanha nacional sobre a paixão do brasileiro pelo cavalo. Temos esses protocolos internos na Associação Crioula para garantir o bem-estar animal. Há muitos anos que temos tomados iniciativas pensando no bem-estar animal. Creio podemos pensar nesse outro ponto do marketing, fazer um trabalho conjunto forte, para mostrar o que já fazemos de cuidado e bem-estar, de sanidade de nossos animais."              
Daniel Borja – ABCCMM
"Concordo plenamente, precisamos ter união. Acho importante unirmos e eu, como presidente, como gestor maior da nossa raça, me coloco à disposição para juntarmos e realmente fazermos um trabalho de comunicação. De fazer realmente um protocolo muito mais para poder divulgar realmente o que é nosso cavalo. No MM nos últimos quatro anos, estamos buscando a naturalidade. Quanto mais natural for o cavalo, melhor é para gente e para o bem-estar do cavalo."

O primeiro tópico apresentado pelo mediador, o jornalista Marcelo Mastrobuono, editor da Revista Horse, foi com relação aos “Impactos do coronavírus no segmento equestre”, tema do encontro.   Os dirigentes afirmaram que, assim como na maioria das empresas a primeira medida foi a implantação do sistema home office para os funcionários, mantendo os serviços essenciais de atendimento aos associados.

        Segundo o presidente da ABCCMM, Daniel Borja, isso foi importante para manter a entidade ao lado dos associados. “Nesse sistema, nossos funcionários atendem a todos os associados em tempo integral. O resultado disso é que só nesse mês da pandemia entraram 125 novos associados. Nosso cavalo é esse, que independente de problemas estamos crescendo, firmes para continuar essa empreitada”, afirmou. 

         Já o presidente da ABQM, Caco Auricchio, revelou que desde janeiro acompanhava de perto a questão do coronavirus no mundo, porque sabia que chegaria ao Brasil. “Quando as autoridades determinaram as medidas de contenção, nós já estávamos com a entidade 100% trabalhando em home office”, disse.

        Na ABCCC a situação não foi diferente. Em janeiro deste ano já tinham confirmados na agenda mais de 1.000 eventos previstos para 2020, por iniciativa da associação ou dos núcleos espalhados por quase todos os estados. “No dia 17 de março cancelamos todos esses eventos. Desde então a associação também passou a trabalhar em regime de home office, com todos os seus funcionários”, contou Fleck.

Interatividade

Os debatedores também responderam perguntas apresentadas em vídeo por dois convidados especiais: o professor da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP),  Arruda, idealizador e coordenador do Estudo do Complexo do Agronegócio Cavalo, e o presidente da Câmara de Equinocultura Nacional, José Carlos Pires. Arruda questionou os participantes sobre a possibilidade de ações conjuntas no que considerada o tripé fundamental para o desenvolvimento equestre nacional, com base no bem-estar, sanidade e marketing do cavalo (como foco no público alheio ao segmento). Já Zeca Pires, da Câmara de Equinocultura, perguntou sobre a alternativa de reforçar as relações de negócios com os países vizinhos da América do Sul, como forma de amenizar os impactos econômicos gerados pelas restrições impostas para o combate à pandemia do coronavírus.

Os debatedores foram unânimes em afirmar que ambas ações podem contribuir muito para fomentar o segmento, tanto do ponto de vista da “imagem” que o público leigo tem das atividades com cavalo, quanto na parte comercial, abrindo novas fronteiras para a criação nacional. Todos lembraram, entretanto, que as barreiras sanitárias impostas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em razão do Mormo, têm dificultado muito as ações e causando prejuízos aos criadores nacionais, problema que também necessita de uma ação conjunta entre as raças.

Reagendamento dos eventos

          Um dos momentos mais aguardados pelo público que acompanhou o debate foi sobre o reagendamento dos eventos programados. E o certo é que nada mais será como antes.

EXPORTAÇÃO
“O mercado internacional de cavalos, incluindo o Sul-americano, pode ajudar no médio prazo a retomar o crescimento da atividade” (Zeca Pires, presidente da Câmara de Equideocultura)
Caco Auricchio – ABQM
"Precisamos nos unir e abrir essas barreiras para exportação junto ao Mapa. Estar mais juntos na defesa dessas teses. Adoraria estar lá fora e visitar os criadores de cavalos QM no Brasil e poder comprar os animais daqui, com a genética que têm. Com o dinheiro valendo seis vezes o daqui, o momento é extraordinário para abrirmos as portas para o mercado internacional. Do ponto de vista da genética e qualidade estamos preparados para vender nossos cavalos para qualquer lugar do mundo." 
Francisco Fleck – ABCCC
"Nessa questão da exportação, temos que trabalhar para que possamos exportar diretamente. Não é uma coisa difícil, pode-se estabelecer protocolos, um local de quarentena, oficializado. São empecilhos que a gente não consegue entender. Acho que unidos teremos uma força muito maior e fazer uma pressão forte para que isso aconteça. É muito difícil levarmos nossos animais para competir na Argentina, no Uruguai, as barreiras sanitárias e alfandegárias são muito grandes."
Daniel Borja – ABCCMM
"Acho muito importante a união das raças para gente modificar e abrir as porteiras do Brasil, para que possamos mandar cavalos pra fora. Temos que abrir as fronteiras, começando com os países vizinhos, depois a Europa, América Central. Precisamos de união, de mostrar realmente nosso cavalo e a força pra fora do Brasil. O nosso cavalo tem um potencial enorme de crescer. Se a gente estiver junto e se tivermos aberturas desses países, aí o céu é o limite para o nosso cavalo."

Exposições Nacionais, provas, encontros e leilões com público reduzido ou sem público algum. Conforme destacou Daniel Borja, do Mangalarga Marchador (MM), se forem liberados os eventos com público, será muito bom, porque o criador, o apaixonado pelo cavalo quer participar. “O que realmente importa neste momento é a continuidade dos eventos, das exposições, mostrando o nosso cavalo, mas sempre pensando na segurança maior que é a nossa saúde”, disse, destacando que a entidade já tem um protocolo fechado com o governo de Minas Gerais para a realização da Exposição Nacional do Mangalarga Marchador na segunda quinzena de outubro. Segundo ele, outro protocolo está sendo ajustado para a realização da Copa de Marcha, provas e exposições regionais. Borja afirmou que tudo está sendo planejado para seguir esta agenda, mesmo se for necessário fazer a Nacional do Marchador de 2020 sem público.   

          Protagonista de uma das maiores festas do agronegócio e do cavalo na América do Sul, a ABCCC também trabalha intensamente no protocolo com as autoridades de saúde de Esteio (RS) e do governo do estado para realização do Freio de Ouro, seu maior evento. “Está tudo encaminhado para ocorrer no final de setembro. Estamos esperançosos, adotamos um protocolo muito rígido de ações para que o evento aconteça sem problemas”, revelou Francisco Fleck.

        O presidente da ABCCC ressaltou que tem um protocolo de provas sem público, mas espera poder trabalhar, pelo menos, com um público reduzido, contribuindo para vencer as duas batalhas dessa guerra: a sanitária e a econômica. “Temos de tentar voltar às nossas atividades de seleção, que não estamos chamando de evento, porque vai ser bem diferente do que era. Pretendemos realizar as atividades de seleção dos animais, tanto das provas funcionais como nas morfológicas. Estamos esperançosos em conseguir realizar uma Expointer até o final de setembro, que é o prazo dado pelas entidades promotoras”, afirmou.

Segundo o presidente da ABQM, Caco Auricchio, a entidade preparou um plano de saída (pós) que vai orientar toda a cadeia envolvida nessa questão de eventos, orientando sobre o que deve ser feito. O Congresso Anual que seria realizado em Araçatuba (SP), em abril, foi adiado para abril de 2021. O calendário de ano hípico foi ajustado iniciando-se em 1º de julho e até junho de 2021. O Hall da Fama, o AUER, que são as premiações que a gente faz baseado no ano calendário, também passam para o ano hípico também, assim como os animais nos eventos.

Avaliação

         O jornalista Marcelo Mastrobuono, editor da Horse e idealizador do projeto, avaliou como muito positiva a estreia da série de debates, principalmente com relação à proposta de integração entre os representantes de raças quanto do público. “Há muito tempo o setor carece de uma aproximação maior entre todas as raças e ficou evidente a satisfação de todos com a possibilidade de se conhecer e trocar experiências”, considerou, destacando a importância de ter o “trio de ferros” das três maiores raças de cavalo do Brasil, em número de animais registrados e associados. “É uma satisfação muito grande a Horse pode dar o pontapé inicial dessa aproximação, que podem render muitos frutos”.

Ele explica que o projeto “Horse Debates Equestres” será realizada a cada 15 dias, com a segunda rodada já marcada para o dia 25 de maio, ás 19h, com a participação dos presidentes da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo da Raça Mangalarga (ABCCRM), Luis Ópice, da Associação Brasileira do Criadores de Cavalos Árabes (ABCCA) e da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo de Hipismo (ABCCH), Luiz Flores. “Voltaremos a falar sobre os impactos do novo coronvírus, mas também alguns assuntos em comum das raças, todas instaladas em São Paulo”, adianta.

EXPORTAÇÃO
“O mercado internacional de cavalos, incluindo o Sul-americano, pode ajudar no médio prazo a retomar o crescimento da atividade” (Zeca Pires, presidente da Câmara de Equideocultura)
Caco Auricchio – ABQM
"Precisamos nos unir e abrir essas barreiras para exportação junto ao Mapa. Estar mais juntos na defesa dessas teses. Adoraria estar lá fora e visitar os criadores de cavalos QM no Brasil e poder comprar os animais daqui, com a genética que têm. Com o dinheiro valendo seis vezes o daqui, o momento é extraordinário para abrirmos as portas para o mercado internacional. Do ponto de vista da genética e qualidade estamos preparados para vender nossos cavalos para qualquer lugar do mundo." 
Francisco Fleck – ABCCC
"Nessa questão da exportação, temos que trabalhar para que possamos exportar diretamente. Não é uma coisa difícil, pode-se estabelecer protocolos, um local de quarentena, oficializado. São empecilhos que a gente não consegue entender. Acho que unidos teremos uma força muito maior e fazer uma pressão forte para que isso aconteça. É muito difícil levarmos nossos animais para competir na Argentina, no Uruguai, as barreiras sanitárias e alfandegárias são muito grandes." 
Daniel Borja – ABCCMM
"Acho muito importante a união das raças para gente modificar e abrir as porteiras do Brasil, para que possamos mandar cavalos pra fora. Temos que abrir as fronteiras, começando com os países vizinhos, depois a Europa, América Central. Precisamos de união, de mostrar realmente nosso cavalo e a força pra fora do Brasil. O nosso cavalo tem um potencial enorme de crescer. Se a gente estiver junto e se tivermos aberturas desses países, aí o céu é o limite para o nosso cavalo."

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