28-Jul-2008 10:48 - Atualizado em 11/07/2016 12:03

Hipismo rural

  O que nasceu como uma simples diversão entre amigos nos finais de semana se tornou uma competição séria, conquistou novos espaços e hoje é fundamental para a formação de atletas de nível internacional. O hipismo rural, modalidade genuinamente brasileira, é considerado um dos esportes mais completos da categoria. Juntos, cavalo e cavaleiro precisam superar obstáculos naturais e artificiais, corridas em terreno plano e montanhoso, além de provas com baliza, tambor e salto.

Garra, determinação e coragem são características decisivas para o bom desempenho do conjunto no final da competição. A necessidade de superar limites, nasceu com o próprio esporte, na época em que ainda era considerado apenas uma brincadeira entre amigos. Os relatos históricos mostram que o hipismo rural começou em fazendas e gincanas pelo interior paulista. Aos poucos, a diversão foi ganhando ares de competição esportiva e conquistando cada vez mais adeptos, que perceberam o potencial dos animais e começaram a organizar torneios e campeonatos oficiais.

   Na época, as provas eram simples e sem muitas regras. Basicamente, o desafio consistia em superar obstáculos naturais como troncos caídos, passagem de água ou valas, corridas com outros cavalos, subir morros ou apenas exibir habilidades com o animal. As primeiras competições aconteceram na década de 70 e foram organizadas por fazendeiros da região de Mococa, Avaré e Franca – entre eles, a família Rossetti. Os participantes precisavam completar o percurso entre duas fazendas, com cerca de três quilômetros e incluía áreas planas, acidentadas, travessia de rio, além de subidas e descidas, no menor tempo possível. Vencia quem cruzasse a linha de chegada em primeiro.

Com o passar do tempo, as provas ganharam novas regras e figuras com tambor e baliza, além do recuo. O esporte começou a ser profissionalizado e a competição foi então dividida em duas etapas: cross e picadeiro – modelo que teve algumas reformulações, mas é adotado até os dias atuais. A primeira competição, já de acordo com o novo regulamento, aconteceu em 1979, em Campos de Jordão, São Paulo. Chamada na época de Cavalo Completo Rural, ela foi rebatizada alguns anos depois pelo jornalista Chuck Woodward, então diretor da revista Hippus, e ganhou o nome de Hipismo Rural.

Organização

Conquistando cada vez mais praticantes e atraindo grande público, o esporte passou a ter maior representatividade, a ponto de ganhar uma entidade exclusiva para representá-lo. Em novembro de 1982 nasceu a Associação Brasileira dos Cavaleiros de Hipismo Rural (Abhir), fundada por participantes e, acima de tudo, incentivadores da prática no país, que lançaram novas regras e maneiras de torná-la mais competitiva e profissional.

Sediada atualmente em Rio Claro (SP), a entidade teve papel fundamental na divulgação, popularização e aperfeiçoamento do esporte para que se transformasse no que é hoje. As mudanças técnicas atingiram também a pista onde eram realizados os torneios. Mais modernas e evoluídas, as competições (antes disputadas contra o cronômetro), passaram a ter obstáculos mais difíceis e um tempo limite pré-estabelecido.

Barreiras de segurança também foram criadas para proteger o conjunto e o uso de capacete, colete, perneiras ou chaparreiras passou a ser obrigatório a cavaleiros e amazonas. Os critérios para penalização e eliminação do participante também foram revistos e se tornaram mais rígidos, como por exemplo, as faltas por erro de percurso ou atrasos para apresentação que podem desclassificar o atleta. Atualmente os competidores de Hipismo Rural estão divididos nas categorias Escola, Minimirim, Nível I, Cavalos Novos, Intermediária e Performance. “Não é um esporte olímpico, mas serve de base para várias modalidades, inclusive o Concurso Completo de Equitação (CCE), que faz parte das Olimpíadas. É desta modalidade que sai o cavaleiro ágil, versátil e corajoso”, diz o presidente da Abhir, Germano Gândara.

Segundo ele, muitos medalhistas brasileiros que fazem sucesso em campeonatos nacionais e internacionais iniciaram suas carreiras em provas de hipismo rural. “Como engloba etapas diversificadas, ele forma o competidor de maneira mais completa para as demais modalidades”, observa.

A própria associação, por causa da relação direta entre os estilos, também passou a organizar torneios de CCE e salto, mas manteve no hipismo rural o foco principal de suas atividades. “O espírito Abhir continua mais vivo do que nunca, cumprindo seu papel não somente como preparação de cavaleiros, o que é inegável, mas também como um reduto de formação de homens, num local onde existem regras, a transparência, o trabalho, a lealdade e a equipe, valores que tanto desejamos ao nosso Brasil”, observou.

  Para Gândara, o bom desempenho na prova não depende apenas do cavaleiro ou amazona, e sim da relação harmoniosa entre ele e o cavalo. Ressalta que o hipismo é um esporte de conjunto. “Quem mais educa é o cavalo e a pessoa tem que conquistá-lo mais pelo carinho do que pela submissão. Não adianta bater no animal. Na hora da prova, ele vai lembrar disso e provavelmente não vai responder da maneira esperada. E isso tudo serve como uma grande lição para a vida também”, finaliza.

Hipismo Rural é para todas as raças

Embora nas competições atuais prevaleçam os animais de sangue árabe, cavalos de qualquer raça podem entrar na disputa desde sejam treinados adequadamente. O processo costuma ser demorado, exige paciência e dedicação de atletas e adestradores. “Às vezes o cavalo demora até um ano para fazer um dos obstáculos, sem contar o tempo que o atleta também precisa treinar para conduzi-lo bem”, observa.

Os cavalos dóceis e inteligentes são os mais indicados para a prática. O animal também precisa ter boa formação óssea e movimentação leve, além de altura entre 1,42m e 1,62m, pescoço médio-longo, bom comprimento de garupa, inclinação correta de espáduas, boa abertura de peito, lombo não muito largo e aprumos corretos.

Cumpridas essas exigências, é hora de se preparar para a montaria e para treinos intensivos em busca da forma ideal e das vitórias.

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