29-Set-2020 17:22 - Atualizado em 30/09/2020 08:30
Empreendedorismo

Jogos Equestres Mundiais 2010: U$ 10 milhões em 10 minutos

Por que o fundador da Alltech, Pearse Lyons, resolveu investir uma fortuna no segmento equestre, que representava menos de 3% do faturamento da empresa

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Mark Lions, CEO da AlltechDivulgação
Neste setembro de 2020 comemora-se 10 anos do Alltech FEI World Equestrian Games (WEG), conhecido no Brasil como Jogos Equestres Mundiais, realizado em Lexington, no Kentucky (EUA). Foi, de fato, um evento com vários pontos significativos e emblemáticos, dentro e fora das pistas. Em sua 6ª edição, foi a primeira vez que o WEG foi realizado fora do território europeu. Também foi a primeira vez que uma empresa, a Alltech, comprou o naming rigths do evento, considerado um dos mais importantes do hipismo mundial, ficando atrás apenas das Olimpíadas. Para a Revista Horse, em especial, foi a primeira cobertura internacional da atual gestão, abrindo caminho para outras que viriam nos anos seguintes.

Mais do que um simples exercício de nostalgia, há muitas boas lições que ficaram dessa experiência inusitada dentro do universo hípico. Comecemos, então, pelas cifras, fator essencial para qualquer tipo de investimento e que sempre desperta muita curiosidade. No simpósio virtual

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Pearse Lions, fundador da Alltech: empreendedorismo visionárioDivulgação
Alltech One Virtual Experience, realizado nesta terça-feira (29/9), o CEO Mark Lyons, filho do fundador Pearse Lyons (1944-2018), fez uma breve retrospectiva sobre a decisão visionária de seu fundador, em 2006, destacando que ele levou apenas 10 minutos para decidir investir U$ 10 milhões em um segmento que representava menos de 3% do faturamento da empresa.

O empresário Pearse Lyons era, como certa vez revelou um de seus diretores à Horse, uma espécie de “Sílvio Santos” do mundo corporativo. Tinha hábitos muito peculiares, a começar pela vestimenta, sempre com o seu chapéu de palha tipo Panamá e gravata borboleta, uma característica lembrada e personificada na apresentação de seu filho. Logo no início, Mark Lyons lembrou que seu pai só havia montado duas vezes na vida e sabia apenas uma coisa sobre cavalos: “um lado morde e o outro dá coice”. O que vislumbrava, então, com um investimento tão alto em um segmento com o qual tinha pouquíssima familiaridade e que, até então, rendia pouca rentabilidade à empresa?

Antes de chegar aos resultados, entretanto, é fundamental revistar o WEG de 2010 para saber como foi planejado e construído o projeto de marketing sobre o evento. O ponto de partida é a cidade de Lexington, conhecida como a “Capital do Cavalo dos EUA” e onde fica a sede da Alltech. Com uma população de 296 mil pessoas, segundo Censo de 2010, o segundo município mais populoso do estado de Kentucky abriga inúmeros haras e também o famoso hipódromo de Keeneland, uma das maiores referências do turfe norte-americano que faz parte do circuito da “Tríplice Coroa”, conquistada pela primeira vez pelo icônico Secretariat, em 1973.

Outro ponto importante na construção do Alltech FEI World Equestrian Games de 2010 foi o Kentucky Horse Park, um espaço com cerca de 5 quilômetros quadrados dedicado às atividades equestres. Com uma área privilegiada, pela primeira vez todas as modalidades do WEG (Salto, Adestramento, Concurso Completo de Equitação, Rédeas, Volteio, Enduro, Atrelagem e Paraequestre) puderam ser realizadas em um mesmo local.

"Os Jogos Equestres de 2010 mudaram a forma como o mundo via a Alltech e também mudou a própria visão da empresa internamente. Mudou nossas ambições. Nos inspiramos pela ambição e visão de nosso fundador e isso nos deu a confiança de cultivar novos crescimentos” - Mark Lyons, CEO da Alltech

A organização da Alltech também se preocupou em integrar as atividades do parque com a comunidade local.  Para isso, o projeto desenvolveu uma série de atividades interligadas. Uma delas foi o Fortnigth Festival, um festival de música e cultura que se estendeu durante praticamente as duas semanas do evento, “ultrapassou os limites do hipódromo e cativou um grande número de pessoas”, como destacou o CEO da empresa. “Queríamos explicar o que seria este grande evento”.

Se Lexington já era conhecida como a “Capital do Cavalo dos EUA”, durante 16 dias passou a ser a “Capital do Cavalo Mundial”. Por toda a cidade se via esculturas de cavalos pintados por diferentes artistas, dando um colorido e um clima todo especial. Nas lojas encontrava-se uma infinidade de souvenirs, roupas e acessórios equestres. Até na famosa rede Wallmart havia camisetas, bonés e uma grande variedade de objetos com o motivo do Alltech FEI World Equestrian Games, ao melhor estilo do marketing americano.

Outro ponto estratégico para envolver a comunidade local foi o Pavilhão Alltech Experience, montado dentro do Kentucky Horse Park. Segundo o CEO, cerca de 62 mil crianças visitaram o espaço, que oferecia monitores falando várias línguas para explicar o que é a agricultura, de onde vêm os alimentos, o processo de produção e como o segmento equestre estava envolvido nesse processo. “Esse trabalho em equipe, esse companheirismo internacional deixou um legado que dura até hoje”, afirmou Mark Lyons, destacando que o trabalho ainda contou com outros 67 patrocinadores, de 38 países, e um corpo de voluntários de mais de 2 mil pessoas.

Antes de falecer em 2018, o fundador da Alltech ainda deixou uma mensagem sobre a decisão que tomou em 2006. “Hoje, eu não levaria 10 minutos para tomar essa decisão. Levaria menos de 10 segundos”.

Segundo o CEO, os Jogos Equestres de 2010 mudaram a forma como o mundo via a Alltech e também mudou a própria visão da empresa internamente. “Mudou nossas ambições. Nos inspiramos pela ambição e visão de nosso fundador e isso nos deu a confiança de cultivar novos crescimentos”, afirmou.

Passados 10 anos, a visão privilegiada de empreendedorismo empregado na realização de uma das melhores edições da história do World Equestrian Games tem resultados materializados. Segundo Mark Lyons, ao longo dessa última década a Alltech adquiriu mais de 20 empresas, triplicou a equipe e quadriplicou os resultados dos negócios. “A Alltech está hoje em mais de 120 países, cobrindo todo o mundo”, revelou. A empresa também fortificou seu engajamento com os esportes equestres, com operações no Canadá, Estados Unidos e Brasil, onde mantém ações por meio da Guabi, principalmente na produção de Nutri Genova, agregada às rações oferecidas no mercado.

Em um reavaliação do investimento de 10 anos atrás, o próprio Pearse Lyons afirmou que foi a melhor decisão que tomou, pois isso acabou levando a empresa a outro nível. O impacto sobre Kentucky foi incrível, com 400 milhões de dólares gerados em 16 dias, com a criação de 3 mil empregos, além das benfeitorias deixadas para Lexington. “Toda essa motivação deixou um legado que se mantem até hoje, com eventos de arte, entretenimento, novas opções de restaurantes e hotéis que não existiam”.

Antes de falecer em 2018, o fundador da Alltech ainda deixou uma mensagem sobre a decisão que tomou em 2006. “Hoje, eu não levaria 10 minutos para tomar essa decisão. Levaria menos de 10 segundos”.   

Marcelo Mastrobuono/Revista Horse
Marcelo Mastrobuono

Marcelo Mastrobuono

jornalista, editor da Revista Horse

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