12-Ago-2021 08:30 - Atualizado em 12/08/2021 16:44
Eleições CBH

Kiko Mari renuncia à presidência da CBH e João Loyo (foto) assume mandato

Pernambucano, vice-presidente foi empossado nesta quarta-feira (11/8) e é o primeiro comandante nordestino da Confederação Brasileira de Hipismo 

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João Loyo: primeiro nordestino no comando da CBHArquivo pessoal
O comando da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) sofreu um novo revés depois do anúncio da renúncia do presidente eleito Francisco José Mari (Kiko), no início da semana. A oficialização de seu desligamento foi realizada quarta-feira (11/8), já com a posse do vice-presidente eleito, João Loyo. Representante da Federação Equestre de Pernambuco (FEP), ele passa a ser o primeiro presidente nordestino de toda a história da Confederação e planeja implantar uma gestão focada na modernização e transparência da entidade. Sobre a dúvida com relação ao estatuto determinar a realização de novas eleições, Loyo afirma que advogados da entidade afirmam que cabe a ele cumprir o mandato até o final da gestão para a qual foi eleito.  Para dirimir esse tipo de dúvida, entretanto, a CBH encomendou estudo de um especialista, cujo resultado deverá ser apresentado nos próximos dias. 

A reportagem da Revista Horse tentou contato com o ex-presidente Kiko Mari, para saber os motivos de sua renúncia, mas ainda não obteve retorno. A pessoas próximas, ele teria justificado a decisão alegando razões pessoais e familiares. Loyo preferiu não falar sobre os motivos, mas afirmou que o próprio Kiko teria dito que, em razão de toda a confusão e desgaste causado pelo tumultuado processo eleitoral, seria mais viável que ele, como vice, desse continuidade ao projeto elaborado juntamente com os demais apoiadores. "Eu mesmo discordo, mas ele acredita que o fato de eu estar mais distante e não ter me envolvido diretamente, teria mais condições de tocaro nosso projeto de modernização necessária e já atrasada, dando mais transparência e criando uma forma mais plural de governar", disse Loyo.

O que diz o estatuto
Art. 48º - Em caso de impedimento ou vaga do Presidente assumirá o Vice-
Presidente da CBH.
§1º - No caso de vacância também da Vice-Presidência, será chamado ao
exercício da Presidência o Secretário Geral.
§2º - Caso ocorrer na vigência do último ano do mandato eletivo, o Presidente
em exercício completará o mandato até a passagem oficial do cargo do seu
substituto que vier a ser eleito na forma deste Estatuto.
§3º - Se ocorrer antes do último ano do mandato eletivo, serão convocadas
novas eleições para completar o período daquele mandato.
Art. 49º - Ao Vice-presidente compete:
I - substituir o Presidente em suas faltas e impedimentos temporários;
II - no caso de vaga no exercício da Presidência, ocupar o cargo até o final do
mandato e a posse do novo Presidente.
III - auxiliar o Presidente no desempenho de suas funções, exercendo as
atribuições que lhe forem por aquele designadas. 

Segundo ele, a ideia é atuar com base em dois princípios de gestão: um é manter-se sempre aberto ao diálogo, respeitando a opinião alheia. "Eu defendo aquela máxima que diz: eu posso discordar integralmente sobre o que você está falando, mas defenderei até o fim o seu direito de falar, desde que isso não leve a ofensas pessoais, calúnias ou difamação", afirma.

O novo presidente lembra que neste período que esteve junto com Kiko Mari no comando da CBH estabeleceu vários relacionamentos e praticamente todos os "atores" do meio têm seu contato pessoal e está aberto ao diálogo com todos. "O projeto que nos foi apresentado, que é um sonho meu e de nosso grupo, é criar uma governança profissional, na qual o presidente vai ser praticamente um timoneiro e representante institucional, mas que as decisões importantes sejam sempre tomadas em grupo, com o maior número de atores possíveis participando", revela, destacando que uma das medidas é ampliar o Conselho de Administração que já existe, dando espaço para outros representantes do segmento, como cavaleiros profissionais e amadores, criadores e proprietários de cavalos, e outros agentes da comunidade equestre.  "Precisamos de pessoas que entendam de governança e que possam ajudar a modernizar o esporte. Não estamos inventando a roda, mas sim colocando em prática uma tendência que já existe", argumenta, destacando que, quando se refere a "diálogo aberto a todos", inclui também o grupo de oposição.

Segundo Loyo, a proposta de mudanças no estatuto deve ser apresentada em Assembleia a ser convocada em breve. Ele lembra que a CBH realiza uma assembleia nesta sexta-feira (13/8), mas o assunto em pauta será a aprovação de contas da gestão passada, ainda sob o comando de Ronaldo Bittencourt. "Hoje, o que a gente tem é um projeto, mas não temos ainda um texto final. Na Assembleia de amanhã devemos apenas anunciar a proposta para essa nova assembleia, que não quero que demore muito, algo em torno de 45/60 dias", prevê.

Quanto à polêmica levantada sobre a necessidade de nova eleição após a renúncia de Kiko Mari, Loyo diz que consultou advogados e que está claro que o Estatuto determina nova eleição no caso de haver vacância de presidente e vice antes do período de um ano antes das novas eleições. "Está claro que as regras dos parágrafos 48 e 49 são progressivas e na hipótese excepcional de vacância de presidente e vice, para fixar tempo de mandato antes do último ano para realizar novas eleições; ou, no último ano de mandato permanecer o secretário no cargo. Na hipótese de vacância do cargo da presidência somente, assume o vice até o final do mandato, conforme previsão expressa do art. 49, II do estatuto", disse (Veja regras do estatuto no box ao lado).

O presidente João Loyo, que também é advogado, faz questão  de ressaltar que a interpretação do Estatuto foi feita por advogados contratados pela Confederação Brasileira de Hipismo . "Para mim não há dúvida nenhuma, mas não advogo em causa própria e também não tenho nenhum apego ao cargo", disse, destacando que, para tirar qualquer dúvida sobre o assunto,  encomendou também um estudo com uma professora docente da Universidade de São Paulo (USP), especialista no assunto, que deverá ficar pronto nos próximos dias. "Sou um legalista e não posso esquecer que sou um advogado formado e pós graduado. Meu ponto sempre é defender a lei". afirma. 

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