30-Out-2020 09:36
Crônica

Medicina Veterinária: lotado?

Por eu ser da geração baby boomer, muitos estudantes consultam estes parcos cabelos brancos e me perguntam sobre o campo da veterinária no país

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Horse

Por eu ser da geração baby boomer, muitos estudantes consultam estes parcos cabelos brancos e me perguntam sobre o campo da veterinária no país, este Brasil de Dilma Roussef. Afinal, tem muitos leitores da Revista Horse querendo cursar medicina veterinária. Mas será que terão serviço após formados? Haverá demanda? Respondo rápido, sim! O campo da medicina veterinária é vastíssimo, mas como já disse anteriormente, não vai ficar milionário. Mas também não vai morrer de fome, nem ficar sem trabalho. Conseguirá manter a sua família de forma digna. E tenho dito.
cronica 76,
Cronica 76
Mas uma pergunta “antiga” me surpreendeu na semana passada quando me questionaram se existe preconceito contra as mulheres para trabalhar com equinos. Claro que não! Gente! Século XXI! Aquela questão de que mulheres têm que trabalhar com pequenos animais e homens com os grandes é um conceito do tempo do onça. No entanto, tem pai que ainda não deixa sua filha seguir carreira com cavalos por puro preconceito. Por exemplo, a mulher do meu pai me contou que a sobrinha entrou em veterinária e quer trabalhar com equinos, mas a família é contra. Contra o quê cara pálida? Em que mundo eles vivem?
É claro que não há mais este tipo de preconceito, muito pelo contrário. As mulheres já se mostraram muito mais capazes que os homens em diversos setores, se não em todos. Na medicina veterinária não é diferente. Seja trabalhando com cães e gatos, selvagens ou grandes animais, as mulheres são as melhores. Constatação científica! Observo que as mulheres se dedicam e estudam mais, se envolvem mais e enrolam menos. De uma forma geral são menos picaretas que nós homens. Ôh bicho picareta que é o homo-sapiens do gênero masculino... mestre na arte de enrolar o próximo e de tentar sair de situações sem a dedicação mínima. Observo na minha área que quando uma homo-sapiens do gênero feminino vai fazer uma cirurgia, por exemplo, mesmo com experiência, ela lê, estuda, anota, enfim, leva a sério cada passo. O homem já mete a cara usando seus parcos conhecimentos acumulados. Às vezes, se dá bem por sorte e, outras vezes, quebra a cara. Com relação a esta lenda que para mulher é mais difícil trabalhar com “grandes animais “ é mito e ponto final. Nem no tempo que se amarrava cachorro com linguiça, que me formei, era necessário ser homem para lidar com bovinos ou equinos.
Além do mais, hoje, com todos os recursos, as novas tecnologias, o melhor preparo da peãozada, o proprietário mais esclarecido. Os sexos primários e os sexos secundários, bem como gays, transexuais e outros estão nivelados. Eu, pessoalmente, se tivesse que passar por uma grande cirurgia preferiria ser operado por uma mulher, do que por um homem, pois não confio neste gênero, extremamente trambiqueiro. É muita pose e pouca efetividade. Deve ser o maldito cromossomo ”y” que a gente carrega. Trabalho em uma clínica de pequenos animais (CLINVEP - Porto Feliz/SP) e vejo o nível das veterinárias mulheres (altíssimo, incomparável). Os machos alfa que lá trabalham têm que sambar miudinho para sequer encostar na “beirinha” da qualidade feminina. Concluindo, vocês mulheres que estão lendo esta crônica, não tenham medo, abracem a medicina veterinária de grandes animais. Não vascilem, a homarada não é de nada! Vocês, após formadas, passarão como um trator cor de rosa por cima destes cromossomos x e y! Confio na força e no poder feminino. Me reverencio e jogo a toalha. As grandes decisões ainda estão para serem tomadas, as grandes descobertas ainda estão por serem feitas, na matemática, física, astronomia, veterinária! Mulheres, os melhores lugares estão vagos, aproveitem. E para quem não ouviu, repito, a homarada não é de nada! Assumam! (Artigo publicado na edição 76 da Revista Horse)

Revista Horse
Emílio Fontana Filho

Emílio Fontana Filho

é médico veterinário, formado pela UNESP Botucatu, em 1982, dramaturgo e colunista da Revista Horse. Consulte o autor sobre palestras e coaching sonre assuntos veterinários e afins. E-mail: [email protected]

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