27-Mai-2021 10:50
Mercado

Meu cavalo CUSTA OU VALE?

É importante se atentar às questões econômicas e tendências de mercado para estruturar a criação tanto física, quanto financeiramente

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Em momentos de crises econômica, sempre repensamos os investimentos e custos com a criação de animais. Na equideocultura isso não é diferente. Se observarmos a história da equideocultura em nosso país, desde a colonização portuguesa, vamos nos deparar com momentos em que a criação de cavalo e muares passou por momentos difíceis.
Durante esses momentos, o que se observou foi uma redução dos animais em plantel, porém com um salto considerável em qualidade. Ou seja, durante as crises econômicas, permaneceram em reprodução apenas os animais melhoradores, e dessa forma, houve um salto na média de qualidade dos animais brasileiros. Essa melhora não se deu apenas, pela seleção de animais, mas também pela importação de muitos animais melhoradores, em diversas raças, em momentos que haviam condições favoráveis a esses investimentos.

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Grande tendência das criações do Brasil: propriedades pequenas, plantel reduzido, porém de alto valor genético e monetário
O intuito desse artigo é despertar o leitor, quanto aos custos fixos e variáveis de um cavalo, frente ao valor de mercado. Se fizermos uma análise econômica das criações de cavalos, podemos afirmar que os custos de criação não diferem consideravelmente entre propriedades. Óbvio que dentro de uma propriedade com diversificação de culturas e produção, como por exemplo, a produção de feno, criação de gado e outras atividades, comumente associadas aos cavalos; precisa-se tratar cada atividade em separado, mesmo que essas sejam desenvolvidas pela mesma propriedade ou empresa rural.
Geralmente, os custos fixos de uma propriedade ligada à atividade equestre são mão-de-obra, no qual se inclui, tratadores, auxiliares, treinadores (quando não comissionados) e os encargos sociais ligados a esses colaboradores. Ainda em custos fixos, teríamos todos os gastos com alimentação, combustíveis, energia, água, dentre outros.
Importante lembrar, que mesmo o valor gasto ao mês, por determinado item, não seja o mesmo, mas todo mês é gasto algum valor com esse item, ele é considerado um custo fixo. Dentro desses custos fixos, por exemplo, a alimentação é um custo fixo, que terá comportamento variado e dependente do número de animais instalados em uma propriedade.
Quanto aos custos variáveis, incluímos taxas, impostos, contribuições sindicais e associativas. Ou seja, aqueles gastos que não ocorrem com frequência mensal.
Ainda nessa questão de análises econômicas, teríamos o valor de taxa de retorno, os custos de depreciação, e amortização do capital investido. Parece simples, mas muitas propriedades não têm um custo apurado. Isso não somente na criação de cavalos, como em outras atividades rurais, sendo um problema mais comum do que se possa imaginar. O quanto gasto para produzir determinado produto, em nosso caso, o cavalo ou muar.
Como sugerimos em nosso título, meu cavalo custa ou vale? Há uma diferença considerável entre esses dois termos. Dois cavalos diferentes podem ter o mesmo custo, independente de raça. Porém, frente ao mercado, terão valores diferentes. Essa diferença, ou seja, quanto o animal vale, se dá em princípio por raça, depois linhagem, famílias (pedigree), e por último o quão premiado ou promissor for o animal. Isso é importante salientar, porque de uma forma geral diminuímos os custos gerais, pelo número de animais obtidos e comercializados, ou seja, quanto mais animais criar e vender, menores serão os custos carregados por cada animal, aumentando a margem de contribuição. Na criação de cavalos essa diminuição de custo se dá de duas formas, uma delas, conforme comentado, que seria pelo número de animais produzidos. A outra forma é pelo valor agregado do animal, ou seja, um animal promissor, oriundo de uma família campeã, terá o valor de mercado aumentado. Assim uma propriedade mesmo vendendo poucos animais, teria uma margem de contribuição maximizada.
Essa é uma grande tendência das criações de equídeos do Brasil. Propriedades pequenas, com plantel reduzido, porém de alto valor genético e monetário. Tendo dessa forma, uma eficiência produtiva e econômica.
Para quem pensa em iniciar uma criação de equinos, primeiramente deve se atentar a essas questões econômicas e tendências de mercados. Fica a dica de estruturar sua criação tanto fisicamente, quanto em centros de custos, planilhando os gastos frente aos ganhos. Lembrando que o sucesso de uma criação, depende de quão atencioso e cuidadoso você age, frente a uma boa administração e planejamento do negócio. (Artigo publicado na edição 95 da Revista Horse)

Revista Horse
Leonir Bueno Ribeiro

Leonir Bueno Ribeiro

é formado em Zootecnia, com Mestrado em produção e nutrição de equinos
e-mail: [email protected]

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