09-Mai-2019 15:43 - Atualizado em 12/06/2019 09:40
Desmentido

"Morte por Mormo" é fake news

Irmão do criador Teté Almeida confirma à Horse que falecimento ocorreu em decorrência de pneumonia, diferente do propagado em grupos de WhatsApps 

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A onda das chamadas fake news (notícias falsas) já começa a fazer suas primeiras vítimas no segmento equestre. No início desta semana, uma mensagem afirmando que o criador de cavalos Sinval Oliveira (Teté) Almeida, do Parque União, em São Bento (PB), havia morrido em razão do Mormo, circulou em vários grupos de whatsapp. A mensagem, porém, foi desmentida pelo seu irmão, Tacio José de Souza Almeida, à reportagem da Revista Horse; "Isso é mentira. Não tem nada a ver com o Mormo não", afirmou. Segundo ele, a causa da morte do criador de 45 anos foi em razão de uma pneumonia, desenvolvida pela contaminação do vírus H1N1,  como consta no atestado de óbito.

Algumas das mensagens compartilhadas em grupos sociais traziam o link de veículos de comunicação locais, mas cujo conteúdo sem sequer levantava a suspeita do Mormo. Mesmo assim, alguns comentários encaminhados juntamente com o link levantavam irresponsavelmente a suspeita, desmentida por membros das famílias.  

O caso da fake news sobre a causa da morte de Teté Almeida não é o primeiro. Semanas atrás, uma mensagem compartilhada em vários grupos de whatsapp de pessoas do meio equestre dava conta que um outro profissional da área  também havia morrido por contaminação da bactéria do Mormo, quando na verdade ele veio a falecer em razão de uma pneumonia. Ou seja, também nada a ver com Mormo, que ainda não tem nenhum caso de contaminação por humanos relatado no Brasil.

A divulgação de mensagens falsas em grupo de amigos do segmento equestre tem preocupado a veterinária Carla Amorim, que vem acompanhando a polêmica do Mormo no Brasil há alguns anos. Para ela,  que atua com inspetora das raças Quarto de Milha e Paint Horse, além de responsável pelos cavalos de corridas no Hipódromo de Goiânia, são dois os fatores que fazem com que as notícias falsas ganhem tanta repercussão no meio equestre: a quase total desinformação daqueles que propagam e o pessoal que de alguma forma se beneficia para tentar validar atitudes incongruentes. "Isso realmente é um absurdo, com consequências danosas a todo o segmento", afirma.

Irresponsabilidade

Para a veterinária Carla Amorim, a difusão de notícias inverídicas, sem confirmação ou prova alguma, é extremamente maléfica. Nesses dois casos específicos, além do mal estar que provoca na família da pessoa envolvida na notícia falsa, coloca os equinos como vilões. Ela cita como exemplo outro caso ocorrido no Rio Grande do Sul, onde um agricultor teria sido internado no hospital e foi divulgado notícia de que era o Mormo. Dias depois foi confirmado que ele teve intoxicação por agrotóxico. "A gente sabe que na maioria absoluta dos casos não procede. Até hoje não vi nenhuma informação dessa confirmada”, ressalta ela.

Com relação a propagação por profissionais e pessoas envolvidas no meio equestre, a veterinária entende que seja um tipo de sensacionalismo, porque a questão do Mormo ainda envolve muita polêmica. "Algumas pessoas chegam a afirmar que haviam 'sinais clínicos compatíveis com o Mormo', muitas vezes sem saber que os sinais clínicos dessa doença podem se confundir com inúmeras outras e que somente esse tipo de informação não conclui o diagnóstico. Acredito que tenha muita, mas muita desinformação", alerta.

Sobre a questão do empresário da Paraíba, Carla lembra que uma colega de profissão chegou a questioná-la porque esse tipo de informação estava sendo divulgada por um funcionário do Serviço Oficial. "Isso me espanta, porque é um órgão oficial, deveria buscar realmente a verdade”, critica.

Vaquejadas de luto

Filho de Didi Cândido, um dos precursores das vaquejadas comerciais, com mais de quatro décadas de atuação no Nordeste, Sinval Oliveira (Teté) de Almeida comandava as atividades do Parque União. Vítima de pneumonia, aos 45 anos de idade, Teté morreu na madrugada do sábado (4/5), no hospital Memorial de Natal. Além da atuação no ramo empresarial, o empresário foi vereador no município de São Bento, na legislatura 1993-1997. Nos últimos anos ele comandava o Parque União, promovendo um dos principais eventos de vaquejada do Nordeste.a

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