10-Ago-2020 09:39 - Atualizado em 20/08/2020 19:40
Equoterapia

O cavalo ideal

Quanto à morfologia, o cavalo deverá ser analisado pelos aprumos, tamanho do dorso, perímetro torácico, garupa e garrote.

horse,
Assine a Horse

O plantel de um centro de Equoterapia deve ser diversificado, sendo que os animais devem apresentar um índice torácico variado além de diferentes angulações de quartela, altura e pelagem diversa. A questão fundamental refere-se ao fato de não haver uma raça ideal para a realização da Equoterapia.
A ANDE-BRASIL (Associação Nacional de Equoterapia) descreve o cavalo ideal para as atividades equoterápicas sendo como aquele de movimento rítmico, preciso e tridimensional, permitindo a todo instante entradas sensoriais em forma de propriocepção profunda, estimulações vestibular, olfativa, visual e auditiva.
No entanto, para o desenvolvimento harmônico dos movimentos e perfeita interação com o praticante, existem outras características pertinentes a serem observadas, sendo estas os aspectos morfológicos, andamento, temperamento e o treinamento (MATT). A análise do MATT deve seguir critérios técnicos que objetivam a qualidade do movimento e da índole.
Quanto à morfologia, o cavalo deverá ser analisado pelos aprumos, tamanho do dorso, perímetro torácico, garupa e garrote.
Entende-se por aprumos a exata direção que têm os membros, com relação ao solo, de modo que o peso corporal do cavalo seja regularmente distribuído sobre cada um daqueles membros, como posição das patas e o arqueamento dos joelhos. Os aprumos regulares permitem o correto desenvolvimento locomotor e o equilíbrio perfeito.

Aprumos anteriores e posteriores

As características dos aprumos anteriores regulares são: visto de perfil; deverá partir da articulação escápulo-umeral, na sua porção mais anterior e descer paralelamente ao membro, tocando o solo a cerca de 10 cm à frente da pinça do casco (d-b). Tirada do centro de sustentação da espádua sobre os membros anteriores, passar pelo meio do braço e tocar o solo pelo meio do casco como se o dividisse lateralmente em dois (c-d).
Visto de frente; uma vertical baixada da ponta da espádua ao solo deve dividir teoricamente o joelho, a canela, a quartela e o casco em partes iguais (h).
Já os aprumos posteriores devem possuir as seguintes características: visto de perfil; baixada da ponta da nádega, tangenciando o jarrete, tocar o solo atrás dos talões (i-j). Baixada da soldra, toca o solo a cerca de 10 cm adiante do casco (m-o). A linha baixada da articulação coxo-femural deve passar pelo centro da perna e toca o solo, dividindo o casco pelo meio (k-l).
Visto de trás; baixada da ponta da nádega ao solo e dividir, a partir do jarrete, as regiões ao meio, ficando entre os cascos uma distância igual à largura destes (p).
Quando os membros são irregularmente aprumados, os pés sofrem ruína prematura e, prejudicam os andamentos e diminuem a resistência do animal.

Outras características

O equilíbrio do cavalo é verificado sempre que uma vertical baixada de seu centro de gravidade cai dentro da base de sustentação, espaço este limitado pelas linhas que ligam as extremidades inferiores dos membros.
O cavalo deve possuir um dorso mediano, de aproximadamente 1,55m de altura, facilitando assim o acesso do terapeuta e transmitem maior segurança aos pacientes quando estes são mantidos à mesma altura dos profissionais que os acompanham.
O perímetro torácico deve contribuir para o posicionamento correto do praticante e não tornar-se impeditivo aos que possuem abdução de pernas prejudicada.
A garupa deve ser de proporção intermediária: não muito horizontal nem muito vertical, situada no mínimo na linha do garrote ou preferencialmente abaixo desta, a fim de proporcionar o engajamento ideal dos posteriores e o transpistar ao passo.

equo 68, edu,
Equo 68
O garrote deve ser saliente (sem excesso), espesso, longo (até meio do dorso), favorecendo o movimento da coluna, e oferecendo maior segurança ao praticante quando houver desequilíbrio para frente.
O cavalo de Equoterapia deve ainda apresentar as três formas de locomoção naturais do cavalo, ou seja, um passo que deve ser diagonal, a quatro tempos, mantendo um equilíbrio bastante estável para o paciente; o trote saltado, diagonal, a dois tempos e simétrico; o galope saltado, assimétrico, diagonal, a três tempos, ambos amplos e bem diferenciados
O ideal é que o animal consiga movimentar-se de forma harmônica e eficiente, podendo distribuir o fluxo de energia (peso) de sua carga (praticante), de maneira equilibrada de forma que possa manter a vibração da energia do corpo sem oscilações ou desvios.
A personalidade do cavalo é resultante da hereditariedade, da idade, do manejo, do equilíbrio genital e endócrino de vários outros fatores inerentes a sua fisiologia.
Assim é importante a identificação das reações psíquicas do cavalo frente aos estímulos do ambiente que o cerca, traduzindo sua sensibilidade e excitabilidade.
O cavalo deve aceitar a utilização de materiais pedagógicos e brinquedos de modo que não se assuste com a utilização dos mesmos e nem com gritos e reações inesperadas dos praticantes e ser tolerante quanto a rampas, cadeira de rodas, muletas e outros equipamentos utilizados por pessoas portadoras de limitações físicas.
Quanto ao treinamento, estes devem estar aptos a condução do solo aceitando o terapeuta e os auxiliares laterais, aos exercícios de volteio e flexionamentos, ao comando de voz no trabalho de guia e ainda aceitar as ajudas básicas do adestramento clássico. (Artigo publicado na edição 68 da Revista Horse) 

Revista Horse
Eduardo Colamarino

Eduardo Colamarino

é membro da Associação Nacional de Equoterapia, membro da CBH, especialista em Equitação para Equoterapia pela UNB, coordenador técnico do Programa Equus
e-mail: [email protected]

Deixe seu Recado