04-Nov-2020 09:17 - Atualizado em 04/11/2020 11:46
Doma/Treinamento

O charreteamento no processo de escolarização

Trabalho exige o uso da guia e da varinha para o controle do cavalo em seus três andamentos, nas variações destes, assim como nas encurvações e molduras

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Antes de começarmos o trabalho de charreteamento é importante termos um bom controle dos andamentos do nosso cavalo à guia. Sem este controle e uma comunicação bem afinada sobre os andamentos do nosso cavalo à guia, poderemos esperar um desentendimento e alguma tensão, seguidos por descontrole do cavalo e da própria guia. É um trabalho que exige o uso da guia e da varinha para o controle do cavalo em seus três andamentos, nas variações destes, assim como nas encurvações e molduras. É um exercício de certa complexidade que, com a rotina, poderá se tornar cada vez mais agradável. Na fase inicial devemos procurar a base sólida das transições: passo / trote / galope /trote / passo.

Inicialmente, devemos manter o foco na regularidade e na pureza dos andamentos para depois pensarmos no controle e amplitude de cada andamento, moldura e encurvação. Também é possível acessarmos os movimentos laterais: garupa dentro e garupa fora, com super engajamento dos posteriores pela ação da guia que passará por cima dos curvilhões, criando um remetimento espetacular. Também é uma opção para a introdução das rédeas longas, modalidade esta de grande beleza e máxima reunião, já que seu condutor consegue produzir todos os movimentos de galope e trote sem mudar o ritmo de seu caminhar. Tal desempenho requer anos de treinamento, apresentado em minutos de exuberância, reunião e leveza de movimentos extremamente complexos e muito bem elaborados por mestres das grandes academias de artes equestres. Quem já teve o prazer de presenciar uma demonstração por cavaleiros experientes, sabe ao que me refiro.

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É um trabalho que exige grande coordenação de ambas as mãos, controle das guias, manutenção da calma e controle do cavalo
Voltando ao tema deste artigo, um dos materiais necessários para a execução desse trabalho é o bridão tipo agulha. E por que tipo agulha? Por não correr na boca do cavalo. Considero este o ideal para cavalos novos e cavalos começando o trabalho de charreteamento.

Gosto também de cabeçada com focinheira cruzada, cilha de trabalho com pelo menos três passadores em alturas diferentes, para se começar na mais baixa e se chegar no passador da altura da cernelha, podendo fazer alterações de entrada e saída da guia.

Por exemplo, entrar por cima da cernelha, passar pelo bridão e prender nos passadores laterais, fazendo assim uma ação intensa de flexionar a garganta, ação esta que o cavaleiro deve estar bem atento para que não se perca a elevação e a liberdade das espáduas. E, por último, uma guia de mais ou menos 15 a 20 metros, com dois mosquetões. No caso do cavalo se enrolar na guia, poderemos rapidamente e facilmente soltar um dos lados e assim desenrolar a guia sem danos maiores.

Torno a lembrar: é um trabalho que exige grande coordenação de ambas as mãos, controle das guias, manutenção da calma e controle do cavalo. Existem animais que se adaptam facilmente e outros requerem um tempo maior de treinamento por serem de temperamento mais arredio.

Daí a importância de um redondel ou uma pista menor, onde se trabalha sempre com novas lições. Pedir pouco e recompensar muito em todo o treinamento com cavalos. É na calma e na constância que damos os maiores passos, passos estes que se solidificam com as lições assimiladas através da descontração e do entendimento mútuo. A chave do sucesso para a interação com cavalos baseia-se em duas importantes virtudes: a paciência e a humildade, por isto trata-se de um ofício para poucos.

Bem, voltando às guias longas, não devemos nos exceder, principalmente em cavalos que têm reações de ir contra a mão. Sugiro que não se faça diariamente, por exercer uma ação intensa sobre os cavalos. Temos de ter o bom senso para perceber o momento de introduzir uma nova lição e o momento de terminá-la.

Sobre o tempo ideal, pode-se variar entre 15 a 20 minutos. Acho esse tempo adequado e suficiente, já que pretendo montar o cavalo em seguida e assim perceber como aquilo pode melhorar no que se refere ao contato e "meias paragens".

Há uma linha tênue entre o sucesso e o fracasso, de acordo como executamos as lições propostas. Só perceberemos onde está o ponto ideal com muita experiência, treinamento, estudos e observações. Resumindo: é um trabalho de grande valia e, se bem feito, fará grande diferença no desenvolvimento da performance do seu cavalo. (Artigo publicado na edição 78 da Revista Horse)

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Ndzinji Pontes

Ndzinji Pontes

Cavaleiro angolano radicado no Brasil, titular da Coudelaria Função em Ibiúna, SP, é um dos mais respeitados treinadores de adestramento do Brasil, recebendo em seu centro de treinamento os mais importantes cavalos da modalidade no Brasil.

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