28-Abr-2021 10:00 - Atualizado em 30/04/2021 15:16
Veterinária

O que é laminite, como prevenir e tratar

Doença pode ser causada por vários fatores, em especial, pelo manejo incorreto

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A Laminite, também conhecida como aguamento, é uma patologia que atinge o sistema locomotor de extremidade dos equinos e cuja ocorrência é bastante frequente. Esta patologia é considerada um transtorno vascular periférico, com diminuição da perfusão capilar no interior dos membros (patas), necrose isquêmica (falta de sangue) das láminas, gerando inflamação severa e muita dor. A laminite ocorre devido a manifestação local de um distúrbio metabólico sistêmico, que afeta o sistema cardiovascular, renal, endócrino, coagulação sanguínea e do equilíbrio ácido/básico fisiológico.

Processo inflamatório

A falange distal (osso que fica no interior do casco) é presa no interior da parede do casco por lâminas, isto mesmo, o equino se apoia em um dedo. Na base da falange existem vasos sanguíneos que nutrem estas lâminas. O tendão flexor profundo se insere na superfície palmar (traseira) da falange distal (que tem a função de flexionar esta região).

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No membro afetado com laminite ocorre uma isquemia (diminuição do suprimento sanguíneo) no interior do casco, as lâminas ficam inflamadas e podem necrosar, o que gera muita dor. Em casos mais severos o animal pode perder o estojo córneo, e até mesmo falecer pelas debilidades generalizadas que o é acometido.
Como o tendão flexor está inserido na superfície da falange distal, ele contrai a falange para trás, fazendo esta rotar (deslocar), isto ocorre no estado da laminite crônica. Esta se desloca, pois as lâminas estão necrosadas e sua sustentação fica solta.
Ocorre também a rotação da falange distal, com a sua ponta perfurando a sola do casco. Podendo ser afetados os quatro membros, mas, na maioria das vezes, são afetadas somente os anteriores (os da frente do animal).

Causas

Geralmente, o manejo incorreto pode ser o responsável por causar a laminite, como por exemplo, na alimentação, quando o animal ingere uma quantidade excessiva de grãos, há um aumento da produção de ácidos lácticos no trato digestivo, havendo destruição de um número elevado de bactérias e consequente liberação se suas toxinas. Esta acidose resulta em uma lesão da mucosa gástrica, com consequente aumento de sua permeabilidade, causando uma endotoxemia e acidose sistêmica, que leva à vasoconstrição periférica, com diminuição do fluxo sanguíneo nas lâminas do casco.

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A ingestão de grandes quantidades de água fria em cavalos recém trabalhados (quentes, suados), pode gerar um choque térmico, levando a uma gastrointerite causando a laminite. O banho de membros locomotores recém trabalhados com água fria pode culminar em laminite.
O trabalho pesado sobre um piso duro, em animais não condicionados fisicamente, pode gerar a laminite, ainda mais em animais que possuem a parede do casco e sola finas. Cavalgadas constantes sobre solo pedregoso também.
A laminite também pode ser causada por outros motivos, como cólica do duodeno jejunite proximal (inflamação do intestino delgado), que gera endotoxemia ou pela retenção da placenta ou sem endometrite, pelo uso prolongado de corticóides, ferrageamento mal feito e alta umidade da cama na baia.

Sintomas e diagnóstico

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Geralmente, o diagnóstico é feito com base no histórico alimentar e no quadro apresentado pelo animal, como claudicação grave (manqueira); alteração de comportamento; sudorese e tremores musculares; surgimento de “feridas por atrito” ao longo de apenas um lado (flanco); aumento de pulso (aumento da frequência cardiorespiratória); calor (inflamação) nos cascos afetados; posição característica para alívio dos membros afetados; rotação da falange distal (crônica) e separação da faixa coronária (coroa do casco) no processo extensor. O diagnóstico conclusivo é quando o animal fica numa posição característica para alívio dos membros afetados, passando a maior parte do tempo deitado e com relutância para andar.

Prevenção e tratamento

Para se prevenir deste tipo de problema é preciso manter um manejo correto em relação à alimentação, um programa de exercícios moderados e controlados e prevenção de patologias relacionadas (cólica, gastroenterite e choques térmicos de membros).
Esta patologia é considerada uma emergência clínica, podendo ser leve ou extremamente grave. A presença de um veterinário é praticamente obrigatória no atendimento, seja ela aguda ou crônica. (Artigo publicado na edição 93 da Revista Horse)

Revista Horse
Taciano Couto Guimarães

Taciano Couto Guimarães

é veterinário, formado pela UFMG, especializado em plantas medicinais pela UFLA, clínico veterinário e terapeuta floral para animais

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