14-Abr-2020 14:29 - Atualizado em 14/04/2020 14:44
Treinamento

O velho e bom horsemanship

Um verdadeiro horseman está sempre consciente de que humildade é um atributo que traz uma recompensa única. Por Edurdo Borba

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Observando o cenário equestre do esporte e do lazer com um pouco mais de atenção, vamos perceber uma quantidade enorme de treinadores, apresentadores e comerciantes. Nesse mesmo cenário, aparecem também os exibicionistas, os mágicos e aqueles que adoram serem chamados de “encantadores de cavalos”.

Ainda existe um outro tipo de pessoas envolvidas nesse mesmo cenário. São aqueles que chamamos “Verdadeiros Horsemen” (as mulheres inclusas), que atualmente são muito raros e difíceis de serem vistos, porque preferem ficar escondidos em algum lugar, desenvolvendo seu trabalho devagar e silenciosamente sem a necessidade de serem reconhecidos e aprovados. 

Diferentemente dos grandes treinadores que vivem de prêmios milionários, não são procurados por proprietários que adquirem potros de pedigrees e preços excepcionais.

São diferentes dos treinadores que na maioria das vezes têm dúzias de prospectos, que num curto espaço de tempo selecionam aqueles que vão conseguir aguentar a pressão para serem exibidos nos Pré Futuritys e Futuritys, mas que, na verdade, são animais que terminam suas campanhas aos seis anos e na maioria das vezes cheios de problemas de saúde mental, física e emocional.

Um verdadeiro horsemen tem como filosofia treinar os seus animais, usando paciência, compreensão e entendimento das dificuldades inerentes a cada cavalo individualmente. O Programa de Escolarização é elaborado sob medida para cada potro. Acreditam que as sessões de treinamento não podem conter mais do que 15% de confusão. Sabem que é isso que constrói a confiança e a vontade de colaborar. O tempo e duração do Programa é o tempo do cavalo em questão e não o da rigidez do calendário das competições.  Sabem que é primar pelo bem-estar dos seus animais, mantê-los motivados.

Esse tipo de gente reconhece com clareza as capacidades de cada cavalo, acompanhando o desenvolvimento individual de cada um, sem sacrificá-los, física, mental e emocionalmente. Sabem que confiança é fundamental.

Passo a passo, usando os exercícios da Escola Acadêmica, sempre com o tempo que for necessário para desenvolver as habilidades dos seus animais. Progredir no Programa significa passar para uma fase mais adiantada, executar os exercícios e as manobras despertando o espirito dos animais, isto é, aumentando paulatinamente o grau de dificuldade. Tom Dorrance dizia que perceber a parte física entrando em contato com a mental, não é tão difícil. Mas perceber essas duas partes entrando em contato com o espírito (emocional)já não é tão simples.

Eles têm consciência de que os resultados que virão das apresentações serão consequência de uma relação que tem vínculo forte na parceria construída durante o Programa de Escolarização de cada um dos seus animais.

Seus cavalos não foram intimidados, nem amedrontados. Possuem uma Base sólida que que vai lhes promover uma vida útil muito mais longa, podendo ajudar uma gama enorme de cavaleiros. Tanto profissionais como amadores.

Um verdadeiro horseman não importa se está montando potros ou recuperando cavalos mais velhos, ou mantendo os cavalos prontos  para serem apresentados a qualquer momento.  Além disso, essas pessoas têm um prazer enorme em transmitir seus conhecimentos. Eles sabem que o mais importante são as experiências vivenciadas e não a informação em si. Por isso, não escondem nada, porque querem ajudar as pessoas a pensarem de uma forma mais aberta. Nas suas aulas, fica muito evidente a paciência, a consistência e a elegância. Tanto no que diz respeito aos cavalos quanto para os seus alunos, não importando se são pessoas experientes ou principiantes.

Para eles, um cavalo confiante, trabalha com o seu cavaleiro e não para ele.

Numa época em que a indústria do cavalo é guiada pela economia e pelos rendimentos financeiros rápidos e o sucesso é medido principalmente pela quantidade de dinheiro que esse ou aquele cavalo é capaz de ganhar, a Tradição e todo o Processo de Treinamento vem se transformando, dando prioridade a uma mentalidade imediatista, onde a compensação financeira é principal, desprezando o treinamento Tradicional, onde o Programa é construído observando a qualidade, a individualidade e a longevidade da vida útil de cada cavalo. Numa indústria dominada pela pressão financeira e com a ambição de construir grandes animais num tempo cada vez menor, esses horsemen tradicionais, fieis à sua filosofia, leais aos seus alunos, atualmente deveriam ser vistos como verdadeiros artesãos. O mercado dos imediatistas, no entanto, o classificam de “fora de moda”. Dizem que cavalos feitos dessa maneira não são competitivos etc...   E isso, faz com que essas pessoas fiquem cada vez mais difíceis de serem encontradas. 

Para esse tipo de gente, não importa se estão lidando com principiantes ou avançados. Eles acreditam que todos merecem saber, que para pegar peixes grandes precisam procurar águas profundas. Um instrutor que acredita no rigor da disciplina, mas que não perde o afeto e a compaixão e consegue manter a firmeza sem ser grosseiro, e que ainda consegue apresentar bem os seus cavalos, só pode receber a denominação de Top Horseman. (Artigo publicado originalmente na edição 100 da Revista Horse - Veja a edição digital AQUI)

Revista Horse
Eduardo Borba

Eduardo Borba

.Eduardo Borba é professor titular do Projeto Doma, em Capivari (SP), e colunista da Horse. E-mail: [email protected]. Site www.doma.com.br

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