04-Mai-2020 10:26
Manejo

Ordem na casa

Fazer o manejo e estoque dos alimentos no haras corretamente é fundamental para manter os animais saudáveis e evitar gastos desnecessários.

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Uma boa nutrição dos cavalos envolve vários fatores importantes, não somente pertencentes aos alimentos em si, mas também as condições ambientais em que os mesmos são produzidos e armazenados. O cuidado com a alimentação deve partir do momento da compra do alimento. Ao adquirir a ração para os cavalos deve-se observar a procedência dela, ou seja, de onde vem o produto e se o fabricante é idôneo e possui registro no Ministério da Agricultura (MAPA).
No estabelecimento de venda de alimentos, a observação das condições de estocagem é imprescindível, sendo os fatores mais relevantes a serem notados: o armazenamento dos sacos de ração sobre estrados de madeira e sem estarem encostados em parede, ausência de umidade, insetos e roedores, ventilação e temperatura adequadas. No caso dos volumosos conservados (feno) os itens a serem observados são os mesmos para a ração ensacada.

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A conservação correta dos alimentos é vital para que os animais recebam ração e feno saudável
A partir da aquisição do alimento, os cuidados no armazenamento e manejo se estendem ao haras. Geralmente, o ambiente de estocagem dos mantimentos é um espaço anexo às baias, para facilitar o acesso dos tratadores e o fornecimento aos animais. Nesse espaço, usualmente chamado de “quarto de ração”, são armazenados os alimentos e também os objetos empregados no dia a dia para a manutenção das baias.
O tamanho desse “quarto” varia de acordo com a capacidade de alojamento do haras, mas comumente a área total não ultrapassa 12 metros quadrados. A presença de uma janela para ventilação e circulação de ar é importante, porém a mesma deve ter boa vedação para evitar entrada de água das chuvas. Em alguns haras, a área de armazenamento de feno é improvisada em qualquer outro local maior (às vezes até em uma baia sem uso), principalmente porque o feno ocupa mais espaço. Esse ambiente também deve ser protegido de água das chuvas.
Tanto a ração quanto o feno devem ser alocados sobre estrados de madeira, distante pelo menos 20 centímetros das paredes, de forma a promover a circulação do ar e evitar o surgimento de fungos decorrente do excesso de umidade. Em ambos os casos, sempre o alimento mais novo, recém-chegado ao haras, deve ir para a parte de baixo ou atrás do alimento mais “velho”. Assim, evita-se a perda de ração por vencimento do prazo, que geralmente é de três meses a partir da data de fabricação, e a perda de feno por desenvolvimento de fungos.
Nesses ambientes de armazenamento, é de suma importância promover o controle de insetos e roedores, de modo a proteger os alimentos de possíveis contaminações trazidas por esses animais, principalmente a leptospirose (no caso dos roedores) e bactérias e vírus (no caso dos insetos). É comum a introdução de gatos nas baias para promover o controle de roedores, porém, os felinos podem transmitir aos cavalos a toxoplasmose, através da contaminação dos alimentos e da água.
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A estocagem incorreta do feno pode ocasionar doenças por fungos nos animais
Após a abertura da embalagem de ração, seu manejo merece cuidados especiais, visto que o processo de oxidação da ração é acelerado, e ainda, a contaminação por micro-organismos ocorre de forma acentuada. A ração pode ser acondicionada em recipientes de plástico, comumente utilizam-se tambores provenientes da armazenagem de essências alimentares, que devem ser bem lavados e secos antes de se colocar a ração neles. É importante manter a ração na embalagem original, fechando-a sempre após o uso, e utilizar todo seu conteúdo antes de abrir uma nova embalagem. Caso haja presença de insetos e fungos, a ração não poderá ser oferecida aos cavalos; os fungos são responsáveis pela produção de micotoxinas, sendo a aflatoxina a mais prejudicial para os equinos.
Todo material empregado para manejar a ração (conchas, pás, baldes) deve ser periodicamente higienizado com água e sabão. A limpeza do “quartinho de ração” deve ser feita diariamente, através da varrição do chão, jogando o material recolhido no lixo orgânico; não é aconselhável destinar essa varredura aos cavalos devido à possibilidade da mesma estar contaminada com micro-organismos e objetos pequenos. A organização de todos os materiais em seus devidos lugares facilita a manutenção da higiene do local.
No momento do trato, o transporte da ração do tambor ao cocho precisa ser imediato, a demora nesse processo expõe a ração à ação de micro-organismos e pode também ressecar o alimento, principalmente quando o mesmo possuir melaço na composição. É importante que o tratador esteja com as mãos higienizadas. Qualquer manejo feito nos alimentos deve ser realizado minimizando o contato com contaminantes, e o ambiente de armazenamento deve estar sempre limpo e organizado. (Artigo publicado na edição 65 da Revista Horse)

Revista Horse
Sabrina Funari

Sabrina Funari

é Zootecnista graduada pela FZEA/USP
e-mail:[email protected]

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