24-Ago-2020 10:53 - Atualizado em 24/08/2020 11:11
Manejo

OS CAVALOS SENTEM FRIO?

Sim! Com a chegada do inverno é preciso uma série de cuidados especiais que variam de acordo com a forma de confinamento e atividades

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        Muitos dos leitores devem se perguntar se os equinos e muares precisam de cuidados especiais no inverno. A resposta é “sim”, precisamos ter alguns cuidados extras para manter a saúde e o bem-estar dos animais. Obviamente algumas regiões do Brasil (Sul, parte do Sudeste e Centro-Oeste) são mais frias nessa época do ano e precisamos fazer algumas recomendações quanto ao manejo dos animais.

Temos pelo menos três situações de criações de equinos e muares:

1 – Animais criados exclusivamente a campo (tempo integral sujeito ao clima);
2 – Animais criados parcialmente em regime de campo (estes geralmente são recolhidos em um estabulo para pernoitar) 
3 – Animais estabulados (tempo integral em cocheira).

        Diante disto, naturalmente os equídeos ao entrarem na estação de outono (diminuição da luminosidade) entram em uma fase preparatória para o inverno. Nessa fase, as pelagens dos animais se tornam mais densas, longas e grossas. Essa pelagem é bem característica de animais criados exclusivamente a campo ou em regime parcial de campo. O outono é uma fase crítica de transição, pois durante o dia podemos ter altas temperaturas, porém as madrugadas são frias. Essa pelagem descrita é a defesa fisiológica e natural dos animais frente à estação do ano (outono e inverno).

         Essa estação torna-se crítica porque desafia o organismo dos equídeos. Durante o dia, conforto térmico que não demanda de gastos excessivos de energia para manter-se aquecido. No entanto, à noite, as temperaturas baixas demandam energia extra para manter o aquecimento do corpo. Isso tudo faz com que haja uma queda da imunidade dos animais, por isso, independente do sistema ao qual seu animal esteja submetido, recomenda-se realizar vacinação para influenza (gripe equina), que muito é importante.

        Aliado à prevenção da gripe equina, por meio de vacinação, recomenda-se uma atenção à alimentação dos animais. Com aumento da demanda de energia para se manter aquecido, há naturalmente um aumento de consumo de alimento. Essa demanda por mais alimento deve ser suprida de forma que os animais não venham a ter perda de peso e mantenham seu escore corporal ideal. A faixa de temperatura ambiente para conforto térmico dos equinos é de +5°C até +25°C, de acordo com INRA (2015 - Equine nutrition: INRA nutrient requirements, recommended allowances and feed tables).

       A demanda por alimento frente à temperatura ambiente é relativa ao indivíduo. No entanto, estudos mostram que em temperaturas menores que 0°C, o aumento na demanda energética pode chegar a 50%. Sendo assim, haverá necessidade de suplementação alimentar com rações concentradas. No entanto, esse aumento de ração deve ser consciente. Primeiramente, devemos preconizar dietas com maiores relações de volumosos, como fenos e capins (aliás, esse tema já foi abordado em edições passadas) e estes devem ser de boa qualidade. Investir em uma boa ração concentrada também é interessante. Assim, teremos um aporte de nutrientes e energia para que o animal possa se manter aquecido.

      Importante destacar, entretanto, que com a diminuição de temperaturas ambientes e aumento de ingestão de alimentos, os riscos de cólicas aumentam, devido a uma diminuição na ingestão de água. Por isso, fenos de boa qualidade, que propiciem uma mastigação, e a divisão do alimento concentrado em pequenas frações (menor que 1,8 kg de concentrado por refeição) e estímulo ao consumo de água, auxiliam a prevenir ocorrências de cólicas, principalmente para animais estabulados. Já animais a pasto ingerem volumoso constantemente e, muitas das vezes, com presença de orvalho, o que diminui os riscos de cólicas a praticamente zero.

Acessórios

        Uma alternativa para diminuir as sensações térmicas em temperaturas frias é o uso de capas. As capas atuam como uma barreira, evitam que os animais sintam frio e podem ser aplicadas tanto a animais estabulados quanto a campo (única atenção é de os cavalos precisam de adaptação previa ao equipamento, para não se assustarem). A alternativa para aqueles animais em regime de campo, principalmente nas regiões mais frias, é que sejam providenciados locais de abrigos com proteção de chuva e ventos, como estábulos coletivos ou pequenos galpões.

        Outro cuidado importante está relacionado a animais estabulados e em treinamento. Animais estabulados demoram mais para apresentar a pelagem característica de inverno e, muitas vezes, quando fazem uso de capa, tendem a ter a pelagem fina (mais característica de verão). Nessa situação, os animais não apresentam proteção natural contra o frio (pelagem grossa) e necessitam fazer uso de capa constante em dias mais frios ou apenas à noite.

QUANDO E COMO DAR BANHOS
Outro fato após o treinamento é evitar, ao máximo, banho completos (corpo todo). Quando muito necessários, apenas banhos de meio corpo (membros e abdômen) nas horas mais quentes do dia. Sempre que possível, apenas as limpezas com escovação e rasqueadeiras devem ser preconizados. Caso haja necessidade de banhos, o uso de toalhas deve e pode auxiliar a reduzir o tempo de secagem. O uso da toalha também pode ser aplicado para auxiliar a secagem do corpo dos animais após os treinamentos. Importante que esses animais voltem à cocheira com o máximo do corpo seco, para evitar perdas de calor e, consequentemente, frio por muito tempo.

      Ainda nesse sentido, animais em treinamento precisam ter cuidados quanto aos exercícios de aquecimento. Lesão muscular são mais evidenciados nessa época do ano. Dessa forma, horários de treinamentos devem ser preconizados para horas mais quentes da manhã restando um tempo maior no período vespertino, para resfriamento e secagem do animal. Atenção para não colocar o animal suado em corrente de vento para se secar. Ao sol, com pouca corrente de vento, ótimo; jamais na sombra com corrente de vento.

        Outro fato após o treinamento é evitar, ao máximo, banho completos (corpo todo). Quando muito necessários, apenas banhos de meio corpo (membros e abdômen) nas horas mais quentes do dia. Sempre que possível, apenas as limpezas com escovação e rasqueadeiras devem ser preconizados. Caso haja necessidade de banhos, o uso de toalhas deve e pode auxiliar a reduzir o tempo de secagem. O uso da toalha também pode ser aplicado para auxiliar a secagem do corpo dos animais após os treinamentos. Importante que esses animais voltem à cocheira com o máximo do corpo seco, para evitar perdas de calor e, consequentemente, frio por muito tempo.

        Precisamos ter sempre em mente que os animais também sentem frio. Obviamente, com uma capacidade bem maior do que a dos humanos para superar condições climáticas críticas, como o frio. No entanto, cuidados básicos podem favorecer ao bem-estar e a saúde dos animais. Então fica a dica para que você possa proporcionar mais qualidade e conforto aos seus animais e, assim, aproveitar de mais momentos agradáveis com eles. (Artigo publicado na edição 125 da Revista Horse)

 

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Leonir Bueno Ribeiro é doutor em Zootecnia, Professor de Equideocultura e Julgamento de

Revista Horse
Leonir Bueno Ribeiro

Leonir Bueno Ribeiro

é formado em Zootecnia, com Mestrado em produção e nutrição de equinos
e-mail: [email protected]

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