10-Ago-2020 09:48
Treinamento

Os tipos e ações das Rédeas

Quando as rédeas atuam, conduzidas por boas mãos, fazem uma ligação entre cabeça, pescoço, dorso e garupa do cavalo

horse,
Assine a Horse

Todos aqueles que montam podem facilmente aceitar a afirmativa que ter “boas mãos” é uma das mais importantes virtudes da equitação. Elas atuam através das rédeas, que por sua vez funcionam como receptoras das mensagens enviadas pelo cavaleiro para o seu cavalo e por atuarem diretamente sob a embocadura, deverão ser conduzidas por mãos sensíveis e refinadas.
É comum escutarmos que um determinado cavaleiro é um mestre na arte da equitação exatamente por ter “boas mãos”. Sem dúvida, tal cavaleiro possui tato, conhece os tipos, ações e efeitos das rédeas e sabe ser firme, porém suave. Um bom tato está intimamente ligado a um bom assento e à sustentação e consciência da parte superior do corpo sobre o qual não causará interferência negativa nas ações das mãos.
É importante ressaltar que no ensino de um cavalo devemos seguir e respeitar as fases. No início da vida de um animal de sela, aplicamos a teoria “mãos sem pernas, pernas sem mãos”. Nesse artigo tratarei das técnicas pós-iniciais, onde as ajudas das mãos trabalharão em conjunto com as ajudas das pernas e assento. Somente um cavalo que estiver obediente e compreensivo às pernas, receberá com mais facilidade e colaboração as ajudas que vêm das rédeas. É através das pernas do cavaleiro que há produção do desejo de avançar do cavalo, criando energia e engajamento dos posteriores, chegando, por sua vez, às mãos do cavaleiro.
Na equitação cada tipo de rédea tem uma ação e produz um efeito sobre o cavalo. Como disse anteriormente, quando as rédeas atuam, conduzidas por boas mãos, fazem uma ligação entre cabeça, pescoço, dorso e garupa. Tais ações só terão o efeito desejado quando o cavalo estiver disponível, em descontração. Um cavalo tenso não conseguirá “passar” a energia do movimento, bloqueando o dorso e, consequentemente, não haverá conexão com os posteriores.
Para falar sobre os efeitos das rédeas, deve-se, primeiro compreender os tipos e ações. É disso que falaremos hoje. No próximo mês abordaremos os efeitos.
Em geral, considera-se quatro tipos ou categorias de rédeas: reguladoras, não-permissivas, permissivas e as de suporte/apoio.

treinamento 68, edu,
Treinamento 68
As rédeas reguladoras são aplicadas de acordo com o “peso” das mesmas, em conjunto com as ajudas das pernas. Elas auxiliam as transições decrescentes, servem para reunir as passadas dentro do mesmo andamento (passo, trote e galope) , atuam para fazer o alto ou recuar, assim como para criar um cavalo alerta. Se pensarmos sob o ponto de vista da física, quanto mais curtas forem as rédeas, maior a velocidade da mensagem enviada por elas. Portanto, muito cuidado em não confundir rédeas mais curtas com “andar pendurado” na boca do cavalo. O cavalo jamais poderá usar as mãos do cavaleiro para se debruçar, pois o resultado disso será uma falta de circulação na língua do cavalo, provocando a chamada boca “morta”, pesada e insensível. Isso tudo é o contrário do que almejamos na prática da boa equitação.
Cada ação da rédea reguladora deverá terminar com uma baixada de mão, mostrando assim que houve entendimento entre o conjunto. Ofereça as rédeas para o seu cavalo, logo que ele lhe der a resposta que você pediu, assim como se fosse um momento de “respiro” entre a sua mão e a boca do cavalo.
As rédeas não-permissivas (fig. 2) são aquelas que recebem e controlam o desejo de avançar criado pelo cavaleiro através do seu assento e ajudas de pernas, fazendo com o que o cavalo aceite esse tipo de rédea até tornar-se leve nas mãos. Elas podem ser empregadas também quando o cavalo vai contra à mão ou passa acima da mão, mas cuidado para não confundir o uso desse tipo de rédea com simplesmente “puxando a boca do cavalo”. Não abuse desse tipo de ação por excesso de repetições, a fim de evitar reações negativas e indesejáveis. Se ele não responder, faça-o avançar e tente novamente.
Esse tipo de rédea objetiva a busca pela leveza e refinamento, pois é fundamental que o cavaleiro avance as mãos (ceder) assim que ele sentir que o cavalo ficou leve e entregou a nuca.
As rédeas permissivas (fig. 3) são aquelas, como o próprio nome diz, que permitem o alongamento da silhueta do cavalo, relaxando as articulações, mas não perdendo totalmente o contato com a boca. O cavaleiro deverá então ceder as rédeas, sem abandonar totalmente o contato com a boca do cavalo, para que haja manutenção do ritmo. É um tipo de ação que ao ser bem executada beneficia o cavalo como um todo auxiliando na construção de um contato elástico e boa conexão.
As rédeas de suporte (fig. 4) ou de apoio é aquela que é dada pela rédea de fora quando o cavalo está encurvado. É importante que ela nunca cruze seu pescoço. A rédea de fora controla a encurvação que, por sua vez, é criada pela perna e rédea de dentro. Portanto, as pernas devem atuar em conjunto com as ajudas das rédeas de suporte. Se essas rédeas atuarem de maneira excessiva, ele poderá ter dificuldade de se encurvar e flexionar corretamente. Se as ajudas forem muito fracas, seu cavalo poderá cair sob a espádua de fora.
É muito importante ressaltar que, para que o cavaleiro possa compreender, utilizar e fazer com que o seu cavalo entenda as ações produzidas pelos tipos de rédeas, ele deve primeiramente:

  • saber usar o seu próprio corpo de maneira independente, onde pernas, mãos, cabeça, ombros e braços podem mover-se independentemente um do outro
  • ter um assento equilibrado
  • conhecer a mecânica de andamentos do cavalo e saber onde ele põe os pés
  • ser calmo, paciente e claro

(Artigo publicado na edição 68 da Revista Horse)

Revista Horse
Ndzinji Pontes

Ndzinji Pontes

Cavaleiro angolano radicado no Brasil, titular da Coudelaria Função em Ibiúna, SP, é um dos mais respeitados treinadores de adestramento do Brasil, recebendo em seu centro de treinamento os mais importantes cavalos da modalidade no Brasil.

Deixe seu Recado