12-Jun-2020 18:19 - Atualizado em 17/06/2020 15:32
Raça

Paint Horse no Brasil

Reportagem da Revista Horse Business publicada em maio de 1992 revela como a raça chegou ao Brasil

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Horse

Originário dos EUA, onde conta com cerca de 195 mil animais registrados, e aproximadamente 30 mil criadores, o Paint Horse foi a raça que apresentou o maior crescimento nestes últimos anos naquele país.

Enquanto outras raças sofreram com a retirada governamental dos subsídios à eqüinocultura, seguida logo após pela situação de recessão que se instalou no país. O Paint Horse manteve sua taxa de crescimento com uma força notável, motivado por razões que a partir deste ano começaremos a compreender.

Quem sabe por estes mesmos motivos, mas num panorama um tanto diferente, foi também o Paint Horse uma das últimas raças a desembarcar no Brasil. Num momento cm que poucos acreditam nas possibilidades da nação, onde impera o ceticismo, a importação destes animais e a fundação da ABPH (Associação Brasileira do Paint Horse), nos mostram que num contexto geral a INDÚSTRIA NACIONAL DO CAVALO continua crescendo e demonstra potencial de sobra para quem souber acreditar.

Se considerarmos os cavalos que se enquadram no conceito de stock-horse-type, cuja morfologia segue um padrão pré-determinado pelo modelo de conformação do Quarto de Milha, necessitaríamos ainda de mais algumas informações, para podermos entender o que é o Paint Horse, sem nos perdermos em cansativas polêmicas sobre pelagens.

Re-introduzidos no Continente americano pelos colonizadores espanhóis, os cavalos que passaram a habitar as planícies do Novo Mundo, eram descendentes daqueles animais de origem principalmente Ibérica Árabe e Bérbere. Foragidos ou perdidos de seus rebanhos encontraram um ambiente favorável a sua reprodução. Mas, como era de se esperar, ditava fatores decisivos à seleção dos indivíduos melhor capacitados à sobrevivência sob suas condições específicas.

Desta forma, consorciados os sangues, trazidos pelos colonizadores que primeiro tocaram a América, obteve-se um patrimônio genético heterogêneo, que selecionado no transcorrer de mais de 300 anos, acabou produzir um animal rústico, robusto, portador de uma poderosa estrutura óssea. O Mustang. Livres e selvagens, estes animais vagaram por muito tempo, se espalham do por quase todo o continente. Eram encontrados cm todas as variedades de cores: castanhos, alazões, tordilhos, zainos, mantados, tobianos, oveiros e outras mais.

À disposição dos índios, que logo aprenderam como utilizá-los, os Mustangs promoveram uma revolução na cultura e no estilo de vida indígena.
Com o início da colonização inglesa deram-se as primeiras importações de cavalos de sangue inglês para o continente. A conseqüente independência da colônia e o crescimento da população americana diminuíram as importações de animais e aumentou a demanda de cavalos para trabalho e transporte. Estes dois fatores conjugados. Estimularam o cruzamento entre os cavalos dos colonos e os Mustangs, abundantes no continente. O processo de conquista e ocupação do interior americano, impulsionou a crescente população em direção oeste. O atrito criado pelo estreitamento das fronteiras indígenas, as batalhas travadas entre índios, colonos e o exercito, e também os diversos contatos entre índios e comerciantes brancos, promoveram como era de se esperar, uma intensa troca de animais, O que certamente levou o sangue inglês a habitar as aldeias indígenas e mais uma vez se misturar com o dos Mustangs.

Uma fusão de Mustangs com animais de sangue inglês. Pode-se dizer que
outras raças participaram em sua formação, mas sem dúvida estas duas foram as mais importantes.

Esta é a base do stock-horse-type. Uma fusão de Mustangs com animais de sangue inglês. Pode-se dizer que outras raças participaram em sua formação, mas sem dúvida estas duas foram as mais importantes.
Após a total conquista do continente e conseqüente submissão das nações indígenas, este animal passou a ser utilizado mais intensamente no trabalho nos ranchos, no transporte e na diversão da população. A partir daí iniciou-se um novo processo de seleção do cavalo americano, processo este que determinou a fixação das principais características que compõe o slock-horse-type, que hoje engloba as raças conhecidas como o Quarto de Milha, o Appaloosa e o Paint Horse.
Produtos de um cruzamento básico, semelhantes e selecionados na mesma região, com objetivos pelo menos comuns, estas três raças possuem também em suas fundações, animais como o reprodutor Old Fred, do qual se desenvolveram fortes linhagens de Quartos de Milha, Appaloosas e Paint Horses.
Completando apenas trinta anos de sua fundação, a APHA (American Paint Horse Association) desenvolveu um sistema moderno de seleção genética, que permitiu um rápido desenvolvimento da raça e, o que é melhor, com um alto grau de refinamento. Hoje o plantel americano conta com reprodutores de primeira qualidade, das principais linhagens fundadoras e também das principais linhagens Quarto de Milha. A preocupação com as modalidades de performance e com as classes amadoras, garante a manutenção do interesse pelo animal, abrindo o mercado e estimulando seu crescimento.
No Brasil o Paint Horse está sendo introduzido pelo Haras Mayara (Padre Bernardo, 60) que importou os garanhões Hot’n Bright e Hot Eagle Feather,juntamente com um precioso lote de éguas das principais linhagens Paint dos EUA.
A chegada destes animais na região Centro Oeste, um crescente pólo de desenvolvimento do cavalo Quarto de
Milha, logo despertou o interesse de outros criadores e assim pôde ser fundada a ABPH (Associação Brasileira do
Paint Horse).
Fábio André Ribeiro, titular do Haras Mayara, acredita no futuro do Paint no Brasil, pois já existe um mercado para o cavalo, fortemente atrelado ao Quarto de Milha e que pede a entrada do Paint no país.
Ainda hoje, ocorre nos EUA e aqui no Brasil, o nascimento de animais Quarto de Milha com excesso de branco em suas pelagens. Resultado de seu passado histórico, este gen de cor que define a pelagem Paint não pôde ser totalmente estirpado do plantel Quarto de Milha por uma questão de tempo de seleção. O processo desenvolvido para controlá-lo e evitar que esse gen se perpetue na raça Quarto de Milha, expulsando-o gradativamente, impede ou restringe o registro destes produtos, mesmo quando filhos de puros.
Os animais Artigo 53 são Paint Horses em potencial.
Nos EUA estes animais passaram a ser registrados na APHA, aqui no Brasil, por não existir até então um órgão oficial, a própria ABQM (Associação Brasileira do Quarto de Milha) criou um sistema de registros que passou a classificar este

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PAINT HORSE
animal com excesso de branco, nos joelhos, na face, abaixo do lábio inferior, e cm qualquer outra região do corpo como Artigo 53. O número destes eventos não é alto, mas nos últimos anos foi capaz de garantir cerca de 2.406 animais cadastrados como Artigos 53, os quais ficam proibidos de reproduzir para não perpetuarem tais características. Por este motivo, os animais que na verdade são Paint Horses cm potencial, ficaram relegados a uma segunda classe. Por não poderem ser utilizados na reprodução, seu valor de comercialização deixou de ser compatível ao de mercado, para animais com as mesmas linhagens e o mesmo grau de sangue, mas que não possuiam estas características de pelagem, agora tão procuradas pelos interessados nesta nova raça.
Principal diferencial do Paint Horse, sua pelagem exótica, apresenta três padrões básicos: Tobiano, Oveiro e uma terceira que é a fusão das duas primeiras, e que por isso é chamada Toveiro. Os animais de pelagem tobiana, apresentam basicamente as quatro patas brancas, a cabeça e a face escuras, suas caudas podem ter duas cores. Os oveiros em geral possuem malacara, e sempre terão, pelo menos uma de suas patas escuras, da cor da pelagem básica. Os animais toveros conjugam as características de ambas as pelagens descritas. A pelagem básica pode variar dentro das sólidas que conhecemos, indo do baio até o castanho mais escuro.

O Stud Book da ABPH, além de permitir o registro dos animais Artigo 53 para a reprodução, permite também a utilização de matrizes e reprodutores Puro Sangue Ingleses, Quartos de Milha, mestiços e puros cm cruzamentos com Paint Horses, para a produção de animais registrados com a devida porcentagem de sangue conhecido.

Para garantir um rápido desenvolvimento da raça, sem que ocorra uma diminuição da qualidade dos produtos Paint nacionais. Os cruzamentos com mestiços são registrados segundo o grau de sangue que possuem. Desta forma, uma égua mestiça 3/4 de sangue Quarto de Milha por exemplo, servida por um reprodutor Paint puro, produzirá um mestiço 7/8 de sangue Paint. cem metros em apenas cinco segundos. O principal objetivo do Jockey Club de Sorocaba é estimular o desenvolvimento e seleção do cavalo Quarto de Milha de corrida.

Ocupando uma área total de aproximadamente seiscentos mil metros quadrados, o local conta com quarenta e quatro grupos de cocheiras (doze baias por grupo) onde encontram-se em treinamento por volta de quatrocentos animais. Este número deverá crescer em pouco tempo, pois já se começa a treinar os participantes da principal prova de potros estreantes do Quarto de Milha, o POTRO DO FUTURO, devendo ultrapassar a casa dos quinhentos animais. As classificatórias, período de 24 a 31 de maio, premiarão os primeiros oito colocados com aproximadamente cem milhões de cruzeiros, incluindo o sorteio de um carro.

O principal objetivo do Jockey club de Sorocaba é estimular o desenvolvimento e seleção do cavalo Quarto de Milha de corridas.
A pista de areia de Sorocaba é uma das mais velozes e seguras do país, tendo sido construída segundo padrões e normas internacionais. Com 1.200 metros de volta fechada e 700 de reta, a pista conta com arquibancada e área para mais de mil espectadores, restaurante churrascaria, lanchonete e principalmente, estacionamento e entrada franca.

No tocante às premiações, o Jockey Club de Sorocaba apresenta uma programação muito tentadora. O QUARTER HORSE GOLDEN CLUB programado para esta temporada de corridas, será administrado pelo Jockey Club de Sorocaba no período de março a outubro deste ano. Organizado especialmente para estimular o número de participantes das corridas, surge como uma promoção que dará prêmios milionários. O QUARTER HORSE

GOLDEN
CLUB promoverá oito grandes provas, sendo cinco para potros com idade hípica de dois anos e três para animais com idade hípica de três ou mais anos, além de seis párcos subsidiados. O GOLDEN CLUB já ofereceu trinta milhões de cruzeiros e mais três quilos de ouro, sendo que no último GP o ganhador levou um quilo de ouro, mais quatro milhões em dinheiro. Até o final do ano serão setenta e dois milhões, mais seis quilos e meio de ouro em prêmios. Para as provas com potros de dois anos só serão aceitos os importados que chegaram ao Brasil até o dia seis de outubro de 91. Cada membro do Club poderá inscrever quantos animais desejar em cada prova, observadas as normas a seguir (veja a tabela) e nas finais o limite de dois animais por proprietário, conforme o Código nacional de corridas.

Apostar e acreditar num objetivo, são os primeiros passos para que ele venha a se materializar. Depois é preciso muita fibra, esforço e persistência para que possam ser superados os obstáculos do caminho. A iniciativa Jockey Club de Sorocaba é resultado do trabalho de gente que aposta no que acredita. Uma realização que Métodos de reprodução artificial, são uma das inovações que a ABPH instituiu em seu projeto de crescimento. Serão permitidas: inseminação artificial à quente e à frio, assim como congelamento e transplante de embriões. Já estão à disposição no Haras Mayara, doses de sêmen dos garanhões Paint: Hot’n Briglit e Hot Eagle Featlzer. Assim como embriões congelados, produtos do campeão mundial Quarto de Milha, Chavallero, com éguas Paint importadas.

A expectativa em torno da raça é muito grande, assim como é a do criador de Paint Horse que espera o nascimento do seu primeiro potro, e não sabe qual o desenho que poderá marcar sua pelagem. Será um potro branco com manchas marrons, ou será que ele é preto com manchas brancas?

Esta expectativa é com certeza muito saudável. No entanto, não importa qual é a forma ou a cor das manchas do seu Paint. O que realmente vale é o que ele possui por dentro, e isso só conhece quem já teve ou tem um. Um cavalo dócil, inteligente e versátil, que chegou para marcar a história do desenvolvimento do cavalo no Brasil. (Matéria publicada em Maio de 1992 na Revista Horse Business)

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