12-Jun-2021 16:57 - Atualizado em 12/06/2021 17:30
Carta ao leitor

Paradoxos equestres

Enquanto o IBEqui se estrutura e se fortalece como  entidade representativa do setor, a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) passa por um dos piores momentos de seus 80 anos de história

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O segmento equestre no Brasil cresce a passos largos e promissores, confirmando o seu potencial produtivo e econômico, agregado ao expoente agronegócio nacional. Um dos avanços mais significativos e expressivos dos últimos
anos foi a fundação do Instituto Brasileiro de Equideocultura (IBEqui), oficializada em agosto do ano passado. Uma ideia que nasceu por meio dos diálogos entre lideranças, proporcionados pela série de encontros nas Lives do “Horse Debates Equestres”. Pela primeira vez, se discutia abertamente e frente a frente a necessidade de ações conjuntas em questões como  sanidade e bem-estar animal, segurança jurídica para a realização de eventos e representatividade frente aos órgãos públicos. 

Em pouco tempo, presidentes de associações de raças, juntamente com representantes de outras entidades  correlacionadas com o setor, decidiram se reunir por meio de uma entidade-mãe que pudesse ser a “porta-voz” de um segmento extremamente produtivo e presente nas atividades de trabalho, lazer e esporte. Começava-se, assim, a  derrubar alguns velhos paradigmas e pavimentar um novo caminho em busca de soluções práticas e objetivas. 

Em fevereiro deste ano, o Instituto Brasileiro de Equideocultura elegeu sua primeira diretoria, já com mais de 30 entidades filiadas e, o melhor, com uma pauta de realizações concretizadas. Sim, antes mesmo de ter diretores eleitos e nomeados, o IBEqui já tinha resultados práticos, como se pode ver na reportagem da página 24 da edição 130. 

Enquanto o IBEqui se estrutura e se fortalece como  entidade representativa do setor, a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), maior entidade esportiva equestre  brasileira, passa por um dos piores momentos de seus 80 anos de história, com uma “guerra” política sem precedentes. 

A complexidade do segmento, entretanto, impõe alguns desafios maiores em suas ramificações. Enquanto o IBEqui se estrutura e se fortalece como  entidade representativa do setor, a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH), maior entidade esportiva equestre  brasileira, passa por um dos piores momentos de seus 80 anos de história, com uma “guerra” política sem precedentes. Às portas de uma Olimpíada, com chances reais de conquistas de novas medalhas, disputas na Justiça sobre um conturbado processo eleitoral transformaram a entidade em um campo de instabilidade, com sucessivas liminares que até agora não representaram nenhum resultado prático e só apontam para incertezas de curto, médio e longo prazos. 

Nada é por acaso. A CBH sofre na prática os efeitos de sua atrofia democrática, consequência de sucessivos anos com “acordos de bastidores” e sem concorrência eleitoral. Com isso, atletas e agentes que até há pouco tempo dividiam a mesma mesa, agora se engalfinham como “inimigos mortais”, com atitudes deploráveis que ultrapassam os limites do respeito e da civilidade. Aos observadores externos é difícil até entender como o chamado “hipismo clássico” chegou a tão baixo nível, projetando para a sociedade uma situação totalmente oposta ao esperado espírito esportivo. Infelizmente, essa é a atual realidade. 

À comunidade hípica resta agora torcer para que os ânimos sejam acalentados e recupere-se o poder do diálogo, a exemplo do que fez o IBEqui. A Justiça, por mais morosa e questionada que possa ser, tem o seu  tempo e é preciso respeitá-la. Isso sim se chama democracia.

Revista Horse/Marce
Marcelo Mastrobuono

Marcelo Mastrobuono

jornalista, editor da Revista Horse

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