01-Fev-2021 10:12 - Atualizado em 01/02/2021 10:58
Veterinária

PARASITAS (parte 1)

Internos ou externos, os parasitas podem ser divididos em Endoparasitas (Nematódeos, Cestódeos e Trematódeos) e Ectoparasitas (Berne, Carrapato e Moscas)

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O mercado equestre está crescendo e muitos investimentos estão sendo feitos nas mais diversas áreas. Com isso, a cada dia, mais empresas começam a produzir produtos para os equinos, tendo, na maioria das vezes, o cuidado de oferecer produtos de real qualidade e que tragam benefícios para os animais. Este público, proprietário de cavalos, encara seus animais como um “PET” e deste modo procura tratá-los da melhor maneira possível e com uma condição sanitária ótima. Pensando neste manejo sanitário dos equinos, podemos dividi-lo em quatro partes de controle: Endoparasitas, Ectoparasitas, Anemia Infecciosa Equina (AIE) e Mormo e doenças através da Vacinação específica (Influenza equina, Tétano, Encefalomielite, Raiva, Aborto equino, Garrotilho etc.).
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O rodízio de piquetes é uma das medidas de prevenção da resistência aos parasitas
Dentre estes temas, o que mais preocupa são os parasitas, tanto internos como externos. Avaliar a condição parasitaria do animal, assim como escolher um produto eficaz transformou-se em uma tarefa nada simples. Podemos dividir os principais parasitas dos equinos em: Endoparasitas (Nematódeos, Cestódeos e Trematódeos) e Ectoparasitas (Berne, Carrapato e Moscas).
Um bom manejo antiparasitário leva o animal a este estado de saúde preventivo, inclusive economizando com o tratamento das mais diversas patologias que são muito mais caros que a própria prevenção. Como antiparasitários temos os: Endoparasiticidas, Ectoparasiticidas e os Endectocidas.

Controle de Endoparasitas

São utilizados para o controle das verminoses que habitualmente afetam os equinos. Os equinos são animais de hábito e seus hábitos alimentares favorecem a alta infestação de vermes em seu trato intestinal. Estes parasitas devem ser combatidos, pois eles se alimentam dos animais, debilitando seu organismo e comprometendo a saúde e desempenho. Alguns quadros verminóticos podem levar a casos clínicos de cólica e até morte de animais. Existem diversos tipos de vermífugos, com diferentes apresentações e composições, diferentes preços e resultados. Os vermífugos para equinos, de uma forma geral, apresentam-se para prescrição oral, podendo ser granulado, líquido, gel ou em pasta. Os mais comumente encontrados e mais eficazes são em gel ou pasta, porém com diferenças significativas em sua composição e resultados.
Os principais princípios ativos dos vermífugos encontrados são:
- Benzimidazóis (ex: Membendazol, Fembendazol, Ofendaxol): grupo antigo e que encontra resistência em grande parte dos vermes, tendo sua eficácia comprometida pelo uso indiscriminado.
- Organofosforados e Organoclorados (ex: Triclorfon): Também existem há bastante tempo, porém são eficazes para a maioria dos vermes, mas devem ser administrados com cuidado por sua toxicidade, principalmente em éguas prenhes.
- Pirimidinas (ex: Pamoato de Pirantel) e Pirazinoisoquinolonas (ex: Praziquantel): Princípios Ativos bastante eficazes para alguns grupos de vermes, mas não é muito abrangente, sendo muito utilizado em associações com outros princípios ativos.
- Lactonasmacrocíclicas (ex: Abamectina, Ivermetina, Doramectina e Moxidectina): Princípio Ativo descoberto na década de 80, muito eficaz no combate à maioria dos vermes. Porém, seu uso indiscriminado e em sub-doses tem levado a alguns casos de resistência. Tem sido muito utilizado em associação com Praziquantel ou Pamoato de Pirantel, o que amplia seu espectro de ação e sua eficácia. Em um recente trabalho publicado por Gomide,L. M.W. etall em 2015 demonstrou que apesar da Doramectina ser um princípio ativo mais recente, seu uso não mostrou ser uma boa opção para controle de verminoses em equinos, ficando atrás da Ivermectina, que apresentou eficiência e bem superior a Doramectina.
Lembrando que muitos dos endoparasiticidas, também são ectoparasiticidas ou até endectocidas.

Grande vilão

Para a criação da resistência a certas drogas, os parasitas se utilizam de diferentes formas, e uma bem estudada é mudar a estrutura dos canais iônicos de helmintos. Já foram identificadas diversas mutações em genes que estão relacionados com a resistência a essas drogas e várias destas mutações promovem mudanças estruturais dos canais iônicos. Codificando subunidades diferentes desses canais, o receptor apresentará um perfil farmacológico diferente e, portanto, pode não ser mais alvo de algumas drogas.

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Antes de vermifugar é preciso se atentar a idade, raça e estado fisiológico de cada animal
Uma outra forma de resistência a anti-helmínticos, agora por uma via não relacionada a canais iônicos e mais especificamente aos benzamidazois, é a mimetização da β-tubuína do hospedeiro pelo parasita: em parasitas sem resistência, a droga β-tubuína é diferente da β-tubuína humana, por isso a droga pode selecionar a β-tubuína do parasita; porém, quando ocorre a troca de uma fenilalanina por um tirosina na posição 200, as duas β-tubuínas (humana e do parasita) ficam muito semelhantes, fazendo com que a droga não tenha mais especificidade.
Deste modo, a grande diferença entre os grupos químicos está no seu mecanismo de ação diferenciado e nas formas de eliminação do parasita. Alguns antiparasitários são ineficazes contra parasitos após um período de tempo e não conseguem manter a mesma eficácia, nas mesmas condições. Esse fato caracteriza a resistência parasitária, constatada quando uma determinada droga, que apresentava redução da carga parasitária acima de 95% decresce para níveis inferiores a esse valor contra o mesmo organismo depois de determinado período. A maioria dos compostos é ineficaz contra todos os estágios de desenvolvimento dos parasitas de equinos, sendo que eles podem ser larvicidas e/ou adulticidas e/ou ovicidas, portanto a utilização de princípios ativos de mecanismo de ação semelhante funciona como um processo de seleção desses indivíduos resistentes e o rodízio atrasa o surgimento da mesma.
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Um esquema de desverminar eficaz deve sempre incluir um controle parasitário através de análise de fezes periódica, mas nem sempre isso é possível, então realizamos uma rotina de aplicação de vermífugos de tempos em tempos, trocando os princípios ativos.
Muita atenção com qual tipo de vermífugo irá utilizar. Se o produto estiver muito em conta, atenção à sua qualidade e eficácia. Produtos muito baratos em geral exigem maior número de aplicações devido à baixa eficácia ou período de ação, tendo um custo anual semelhante a um produto mais eficaz e de boa qualidade, por exemplo.


ATENÇÃO: Vermífugos injetáveis utilizados em bovinos quando usados em equinos podem ocasionar lesões nos locais de aplicação devido a contaminação ou ao veículo dos mesmos, e a aplicação oral destes mesmos produtos pode levar a sub dosagens de princípio ativo por perda na administração. (Artigo publicado na edição 86 da Revista Horse)

Revista Horse
Reuel Gonçalves

Reuel Gonçalves

é Médico Veterinário Especialista em Equinos 
CRMV SP 5595 & CRMV PR 5581/S
e-mail: [email protected]

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