08-Jan-2018 15:13 - Atualizado em 12/01/2018 17:07
Mangalarga

"Perdemos o bonde da história"

Veja os principais destaques da entrevista do novo presidente da raça, Luís Ópice, publicados na edição da Horse de dezembro/2017

Veja os principais pontos da entrevista do novo presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo da Raça Mangalarga, Luís Ópice, à Revista Horse, publicados na edição de dezembro:

 

102, edições,
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"Perdemos o bonde da história"

Perdemos o bonde da história. Estamos fazendo um levantamento de como éramos há 20 anos, como era o Marchador, como era o Crioulo e o Campolina. Há duas décadas éramos maior que todas essas raças. O Mangalarga nasceu e se desenvolveu pelos fazendeiros, quando a vida rural era mais importante que a urbana. A transformação da agricultura paulista pela monocultura, se deu nas principais zonas de criação do Mangalarga. Em contrapartida, o mineiro é muito mais ligado ao campo do que o paulista. Mesmo que tenha se tornado empresário, passado a morar na cidade, continua tendo uma ligação muito grande com as terras que herdou do pai, do avô. Então o mineiro nunca perdeu o contato com o campo e a criação rústica do cavalo.

 "...Criou-se uma bolha no Mangalarga..."

Tivemos um boom no valor do Mangalarga quando empresários da cidade passaram a investir na criação de cavalos como hobby. Foram para o Mangalarga, Árabe, outros para o Quarto de Milha, outros pro Lusitano. Naquela época, criou-se uma bolha do Mangalarga, com valores de cobertura, de venda de animais calculado em dólar. Mas essa bolha estourou e esses empresários, por necessidade, passaram a ter outro tipo de criação. Muito mais concentrada, com mão de obra, cocheira, ração. Isso criou também um diferencial nos animais. Quem criava cavalo de uma maneira mais intensiva, começou a colocar em pista um animal mais vistoso, mais bonito, mais saudável aparentemente. Equivocadamente, a área técnica da associação passou a premiar esse tipo de animal. Isso desestimulou aqueles que mantinham uma criação mais tradicional. Criou-se um distanciamento. As exposições passaram a ser o principal e único foco, enquanto que o Marchador não. Apesar também de ter exposições e nessas sempre se privilegiou o andamento

O papel dos técnicos: "Nós vamos lembrar os criadores diariamente de que eles precisam assumir o comando do "seu criatório"

Estes profissionais (técnicos) passaram a ter muita valorização a partir do momento que gente com dinheiro queria criar cavalo e não sabia. Então contratava um técnico para gerenciar esse processo. Passaram a ocupar o papel de dar velocidade ao pessoal urbano que queria começar a criação de cavalos, mas não entendiam de raças, linhagem, manejo etc... Os técnicos, além do próprio conhecimento, passaram a suprir o papel do contratante. Hoje, tem a predominância de alguns técnicos que passam a prestar serviços a mais de um criador. Nós vamos lembrar os criadores diariamente de que eles precisam assumir o comando do seu criatório. Você até pode perguntar em nível de assessoria, mas a decisão tem que estar dentro daquilo que se almeja buscar. E todo criador tem que pensar também na raça.

"Já tenho em minha agenda de trabalho um projeto de abrir um livro para muares"

Outras raças estão usando nossos cavalos porque realmente têm uma beleza morfológica, com o andamento muito bom. Então, nossa raça, como o Árabe ou Puro Sangue Inglês, passou a ser uma raça de melhoramento genético. Os criadores de muares realmente afirmam que a melhor tropa sai do cruzamento com Mangalarga. Nós, efetivamente, talvez por esse estigma de ser elite, não damos importância para isso. Mas já tenho em minha agenda de trabalho um projeto de abrir um livro para muares. Vamos estudar, falar com a associação. Vamos conversar com criadores e, se acharmos que vai trazer valor de mercado, vamos trabalhar para aproximar de segmento.  

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