03-Jan-2022 11:41 - Atualizado em 03/01/2022 16:39
Mercado

Perspectivas: o que esperar do segmento equestre em 2022

Questões como a sanidade e o bem-estar animal devem estar nas pautas de reflexões e discussões dentro e fora do campo

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Cenário atual:

Em meio a um período pandêmico que ainda perdura e inevitavelmente marca uma crise, pode-se considerar, de maneira até mesmo conservadora, que o setor da equideocultura nacional enfrentou e ainda enfrenta os desafios impostos pela pandemia de forma extremamente eficiente. Fatos como crescimento do efetivo de rebanho, segundo dados do IBGE (2020), aquecimento dos leilões de diversas raças pelo formato on-line e a promoção de inúmeras competições equestres, mesmo sem a presença de público, Brasil afora, demonstram essa capacidade, não somente de resiliência, mas, de adaptação do setor.

Desafios para o próximo ano:

Mesmo com esse cenário relativamente estável e aparentemente favorável, o horizonte se mostra nublado para os verdadeiros anseios e avanços do setor. Em uma visão macro do mercado equestre, observa-se que algumas dificuldades relevantes perduram e atravessam o ano trazendo para 2022 os desafios latentes.
Questões que envolvem dois dos principais gargalos do setor, a sanidade e o bem-estar animal, nortearão as principais demandas para o ano novo que chega, e serão refletidas dentro e fora do campo.

A eterna problemática do Mormo:

Somente no Estado de Tocantins, segundo dados do órgão de Serviço Veterinário Oficial, desde janeiro de 2021 até o momento foram contabilizados 22 casos da doença. O que resultou na suspensão, por meio de portaria publicada pela Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec/TO), de todo e qualquer evento equestre e/ou aglomeração de equídeos em 18 municípios do Estado. Inevitavelmente gerando impactos econômicos negativos para o setor como um todo, porém, mais do que isso causando danos muitas vezes imensuráveis decorrente das interdições de propriedades, casos judicializados e abate de animais. A problemática a cerca do Mormo vem sendo frequentemente discutida nos últimos anos, mas, com pouca efetividade. É provável que em 2022 iniciativas tendam a surgir, no entanto, o que quer que seja, se não tiver ação direta na essência do problema e se forem de caráter paliativo, terá pouca ou nenhuma eficácia para que se obtenha a real solução do problema.

Os questionamentos sobre os esportes equestres:

Bem-estar animal nos esportes equestres tem sido pauta constante. Em especial, o ano de 2021 foi marcado por fatos e acontecimentos, nacionais e internacionais, que enalteceram os questionamentos sobre a forma como os animais que desempenham atividades esportivas são tratados. Até mesmo atividades que anteriormente não eram alvo, agora começam a sofrer com esse fenômeno. Nesse sentido, a tendência é que órgãos públicos e privados caminhem para avanços de ações sobre o tema. Exemplo é a proposta do novo Código Nacional de Corridas, que já passou por consulta pública, e a expectativa é de que o MAPA coloque em vigor até o 1º Trimestre de 2022. Em seu texto preliminar medidas que vão desde regramento e proibições quanto ao uso de equipamentos e métodos de manejo que possam gerar prejuízos ao bem-estar dos animais, até repressão ao doping são medidas que alertam para uma eminente necessidade do setor em agir rapidamente para a manutenção dessas atividades.

O que vem pela frente?

O mercado equestre em geral - não só aquele que se refere aos animais de esporte, mas aos de trabalho, lazer e demais atividades - vem se estabelecendo como importante e potencial área do agronegócio brasileiro. No entanto, com a representativa, o que vem junto são bônus e ônus proporcionais à grandiosidade. Sem dúvidas, no curto prazo, as questões sanitárias e de bem-estar animal apresentam os maiores riscos que poderão enfraquecer o setor em 2022.
Porém, sem deixar o otimismo de lado, mesmo em meio aos percalços, o setor deve manter a esperança devido às novas oportunidades com relação ao turismo equestres, tanto “a cavalo” e “do cavalo”, tendo em vista o avanço nas vacinações contra o Covid-19, e também quanto aos novos adeptos do segmento, como mostram os crescentes número de participantes de competições equestres, divulgados durante todo o ano de 2021 por entidades das mais diversas raças e modalidades.

Por fim, o que podemos esperar é que os riscos sejam ao menos estabilizados ou minimizados, e o ano de 2022 seja uma continuidade do desenvolvimento que o mercado equestre busca.

Orlando Filho/Foto da home: Fagner Almeida
Orlando Filho

Orlando Filho

Médico Veterinário, Tecnólogo em Agronegócio e Gestor de Equinocultura. E-mail: [email protected]

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